16 de nov de 2018

Hoje, milhões de pessoas ficarão sem médico. Nenhuma é cubana


O povo vai vencer no final, relaxem. O volume de besteiras dessa legião de extremistas é monumental. Eu discordo do Zé Dirceu. Acho que o Bolsonaro não dura. Acho que a base popular dele é frágil. E acho que pensar que isso é “salto-alto” é sofrência-rivotril.

As ondas vão e vêm.

Ao ouvir a música cubana, ontem, no luto pela destruição final do Programa Mais Médicos, fui tomado de uma esperança e tive renovadas as minhas forças de resistência.

Cuba é muito amor. Como o Brasil de Lula e da democracia.

Enseja preocupação, é claro. Cuba sufocou sua elite (foram todos para Miami), o que fez um bem enorme à sua população trabalhadora e a sua sanidade social.

Nós, brasileiros, somos conciliadores. Queremos "ensinar" a classe média limitada a ser gente.

Tarefa hercúlea.

E o que nós assistimos é um poder judiciário parasitado por essa concepção rudimentar de sociedade impregnada na cabecinha minion da playboyzada concurseira.

Eles não suportam o amor e talvez, por isso mesmo, nossa história seja diferente da de Cuba (e vai continuar sendo, ou: não pegaremos em armas para civilizar esses grotões elitistas da população videotizada).

Basta amar e oferecer o amor como elemento desconcertante de luta. Lula fez isso.

Com overdose de democracia, ele venceu a infâmia da nossa elite por 13 longos anos.

O povo trabalhador que se acha classe média, com sua burrice e violência, estancou o processo democrático, uma pena.

Mas, que disse que seria fácil?

A gente constrói de novo.

O ciclo é esse: a esquerda constrói (inclusive a riqueza material e intelectual) e a direita destrói.

A esquerda planta e a direita preda. A esquerda sonha e a direita urra. A esquerda ama e a direita odeia.

A palavra ‘elite’ se tornou pejorativa. A palavra ‘direita’ se tornou anti civilização. A palavra ‘esquerda’ tornou-se sinônimo de democracia. É inexorável e incontornável. É semântico. O massacre truculento que a direita produz no Brasil e no mundo lhe será tóxico linguística e simbolicamente.

Nem sempre foi assim, claro. A esquerda também passou por isso, com deslumbramentos e erros do passado.

Mas quem erra agora é a direta. E assim, caminharemos.

A despedida dos médicos cubanos que deram uma lição de amor e de medicina (a melhor do mundo) ativa essa memória da utopia, necessária, poderosa e revolucionária.

Ela nos faz lembrar que ainda temos brasileiros plenos de amor e de civilidade, prontos para dar uma resposta histórica ao surto de ódio que se alastrou pelo país.

Amar os cubanos, por toda a sua humanidade, nos lembra que é preciso também amar os brasileiros irmãos, aqueles que não se omitiram e nem se esconderam em meio ao ódio purulento de parte da nossa elite.

Somos maioria. Somos 70% do país (avalie-se o resultado eleitoral e a estatística é essa).

Como Cuba, faremos o nosso futuro, mas à nossa maneira: sem armas, mas com ideias poderosas que valem mil obuses.

E dentre todas as luzes que nos inspiram a continuar lutando em todos os sentidos e frentes, fica o meu agradecimento ao povo cubano, o povo mais feliz e orgulhoso das Américas, o povo que ama a si próprio, o povo que ama suas crianças, o povo que ama todas as pessoas do mundo – sentimento que os faz exportar sua excelência médica para todos os confins da civilização e da não civilização.

Hoje, milhões de pessoas ficarão sem médico. Nenhuma é cubana.

Gustavo Conde é linguista, colunista do 247 e apresentador do Programa Pocket Show da Resistência Democrática pela TV 247
Foto: Araquém Alcântara



Primeiros 196 médicos cubanos deixam o Brasil


Depois de três anos de trabalho no Brasil, um grupo de 196 médicos retornou nesta quinta-feira a Cuba, após o anúncio de Havana de sair do programa Mais Médicos devido a críticas do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Segundo a Agência Cubana de Notícias (ACN), os médicos chegaram "felizes por terem cumprido sua missão", mas também "preocupados com a sorte do povo brasileiro com o novo presidente eleito".

Cuba anunciou ontem que iria abandonar o programa brasileiro – do qual participa desde a sua criação, em 2013, através da Organização Pan-Americana de Saúde (OPS) – devido a declarações de Bolsonaro, que anunciou mudanças a partir de 1º de janeiro.

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