30 de dez de 2018

Farra do boi - a tragédia chamada de “tradição” que acontece em Santa Catarina


Mesmo proibida, as farras de fim de ano continuam acontecendo com muita frequência no Estado de Santa Catarina. Somente no dia 23 de dezembro, o Coletivo Brasil Contra Farra (@brasilcontrafarra) registrou 3 ocorrências em Florianópolis, duas no bairro Rio Vermelho e uma na Vargem Pequena.

Na tarde do domingo (23), a  Polícia Militar de Florianópolis atendeu ao chamado da população para atender o primeiro registro de farra do boi de Natal.

Segundo a polícia, durante a farra, devido ao estresse do linchamento e por estar muito machucado, o animal feriu uma pessoa no olho gravemente - sem informação se era farrista, ou não.

Transtornado por causa da farra, o boi ainda invadiu uma residência causando danos, danificou uma das viaturas e quase atropelou agentes do SAMU em atendimento a acidente de trânsito.

Um laçador do 22° Batalhão da Polícia Militar, de folga, foi chamado e tentou captura-ló, mas não foi possível já que o boi estava muito agitado. Assim, a polícia abateu o boi no local. É importante ressaltar que, ainda que a polícia não abatesse o boi no local (vídeo), os bovinos usados na farra são bois que os mandantes retiram os brincos, para que sua identidade não seja identificada; e assim, os animais são considerados clandestinos, sendo encaminhados após o recolhimento para a Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina), cujo destino é o sacrifício.

A Polícia Militar justifica o sacrifício a céu aberto para preservar a integridade física dos moradores locais e do patrimônio público e privado, e que todos os princípios do uso progressivo da força foram utilizados na ocorrência.

O Coletivo Brasil Contra Farra acredita que as farras vão se intensificar nos municípios de Florianópolis, Porto Belo e Governador Celso Ramos nos próximos dias de festas até o Réveillon; como é recorrente nesta época do ano.

O Estado de Santa Catarina já deve mais de 1 milhão por falta de políticas públicas de combate à farra do boi. Um dos principais motivos dos bois serem linchados é a falta de carretas e laçadores que possam recolher os bois e inibir a ação dos farristas. Outro motivo que dificulta o combate é que as leis ambientais são brandas, onde  lavra-se um Termo Circunstanciado e o criminoso é liberado em seguida.

Acredita-se também que haja interesses de facções de outros setores no incentivo à prática no Estado.

Para o Coletivo Brasil Contra Farra, o Ministério Público deveria entrar com uma Ação Civil Pública para mudar as normativas da Cidasc a fim de que os bois possam ser examinados para eliminar a hipótese de viroses e contaminações, com o objetivo de serem rebrincados e encaminhados para santuários e sítios de defesa animal a fim de lhes dar dignidade através de adoção responsável, cujo subsídio deveria ser de responsabilidade do Estado.

A ação deve contemplar também que o Estado repasse multa aos municípios por falta de empenho ao combate à farra do boi. A farra do boi causa danos ao patrimônio público, segurança pública, crime ambiental e maus-tratos aos animais.

Luciane Pires, Publicitária (ESPM), colunista cultural do portal Ativar Sentidos, ativista pelo direito dos animais, formadora de opinião pelo Instagram @luhpires_

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