3 de nov de 2018

Praga do século: fake news nos EUA hoje ultrapassa eleição de Trump


O diagnóstico de que o uso de fake news nos Estados Unidos em 2018 já ultrapassa a eleição de Donald Trump é da Universidade de Oxford. E não é só fake news, mas também material de ódio distribuido em redes sociais sobre assuntos políticos. E está crescendo. A informação é de Bruno Benevides, na Folha.

O levantamento foi divulgado na quinta, dia 1º, e analisou o material compartilhado no último mês pelo Twitter e no Facebook contemplando a eleição americana, que se dará no dia 6, quando democratas tentarão tirar dos republicanos o controle da Câmara e do Senado.

A conclusão é de que tudo o que foi prometido pelas duas empresas para combater disseminação desse tipo de material, não surtiu o efeito esperado. Assim, notícias falsas ou não confiáveis distribuídas atualmente superou em muito o de 2016, quando o assunto veio à baila.

"As plataformas tomaram medidas, mas enquanto pessoas continuarem a divulgar desinformação, o problema vai continuar", disse Nahema Marchal, doutoranda do Instituto de Internet de Oxford e uma das autoras do estudo.

Nahema e mais três colegas estudaram as 'junk news' ou notícias lixo, classificação que engloba não só conteúdo falso mas também teorias da conspiração e material ofensivo. O grupo analisou cerca de 2,5 milhões de tuítes e encontrou as contas que mais espalharam esse tipo de notícia. De posse do material, buscaram os perfis de Facebook ligados a este sites e observaram 7 mil páginas da plataforma.

A equipe criou, então, um site que mostra em temporeal o material que está sendo divulgado por estas páginas. E, como exemplo, lá é possível achar um artigo que acusa Barack Obama de financiar organizações terroristas, ou então que um imigrante da caravana de centro-americanos tentou derrubar um helicóptero a pedradas no México.

Segundo os pesquisadores, se antes a distribuição de notícias falsas se restringia a perfis ligados à Rússia ou a sites de extrema-direita, em 2018 o modelo se disseminou entre grupos mais moderados, em especial do lado conservador.

No estudo, os perfis de extrema-direita, dentro de uma avaliação que varia de 0 (nenhuma interação com 'junk news') a 100 (só interage com esse tipo de material), receberam 89, enquanto a direita tradicional recebeu 83. Este último engloba o Partido Republicano.

Páginas ligadas a causas progressistas, como o feminismo, receberam 46. E a esquerda institucional, de oposição a Trump, recebeu 24, nota mais alta somente que o 20 recebido pelos sites jornalísticos.

A distribuição de 'junk news' sse refletiu também na proporção em que o material pode ser encontrado no Twitter. Se em 2016, 20% das notícias foram assim classificadas, agora tem-se 25%, contra 19% das notícias feitas pelo jornalismo profissional e 5% de fontes oficiais, como partidos políticos, governos e universidades.

Os pesquisadores de Oxford se depararam com uma realidade bem mais extensa. Nunca houve um número tão alto de 'junk news' nos países pesquisados, e aí se inclui a eleição presidencial brasileira e outros cinco países em campanha.

No GGN

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