7 de dez de 2018

Bolsonaro continuará utilizando táticas de "guerra híbrida", diz Sérgio Amadeu

Edição do programa No Jardim da Política também contou com entrevista com o poeta Sérgio Vaz


“A realidade tem que ser destruída do ponto de vista simbólico. Eles cultuam ignorância. Por exemplo, para destruir o décimo terceiro, os direitos, eles vão ter que convencer que isso é bom, mas isso é ruim. E como você convence? Com mentiras, perseguição, imaginação”, afirmou Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) em entrevista para o programa No Jardim da Política desta quinta-feira (6), ao comentar o acesso aos meios de comunicação do país e como as redes sociais influenciam na política.

Amadeu, que é representante do setor acadêmico no Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI), esteve nos estúdios do Brasil de Fato e também comentou como os políticos neoliberais se utilizam destes meios para manipulação midiática.

Amadeu explicou o conceito de Guerra Híbrida, estratégia que tem sido muito utilizada principalmente pelos Estados Unidos para desestabilizar governos democraticamente eleitos. As redes digitais, afirma, têm tomado papel importante nas Guerras Híbridas combinando sabotagem, criação de baixa moral na sociedade adversária e inversão de valores no intuito de desmoralizar o “inimigo”. As fake news fariam parte das táticas de Guerra Híbrida.

Neste sentido, o professor apontou que tanto a campanha de Jair Bolsonaro (PSL) quanto seu futuro governo utilizaram e vão continuar utilizando estas táticas. Trabalhar com factóides, ou seja, informações bomba que ficam se repetindo para atrair a opinião pública, é a saída para um governo que não tem propostas coerentes, explicou.

Em relação às fake news, Amadeu afirma que atualmente o termo está comprometido. Muitas das fake news surgiram baseadas em situações reais, o que deixa o combate à desinformação ainda mais complexo. “Você combina coisas que existem, distorce e exagera, gerando um efeito de revolta enorme. Um exemplo é a “bolsa presidiário”. Na realidade quase ninguém tem, porque a lei diz que o preso precisaria ter carteira assinada no momento em que foi condenado e isso está longe da realidade dos presídios”.

Em relação a possíveis leis de combate às fake fews, o professor afirma que é preciso ter cuidado. A situação poderia se inverter em sua opinião. “Você tem que saber que vai ter um promotor e juiz que é da elite e vai ser seletivo. Então eu acho complicado 'lei de fake news', vai ser usada contra quem faz o bom jornalismo”.

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