23 de nov de 2018

Ex-cotado para Educação, Schelb delatava colegas

Ele
No Xadrez do Golpe na era da hipocrisia, no dia 10/07/2018, narrei um episódio ocorrido no Ministério Público Federal nos anos 90, que praticamente marcou a estreia do jogo de procuradores com a mídia.

No episódio em questão, dois procuradores resolveram denunciar uma colega – vista por eles, na época, como muito conservadora. Eles passaram denúncias para o Correio Braziliense, sem nenhuma comprovação. Depois, com base na denúncia publicada, entraram com uma representação contra a subprocuradora Delza Curvello.

Lá, o retrato antecipado das transformações pelas quais passou o MPF.

Um dos procuradores, em questão, era Guilherme Schelb, cotado para o Ministério da Educação de Jair Bolsonaro. Junto com dois colegas, disparavam denúncias a torto e a direito. Chegaram até a conversar com o rei dos dossiês da época, Antônio Carlos Magalhães.

Tempos depois, Schelb se queimou quando flagrado pedindo contribuições de empresários para um site que montou com o objetivo de difundir temas de fundamentalismo religioso e morais.

Na época, em 9 de agosto de 2.000, recebi o e-mail abaixo da subprocuradora Delza, que divulguei em minha coluna na Folha

"Prezado Luís,

(...) "É certo que o Ministério Público não se resume às pessoas contra as quais representei.

"A turma é grande e boa, mas está amedrontada - tanto quanto eu - diante da cobertura que essas ações temerárias vêm recebendo da mídia, colocando-os como "os salvadores da pátria" (como se nós outros - que não nos utilizamos da mesma "metodologia" por eles utilizada - fôssemos os "traidores").

"(...) Creio que ambos - imprensa e Ministério Público - necessitam se sentar e se repensar, pois são duas forças que, juntas, poderão, se assim desejarem, levar uma nação ao caos.

"(...) Peço que você e a redação desse conceituado jornal façam uma reflexão profunda em torno do papel da imprensa na formação da opinião pública, não permitindo que ela seja manipulada, que seja um instrumento contra o indivíduo e em consequência contra a própria sociedade.

"Tenho pensado muito sobre minha instituição - e sei que, da forma como ela vem se comportando em face do indivíduo, ela está muito mal.

"Fique certo, Luís, que aqui fora não está nada fácil sobreviver.

Luís Nassif
No GGN

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