1 de nov de 2018

Eleitores do Bolsonaro, não venham para Portugal


Gostaria de deixar claro que cada um tem seu direito de ir e vir. Faça o que sua cabeça mandar. Mas se votou no Bolsonaro e quer morar em Portugal é melhor “já ir” mudando de ideia. O país europeu é um protótipo de tudo que o próximo presidente do Brasil luta contra.

Em primeiro lugar, precisamos falar da Geringonça. O nome é exatamente o que sugere, uma miscelânea. Mas isso na política. O governo é formado por partidos de ideologia tão diferente que ganhou esse apelido. O primeiro-ministro é do partido socialista, de centro-esquerda. Para efeitos de comparação é o PT. Outros três partidos formam a base, todos considerados de extrema-esquerda, são o Partido Comunista Português (PCP), o Bloco de Esquerda e o partido Os Verdes. É como se fosse o PSOL, PCB e PSTU.

Podemos sair um pouco do jogo político e ir para a área de saúde. Se uma mulher ficar grávida em Portugal ela tem todos os exames pagos pelo governo. Até aí, nenhuma grande diferença porque o Brasil tem o Sistema Único de Saúde, que provém a saúde por meio dos impostos. Não é preciso pagar. Mas assim que você vai ao centro médico em Portugal, o médico, sem papas na língua, pergunta se você quer continuar a gravidez. Sim, o aborto é legal no país-irmão.

Portugal é bem mais do que lindos castelos, paisagens deslumbrantes. Na parte dos projetos sociais, existem, entre outros, o abono de família, o pré-natal e para famílias com um só pai  —  aquelas que o general Mourão disse que era antro de delinquentes.

Tem um lado que Bolsonarianos e Portugal se aproximam: as privatizações. Mas o resultado é bem diferente do que se possa imaginar. Na terra de Fernando Pessoa, a EDP, empresa de energia, é chinesa. As redes energéticas (Ren) é francesa. Os hospitais da Caixa Geral de Depósito são brasileiros, os correios (CTT) tem uma parte de americanos, outra de franceses, suíços, irlandeses. E uma coisa eles têm em comum: um monte de reclamações.

Outro ponto importante do plano de governo Bolsonaro é a política de segurança. O presidenciável do PSL defende o armamento da população para auto-defesa. Além disso, a ideia é combater o tráfico de drogas com repressão aos traficantes e aos usuários, independentemente da quantidade que portem. No país onde Cristiano Ronaldo nasceu é diferente e é raro ver até policiais usando armas. Em 10 anos, a Polícia de Segurança Pública e a Guarda Nacional Republicana mataram 31 pessoas. Em 2017, a polícia brasileira matou 5012 pessoas. Portugal precisaria de 132 anos para chegar a esse número, claro que vale ressaltar que o Brasil tem uma população de 200 milhões e os europeus 12 milhões.

Em solo português, a aquisição, a posse e o consumo de drogas deixou de ser considerado crime em 2001. O consumo foi descriminalizado, mas não despenalizado. No centro de Lisboa, pessoas são abordadas o tempo todo por vendedores de cocaína, maconha e haxixe, mas cuidado. A polícia adverte que a maconha pode ser louro prensado e não quer ver os turistas sendo enganados, por isso faz campanha contra... a trapaça.

Por último e longe de ser menos importante é preciso falar do 25 de abril. A data marca o fim da ditadura militar em Portugal. É celebrado de todas as formas possíveis: corridas, exposições, concertos. Mas uma é especial. Uma parada que nada tem de militar. Tanques servem para a brincadeira das crianças, os cravos para simbolizar a resistência e os protestos  —  um a seguir do outro  — para mostrar a liberdade de expressão. Não por acaso, a parada é feita na Avenida da Liberdade.

Por isso, eleitores do Bolsonaro, vocês até serão bem-vindos, apesar dos portugueses estarem horrorizados com a escolha de vocês. Porém, para morar, talvez seja melhor procurar o sisudo Trump, já que o presidente português Marcelo Rebelo de Sousa não vai parar seu diário mergulho no mar de Cascais para expulsar supostos comunistas.

Rodrigo Stafford

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