26 de dez de 2018

As dúvidas sobre a indústria automobilística em 2018


Há dúvidas sobre o desempenho na produção de auto veículos no próximo ano.

O setor depende de dois fatores: as vendas internas e as exportações.

Exportações são afetadas por dois fatores: vendas internas e câmbio. Quando caem as vendas internas, as montadoras montam estratégias de venda, dependendo do câmbio e da situação econômica dos principais países importadores.

Já o mercado interno é afetado pela renda interna, disponibilidade de financiamento, níveis de endividamento familiar, formalização do emprego, substituição dos veículos. Ou seja, em períodos de crise, há um adiamento das decisões de compra de veículos novos. A frota familiar vai envelhecendo e, quando a crise arrefece um pouco, forma-se uma bolha de novas compras, até a demanda voltar aos níveis históricos.

As séries históricas

A análise das tendências mensais não permite muito otimismo.

2018 começou com uma recuperação da produção, em cima de uma base bastante debilitada de 2017.

Doze meses atrás, em novembro de 2017, a produção acumulada em 12 meses chegou a 2,7 milhões de veículos, dos quais
  • cerca de 2 milhões em vendas internas (11,1% a mais que em novembro de 2016)
  • enquanto as exportações saltaram para 764 mil (51,8% a mais que no período anterior).
Ao longo do ano, as vendas internas cresceram ligeiramente, chegando em novembro de 2018 em 2,3 milhões, no acumulado de 12 meses. Mas as exportações despencaram para 658,5 mil, devido principalmente à crise da Argentina.

Uma leitura linear desses números mostra uma certa estabilidade na produção.


Quando se mede a evolução percentual da produção, o quadro fica mais complicado.

Entre novembro de 2017 e novembro de 2018, o crescimento da produção (no acumulado de 12 meses sobre período anterior) caiu de +26,9% para 8,6%. O licenciamento interno de veículos nacionais bateu em 18,1% em abril deste ano. Depois caiu sucessivamente até chegar a 12,5% em novembro de 2018.

No desempenho de curto prazo, a situação também não é promissora. Em novembro, o acumulado de 12 meses caiu 0,2% em relação ao acumulado fechado em agosto. As linhas de longo, médio e curto prazo são descendentes.


A queda maior está nas exportações. Em novembro, o acumulado de  12 meses caiu 13,8% em relação a doze meses atrás. Não há sinais de recuperação.

A linha vermelha mostra o valor acumulado de 12 meses das exportações de autoveículos. As demais linhas, a variação anual, semestral e trimestral do acumulado de 12 meses.


No acumulado do ano, as exportações, que chegaram a bater uma alta de 15% sobre o mesmo período de 2017, despencaram para uma queda de 10%.


Há uma série de fatores que são ainda incógnitas na nova política econômica:
  1. O nível de câmbio. Manter a desvalorização atual ajuda nas exportações.
  2. A qualidade da recuperação do emprego. A redução dos empregos formais afeta diretamente a capacidade de tomar financiamento.
  3. A flexibilização da política monetária e alguma ação para reduzir o nível de inadimplência.
A análise dos últimos anos impede uma constatação mais grave. 

Volta-se aos níveis de produção de fevereiro de 2008. Nas exportações, volta-se ao nível de março de 2005.

Luís Nassif
No GGN

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