24 de nov de 2018

O autoritarismo desemboca no anti-semitismo

Lévy: os judeus do Brasil não estão resguardados!

Já vi isso isso em algum lugar... Os integralistas e os...
O Conversa Afiada reproduz trechos de entrevista concedida pelo filósofo Bernard-Henri Lévy (autor, entre outros livros, de “O Espírito do Judaísmo”) a Guilherme Magalhães, da fAlha:

(...) Que aspectos o sr. criticaria da política do premiê Binyamin Netanyahu?

O nacionalismo e o populismo. Não gosto deles, na França, nos EUA, no Brasil — vocês tiveram um exemplo recente com o presidente eleito —, e eu também não gosto dele em Israel.

Berlim recentemente indicou uma procuradora especial para lidar com os crescentes casos de antissemitismo. Eles também cresceram na França e nos EUA. O que explica essa tendência?

Quando há um clima de ódio que surge numa sociedade, quando se começa a se atacar as minorias, os imigrantes, quando se ataca as pessoas que são diferentes, no final das contas a gente sempre acaba no antissemitismo.

Sei que há alguns judeus que pensam o contrário. Sei que há judeus que pensam que, quando se atacam imigrantes, não está se atacando a eles. Eles estão errados. As lições da história do Ocidente são inexoráveis: o nacionalismo, o populismo e a negação do outro sempre resultam que, um dia ou outro, os judeus serão vítimas, e o antissemitismo crescerá.

Nesse clima de populismo generalizado, claro que cresce o antissemitismo. Veja nos Estados Unidos, é muito interessante. Ele cresce à esquerda, com a deslegitimação de Israel, mas ele também cresce entre os partidários de Trump. Trump declara ser amigo dos judeus, mas acredito que isso não é verdade. Acho que é um falso amigo. Penso que o beijo que ele dá nos judeus é um beijo perigoso.

Os judeus americanos, como os judeus brasileiros e os judeus franceses, erram ao acreditar que estão resguardados. Quaisquer que sejam as carícias feitas, quaisquer que sejam os sorrisos hipócritas que lhe sejam endereçados, o populismo sempre desemboca no antissemitismo.

(...) O futuro ministro brasileiro das Relações Exteriores escreveu que somente Trump “pode salvar o Ocidente”, que estaria neste momento “espiritualmente fraco e alheio a si mesmo”. O sr. concorda?

Não. Quem me parece espiritualmente fraco é Trump. Um homem que, segundo testemunhas, é incapaz de estudar um dossiê, incapaz de se interessar por um tema mais do que cinco minutos.

Em que estado está o Ocidente então?

Ele é fraco porque há muitos Trump, Marine Le Pen, Viktor Orbán, Bolsonaro. O enfraquecimento do Ocidente está aí. O que é um Ocidente forte? É um Ocidente fiel a seus valores. O que distingue os valores ocidentais? É a filosofia das Luzes. A tolerância, a abertura de espírito, o espírito crítico, o respeito às minorias, colocar o outro antes de si, o amor à cultura, o respeito à inteligência.

Não digo que o Ocidente aplique todos esses princípios, infelizmente, mas são eles que, quando aplicados, fazem a grandeza do Ocidente. Hoje temos uma multiplicação de líderes que não só não os aplicam como também os desprezam. É uma das fontes do enfraquecimento do Ocidente.

(...)

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