22 de dez de 2018

Farmacêutica dos EUA barra entrega de genéricos para hepatite C


A farmacêutica norte-americana Gilead conseguiu impedir a produção do genérico para hepatite C, que geraria uma economia de até R$ 1 bilhão nos custos de saúde pública brasileira. O genérico havia sido comprado pelo Ministério da Saúde para o tratamento de cerca de 15 mil pacientes e já estava com doze caminhões carregados para a distribuição.

A disputa pela possibilidade de o governo brasileiro produzir o medicamento chegou ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), que em setembro deste ano autorizou à norte-americana a patente do medicamento Sofosbuvir, que elimina a Hepatite C em até 95% dos casos.

A Fiocruz-Farmanguinhos havia solicitado, ainda em fevereiro de 2017, que o INPI não concedesse a patente do medicamento à empresa norte-americana, e um consórcio formado por companhias brasileiras em setembro de 2015 preparava-se para a produção dos medicamentos.

O consórcio composto pela farmacêutica Blanver, Microbiológica Química e Farmacêutica e KB Consultoria trabalhou desde 2015 em parceria à Farmanguinhos e conseguiu o registro do genérico junto pela agência reguladora brasileira (Anvisa), vencendo em julho deste ano uma tomada de preços do Ministério da Saúde.

A proposta das companhias brasileiras com a Fiocruz-Farmanguinhos permitiria aumentar o número de pessoas com Hepatite C atendidas de 30 mil para 50 mil, por ano, e geraria uma economia para de R$ 1 bilhão para o país, em comparação à oferta feita pela norte-americana Gilead.

No ano passado, quando o Sofosbuvir foi listado como produto estratégico para o tratamento da Hepatite C pelo próprio SUS, a farmacêutica norte-americana Gilead solicitou a validação da patente do medicamento. Imediatamente, ainda em fevereiro, a Farmanguinhos pediu que o INPI barrasse a solicitação. E um novo pedido para o indeferimento da patente foi ingressado em agosto deste ano. Mas em setembro, o INPI permitiu a patente à farmacêutica.

Dessa forma, cerca de 12 caminhões com remédios que poderiam tratar até 15 mil pessoas que sofrem de hepatite C, e esperam há quase um ano pelos medicamentos pelo SUS, estão parados, esstacionados no almoxarigado do Ministério da Saúde em São Paulo. Isso porque a Gilead conseguiu, por meio de um mandado de segurança, suspender a aquisição de sofosbuvir pelo Ministério.

No GGN

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