16 de nov de 2018

O Conselho Federal de Medicina encontrou a solução para o Mais Médicos


Poucos conselhos federais são mais tacanhos, corporativistas e fora da realidade que o Conselho Federal de Medicina.

Sua "Nota à sociedade brasileira", sobre o fim do programa Mais Médicos, é de uma falta de senso notável.

O programa surgiu como política de saúde pública, para levar atendimento médico a comunidades afastadas, sem estrutura de saúde. Por serem localidades afastadas, pobres, despertam baixo interesse de médicos brasileiros.

O programa mereceu ataques reiterados da classe médica e, em particular, do Conselho Federal de Medicina. Agora, o bravo CRM anuncia que o Brasil tem médicos suficientes para atender às demandas da população. Para tanto, basta que tenham as seguintes condições, que se existissem não haveria a necessidade de programas como o Mais Médicos.

Primeiro, salienta o compromisso social dos médicos brasileiros:

* O Brasil conta com médicos formados no País em número suficiente para atender às demandas da população;

* Historicamente, os médicos brasileiros têm atuado, mesmo sob condições adversas, sempre em respeito ao seu compromisso com a sociedade;

Então, qual o problema que levou à convocação de médicos cubanos? Pequenos detalhes que são pré-condição para os associados do CFM cumprirem seu compromisso com a sociedade:

* O governo, nos diferentes níveis de gestão, oferecer infraestrutura de trabalho, apoio de equipe multidisciplinar, acesso a exames e a uma rede de referência para encaminhamento de casos mais graves;

* Para estimular a fixação dos médicos brasileiros em áreas distantes e de difícil provimento, o Governo deve prever a criação de uma carreira de Estado para o médico, com a obrigação dos gestores de oferecerem o suporte para sua atuação, assim como remuneração adequada.

E termina com um oferecimento campeão:

Comprometido com a Nação, a ser construída com base na ética e na justiça, o CFM se coloca a disposição do Governo para contribuir com a construção de soluções para os problemas que afetam o sistema de saúde brasileiro. 

A contribuição proposta pelo CFM é a famosa "suponhamos que". "Suponhamos que" houvesse uma rede de referência em todo o Brasil, uma equipe multidisciplinar em cada cidade, infraestrutura de trabalho em cada canto do país, remuneração adequada para uma nova carreira de Estado...

Como não existe, não haverá médico brasileiro para atender a essas demandas.

Ou seja, temos um conselho federal que atende perfeitamente aos padrões de qualidade e racionalidade do governo Bolsonaro.

Luís Nassif
No GGN

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