12 de nov de 2018

Paul Krugman disseca o desastre Joaquim Levy


Em sua coluna no The New York Times, o prêmio Nobel de Economia Paul Krugman mostra as razões do desastre econômico brasileiro, fixando-se na estratégia Joaquim Levy, no segundo governo Dilma Rousseff. Nenhuma novidade em relação ao que apontamos na época, mas, agora, partindo de um Prêmio Nobel.

O subtítulo do artigo é "Como uma economia em ascensão sofreu uma crise tão grave?"

Ele não se debruça sobre as eleições. Diz apenas que está horrorizado como qualquer pessoa, com a escolha de alguém que parece ser um verdadeiro fascista.

Segundo ele, o Brasil parece ter sido atingida por uma tempestade perfeita de má sorte e má política.

O primeiro motivo foi a deterioração acentuada do ambiente global, com a queda dos preços das commodities exportadas pelo país. O segundo, os gastos privados domésticos que despencaram por conta de um acúmulo excessivo de dívidas. O terceiro, a política econômica que, em vez de combater a crise, exacerbou-a com a austeridade fiscal.

O mais espantoso, segundo Krugman, é o fato do país não estar exposto a nenhuma das vulnerabilidades que, nas últimas décadas, provocaram as chamadas crises de "parada súbita", nas quais os investidores saem repentinamente do país. É o que ocorreu na crise mexicana de 1994-5, nas asiáticas de 1997-9, no sul da Europa, após 2009 e, agora, na Turquia e na Argentina.

O fenômeno ocorreu quando há uma desvalorização súbita da moeda, em países com grandes dívidas em moedas estrangeiras. A desvalorização prejudica os balanços patrimoniais, provocando queda acentuada na demanda doméstica. A única saída, então, é aumentar as taxas de juros para sustentar a moeda, afetando a demanda.

A queda de 9% do PIB real per capita é comparável ao desses países, mas em uma situação oposta. O Brasil não tem muitas dívidas em moedas estrangeiras e os efeitos cambiais nos balanços não foram relevantes. O que levou a esse desastre, então?

1. Piora no ambiente econômico e pouca diversificação da pauta de exportações brasileiras. As relações de troca foram péssimas para o país.


2. Seguiu-se queda acentuada nos gastos dos consumidores domésticos, ligada ao período anterior, em que o país conseguiu passar pela crise de 2008.

3. ponto central foi a maneira como a economia brasileira reagiu: com a política fiscal e monetária que agravou profundamente a crise.

Do lado fiscal, diz Krugman – referindo-se à Previdencia e aos gastos públicos - o Brasil tem grandes problemas de solvência a longo prazo, que requer soluções de longo prazo. |O que aconteceu, em vez disso, foi que o governo de Roussef decidiu impor cortes de gastos acentuados no meio de uma recessão. O que eles estavam pensando?| Diz ele: Incrivelmente, parece que eles compraram a doutrina da austeridade expansionista . Ou seja, com cortes fiscais pesados, mesmo que a demanda caia, o mercado volta a acreditar na economia e a investir.

Mas não apenas isso, diz Krugman. A política monetária também se tornou bastante contracionista, com um grande aumento nas taxas de juros. O que foi aquilo?, espanta-se Krugman.


O real se desvalorizou elevando temporariamente a inflação. O Banco Central entrou em pânico, fixando-se na questão da inflação às custas da economia real. A inflação acabou quando o pico induzido pela moeda acabou. Mas o mal estava feito.


Conclui ele: É uma história notável e deprimente. E essa combinação de má sorte e má política certamente desempenhou um papel no desastre político que se seguiu.

A propósito, Joaquim Levy está cotado para assumir a presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Luís Nassif
No GGN

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