3 de nov de 2018

Ministro da Justiça será subordinado a um defensor da tortura

É o crime no poder


O Conversa Afiada publica artigo de seu colUnista exclusivo Joaquim Xavier:

A partir de primeiro de janeiro, o Brasil terá mais um (...) na presidência da República. Sim, bandido. Se assim preferirem os exegetas, um "acusado" de crimes. Mas o fato é que Jair Bolsonaro já foi condenado em vários processos, mas, para ele, vale o “trânsito em julgado”, que para Lula não serve.

Além das ações por ofensas contra parlamentares, por apologia do estupro, uso de dinheiro público para sustentar funcionários fantasmas e até tentativa de explodir instalações do Exército, Bolsonaro é militante assumido e entusiasmado da tortura, tipificada como crime internacionalmente. Existisse ainda o tribunal de Nuremberg, estaria sentado no banco dos réus a caminho da forca.

Não bastasse isso, encarregou outro (...) para cuidar do ministério da...Justiça: Sérgio Moro. Para não falar de todo o resto, deixemos a palavra com Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, ao comentar a interceptação do juizeco de Curitiba de conversas entre a então presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. “ Ele não é o único juiz do país e deve atuar como todo juiz. Agora, houve essa divulgação por terceiros de sigilo telefônico. Isso é crime, está na lei. Ele simplesmente deixou de lado a lei.” Era o que afirmava também Teori Zavascki, o ministro do Supremo que morreu num acidente de avião muito mal explicado.

Querem mais? Onyx Lorenzoni, outro superministro do capitão (...) admitiu publicamente que recebeu dinheiro ilegal da JBS em sua campanha. Oficialmente, foram R$ 100 mil. Está sendo processado. Réu confesso.

Já chega, não? Não. Outro superministro, Paulo Guedes, nesse momento é alvo de ações judiciais suspeito de ter roubado dinheiro em transações com fundos de pensão. É apenas a ponta do iceberg das negociatas desse admirador de gente como o ditador chileno Augusto Pinochet.

Ufa! Parece o suficiente. E nem se cita aqui o general Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro e até hoje chefe de torcida dos tempos da ditadura militar. Escapou de ser preso, mas teve que passar para a reserva. Aposentou a farda, mas não a saudade dos porões.

É essa turma de (...) que se apresenta agora para governar o Brasil para “livrar o país da corrupção e do crime organizado”. É até possível entender que uma parte dos eleitores –a minoria, diga-se de passagem: 39% para ser mais exato—possa ser iludida pela cantilena de um capitão de segunda linha e seus asseclas. Hitler também foi “eleito”.

O que não se pode perdoar ou esquecer é ver gente que se vende como esclarecida calar-se ou, pior, encarar tudo isso com normalidade ou resultado do andar da carruagem do “jogo democrático”. De acadêmicos empanturrados de dinheiro do povo por baixo do pano e baseados na avenue Foch em Paris aos barões da grande mídia, ouve-se um silêncio ensurdecedor.

O país está diante de um escárnio que mesmo em sociedades primitivas causaria asco. A nomeação do criminoso Moro vem sendo tratada por este pessoal como uma “opção” polêmica, e não como um atentado vulgar ao que restou à Constituição ou normas democráticas elementares. O amanuense de Curitiba, travestido de juiz, fez campanha aberta pelo idólatra da tortura, chegando ao cúmulo de vazar “delações” contra o líder disparado nas pesquisas quando já havia sido convidado para integrar a (...) que espera ocupar o Planalto a partir de janeiro.

Serviço feito, serviço pago. Com Moro ministro, o Brasil passa a ser a primeira “democracia” do mundo em que o responsável pela justiça é subordinado a alguém que elogia sevícias, choques elétricos e o pau de arara contra opositores, simpatiza com estupros “desde que a mulher não seja feia”, odeia pobres, acha normal “matar 30 mil” e tem como livro de cabeceira as memórias de um dejeto como Brilhante Ustra.

Pode ser que o povo, mantido na ignorância pela ação deliberada das “elites” locais e internacionais, demore um pouco para perceber o tamanho do estrago. Mas não vai demorar muito.

O motivo é simples. A maioria humilde e que representa o Brasil verdadeiro é amante da liberdade e quer saber como sair da miséria a que foi novamente rebaixada desde 2016, do desemprego galopante mascarado de “trabalho informal”, da vigência de regras trabalhistas que recolocam o país no patamar da semi-escravidão e eliminam na prática o direito a uma aposentadoria digna.

Sobre isso, a (...) que pretende assumir os destinos do país nada tem a falar. Procure-se quantas vezes as palavras “povo”, “social”, “emprego”, “casa própria”, “educação”, “trabalhador”, “liberdade” e outras parecidas surgem no discurso de Bolsonaro e seus asseclas. No lugar delas, vai-se encontrar fogo nos pobres, franco-atiradores e milícias legalizadas, armas a granel, perseguição a opositores e combate à corrupção... sob o comando de corruptos de papel passado!

Não há diálogo possível. Nem como esperar até 2022.



Por que Moro será ministro de Bolsonaro?

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