13 de dez de 2018

Assessor de Flávio Bolsonaro “ganhou” R$ 86 mil em 16 meses, mas passou metade do tempo em Portugal




O Jornal Nacional desta noite mostrou que um assessor do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, agora senador eleito, recolheu mais de R$ 86 mil em dinheiro público como funcionário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Alerj, embora tenha passado metade do tempo em Portugal.

É um novo indício de que funcionários podem ter sido contratados sem trabalhar repassando parte do dinheiro para a família Bolsonaro.

Wellington Sérvulo Romano da Silva é tenente-coronel da Polícia Militar do Rio. Trabalhou duas vezes com Flávio. Primeiro como assessor da vice-liderança do PP, partido ao qual o deputado pertencia em 2015, depois no gabinete do filho do presidente eleito.

De acordo com o JN, a “Alerj informou que, durante todo o período em que ele esteve na casa, nunca tirou licença. Em um ano e quatro meses em que trabalhou para Flávio, Wellington ficou fora do país por 248 dias — a metade do período”.

Como o salário de Wellington, com gratificações, era de R$ 5.400,00 mensais, isso significa que ele recebeu sem trabalhar R$ 43.200,00. No total, foram R$ 86.400,00.

Wellington está na lista de nove assessores e ex-assessores de Flávio e Jair Bolsonaro que repassaram dinheiro para a conta de Fabrício Queiroz, motorista de Flávio Bolsonaro. Foram R$ 1.800,00.

[Ver íntegra do documento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, no pé do post]

Muitos repasses para a conta de Queiroz foram feitos no mesmo dia do pagamento de salários da Alerj.

Queiroz, também policial militar, é íntimo da família Bolsonaro e despertou a atenção de investigadores depois de movimentar R$ 1,2 milhão em um período de um ano, apesar de receber um total de R$ 23 mil mensais em dois empregos.

Em sua conta bancária, Queiroz também recebeu depósitos de parentes. Ele empregou a ex-mulher, a atual e duas filhas nos gabinetes de Flávio e Jair Bolsonaro.

Nathalia, uma das filhas, morando no Rio de Janeiro era contratada como assessora de Jair Bolsonaro na Câmara Federal, em Brasília.

Não se sabe se de fato ela prestava serviços ao deputado federal. Porém, tinha ao mesmo tempo um segundo emprego no Rio, como funcionária de uma academia, como mostrou o repórter Marcelo Auler.

A suspeita é de Queiroz operava uma conta ônibus, utilizada para transferir dinheiro de forma a esconder origem e destino.

Chamou a atenção dos investigadores o fato dele fazer saques em dinheiro, muitas vezes mais de um por dia, no valor de R$ 5 mil.

Teria sido uma forma de não chamar a atenção de autoridades encarregadas de monitorar lavagem de dinheiro.

Uma das transferências feitas por Queiroz foi para a futura primeira dama Michelle Bolsonaro, de R$ 24 mil.

O presidente eleito disse que foi parte do pagamento de um empréstimo de R$ 40 mil que Bolsonaro teria feito ao motorista e amigo.

Jair Bolsonaro argumentou que não recebeu o pagamento em sua própria conta bancária por ter dificuldades de ir ao banco.

Nem Queiroz, nem a futura primeira dama falaram sobre o caso.

Hoje o Jornal Nacional localizou um terceiro endereço de Fabrício, num bairro de classe média do Rio. O porteiro disse que é lá que mora o ex-policial militar.


O PM Queiroz e a filha Nathalia se afastaram dos gabinetes de Flávio e Jair Bolsonaro no mesmo dia, em outubro, antes da deflagração da operação.

O afastamento aconteceu entre o primeiro e o segundo turnos da eleição presidencial.

Curiosamente, no mesmo período, o juiz Sérgio Moro arranjou uma forma de vazar a delação do ex-ministro Antonio Palocci, que comprometia lideranças do Partido dos Trabalhadores.

Posteriormente, Moro foi indicado para um turbinado Ministério da Justiça do candidato que ajudou a eleger.

Moro disse que Jair Bolsonaro já explicou o que teria de explicar sobre o caso.

Na Furna da Onça, a PF prendeu seis deputados estaduais: Marcos Vinicius Neskau (PTB), Marcos Abrahão (Avante), Coronel Jairo (SD), Chiquinho da Mangueira (PSC), Andre Correa (DEM) e Luiz Martins (PDT). Também envolvidos no esquema estavam os deputados Paulo Melo, Jorge Picciani e Edson Albertassi, todos do MDB, que já estavam presos. O ex-deputado Marcelo Simão (PP) foi proibido de frequentar a Alerj.

Os deputados davam apoio a Sergio Cabral na Alerj em troca de mensalinhos e de indicar apaniguados para cargos públicos.


Conceição Lemes
No Viomundo

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