3 de dez de 2018

Essa nova direita veio para ficar?

Personagens grotescos, ridículos, caricatos, vão se unindo em torno do que a direita tem a propor ao país. Já é tempo de perguntar se todo o esforço para, por qualquer tipo de método, tirar a esquerda do governo, compensou para o país? O governo Temer é o que a direita quer para o Brasil? Esse governo é o contraponto aos governos do PT?

Não bastasse o desastre econômico, social e político do governo Temer, a direita aderiu a uma versão extrema, a que se configura como o próximo governo para o Brasil. Não contente com o fracasso estrepitoso para o país do governo Temer, se lança a um governo ainda mais aventureiro. Usa os mesmos argumentos que deram errado, promete cortar ainda mais recursos púbicos, o que só aumentará a recessão e o desemprego. Mas o que interessa é ganhar e depois fazer tudo para permanecer no cargo, não importa os danos que se provoca no país.

Será essa, a nova cara da direita, a versão que supera o projeto tucano, vindo para ficar na vida política brasileira?

O fracasso e o esgotamento do projeto tucano deixou o espaço livre para esse tipo de aventureirismo político. As próprias bases do PSDB se haviam bandeado para o candidato da extrema direita, ainda no primeiro turno, explicando porque o candidato oficial tucano teve um resultado eleitoral desastroso, assim como as candidaturas nos estados e no Congresso. O campo parece aberto para que a extrema direita substitua a direita. A próxima reiteração do mesmo modelo neoliberal nas sucessivas campanhas eleitorais desde o fim do governo de FHC, demonstrava a incapacidade dos tucanos de aprender com seus erros, - fazer sua autocrítica -, facilitando assim a sucessão de derrotas.

A extrema direita se aproveitou para se apresentar, diante do grande empresariado, dos meios de comunicação, dos velhos partidos da direita, do Judiciário, como o candidato a realizar o projeto da direita no Brasil: impedir que o PT volte a governar o país. Pelo seu sucesso inicial, parece que essa versão extremada da direita veio para ocupar o lugar dos tucanos, cuja crise, tudo a leva a crer, seja terminal. O próprio tom penoso das declarações de FHC confirmam isso.

Mas, como não basta uma agenda negativa, foi escolhido para cuidar da economia um neoliberal radical para cuidar do ramo. Um daqueles que diz que o Brasil não cresce porque ainda não enterrou traços socialdemocratas no país. (Não especificou bem do que se trata, nem se sabe ao que ele se refere.) Que privatizará tudo o que possa. Como se trata de um Chicago Boy, adepto do Pinochet, pode-se esperar o pior de tudo. Porque, ao contrário do que se propala, o Chile era um dos países menos desiguais do continente antes da ditadura pinochetista, e se tornou um dos mais desiguais depois da aplicação das políticas de choque neoliberal. O Chile é, assim, um caso de fracasso e não de sucesso. O crescimento do PIB foi acompanhado do aumento brutal da desigualdade, porque o modelo funciona para as elites econômicas, mas não para a massa da população.

Pela sua vontade, essa direita veio para ficar. Mas nenhuma força que não incorpore como fundamentais os gravíssimos problemas sociais do Brasil, não tem possibilidade de perdurar, salvo mediante a repressão. O governo Temer se esvaziou rápido no Brasil, o governo Macri na Argentina também. O próximo governo brasileiro está condenado a esse mesmo destino.

Além disso a ultradireita se lançou como forca política mediante afirmações bizarras, sobre tudo, afirmações que cabem perfeitamente na internet, mas que, transpostas para a realidade, representam desastres nacionais e internacionais. Uma coisa é falar, outra é transformar isso em políticas concretas.

Encaixada numa sinuca de bico, resta à direita tentar passar do regime de exceção ao Estado de exceção, isto é, a um sistema político blindado, que trate de impedir que alternativas de esquerda possam voltar a governar o Brasil. Essa nova direita só terá vindo para ficar se o Estado de exceção conseguir se impor, daí uma direita autoritária, repressiva, com requintes fascistas, pode ser a cara mais permanente da direita no Brasil.

Emir Sader

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