15 de nov de 2018

Diplomatas reagem mal à indicação de Araújo ao Itamaraty

A reação de diplomatas que atuam no Itamaraty foi a pior possível à indicação de Ernesto Araújo como novo ministro das Relações Exteriores, com alguns deles avaliando que houve uma quebra de hierarquia e um desrespeito à instituição, disseram fontes ouvidas pela Reuters.


Promovido a ministro de primeira classe — o nome técnico do topo da carreira, o chamado embaixador — apenas no primeiro semestre deste ano, Araújo é considerado um diplomata excessivamente júnior para o cargo, no que foi visto como uma quebra de hierarquia sem precedentes no Itamaraty.

“É como se o presidente eleito tivesse indicado um general três estrelas para comandar a Defesa ou o Estado-Maior das Forças Armadas”, comparou uma fonte com conhecimento interno do Itamaraty, lembrando que, como militar, Jair Bolsonaro jamais cometeria um erro desses.

“Nunca um chefe de departamento, um cargo de terceiro escalão, foi alçado a chanceler”, disse uma segunda fonte. “É uma pessoa de perfil bem baixo. É de se questionar que tipo de liderança ele poderá ter.”

O nome de Araújo, de 51 anos, chegou a surgir como possível chanceler ainda durante a campanha, depois de vir à tona que o diplomata — hoje chefe do Departamento de Estados Unidos e Canadá, um cargo de terceiro escalão no Itamaraty — criou um blog em que fazia campanha aberta para Bolsonaro. Antes disso, Araújo não tinha relação com o presidente eleito, mas por suas manifestações se aproximou dos filhos de Bolsonaro.

Parte da equipe do presidente eleito, especialmente o futuro ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general da reserva do Exército Augusto Heleno, e o vice-presidente eleito, general da reserva Hamilton Mourão, defendiam outros nomes. O embaixador aposentado José Alfredo Graça Lima era o preferido de Heleno, enquanto Mourão apontou publicamente o secretário-geral do Itamaraty, Marcos Galvão, como uma alternativa.

Acabou vencendo, no entanto, a postura ideológica de Araújo, apesar de Bolsonaro bater constantemente na tecla que quer uma política externa sem “viés ideológico”.

Diplomatas ouvidos pela Reuters apontam as manifestações do futuro chanceler como um dos principais problemas no comando da instituição, para além do óbvio fato de que, recém-promovido, sem nunca ter chefiado uma embaixada no exterior ou ter tido um cargo de relevância na estrutura diplomática, Araújo não teria a necessária experiência para o cargo.

“Araújo fez a fama dele junto à equipe do Bolsonaro em cima de um artigo de política externa extremamente controverso, em que ele faz uma defesa apaixonada do presidente norte-americano, Donald Trump. Que capacidade de ação terá a diplomacia brasileira com ele à frente?”, disse uma das fontes. “Aos olhos do mundo, a política externa brasileira passará a ser comandada por um discípulo do trumpismo.”

Uma outra fonte, apesar de menos incisiva, vai na mesma linha.

“Ele deixa o Itamaraty refém de uma doutrina que acaba sendo um pouco apaixonada demais para os nosso padrão. Há um discurso de alinhamento automático (com os Estados Unidos) contrário à nossa tradição e aos nossos interesses”, explicou.

Em seus textos no blog, Araújo criticava a esquerda e chegou a fazer um “poema” em que chamava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “poste” do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Também chamava o PT de Partido Terrorista e dizia que lutar contra um governo petista seria “lutar contra o mal”.

Em um artigo de 27 páginas publicado na revista Cadernos de Política Externa, da Fundação Alexandre Gusmão do Itamaraty, Araújo faz uma longa defesa de Trump. Para o futuro chanceler, o presidente dos EUA salva a civilização ocidental do “islamismo radical” e do “marxismo cultural globalista” e pode salvar o futuro do Ocidente.

O futuro chanceler serviu em Washington com o ex-chanceler Mauro Vieira, e voltou ao Brasil no início do segundo mandato de Dilma Rousseff, quando Vieira foi chamado para assumir o Itamaraty. Trabalhou no gabinete como auxiliar até a saída de Vieira com o impeachment de Dilma. Desde então, assumiu o cargo de chefe do Departamento de Estados Unidos e Canadá — que, apesar do nome, não lida com os temas centrais em relação aos países do Norte, como comércio —, um posto normalmente ocupado por um ministro.

Foi promovido a embaixador no primeiro semestre deste ano, mas continuou no mesmo posto por falta de vagas em cargos para embaixador.

Em breve declaração em Brasília, após ter sido anunciado por Bolsonaro como futuro chanceler, Araújo disse que o Brasil vive “um momento extraordinário” com a eleição do capitão da reserva do Exército ao Palácio do Planalto.

“Antes de tudo, (principal linha de trabalho é) garantir que esse momento extraordinário que o Brasil está vivendo com a eleição do presidente Bolsonaro se traduza dentro do Itamaraty. Uma política efetiva, uma política em função do interesse nacional, uma política de um Brasil atuante, de um Brasil feliz, de um Brasil próspero”, disse o futuro chanceler.



Novo chanceler, Ernesto Araújo foi indicado por Olavo de Carvalho


O novo chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, 51, foi uma indicação pessoal do escritor Olavo de Carvalho, pensador conservador que é um dos gurus do bolsonarismo.

Olavo, que vive nos Estados Unidos e tem milhares de seguidores na internet, recomendou em suas redes sociais o artigo “Trump e o Ocidente”, que Araújo escreveu para a revista de Política Externa do Itamaraty no segundo semestre de 2017.

No artigo, o diplomata celebra o “pan-nacionalismo” do presidente americano, Donald Trump, que compara a Ronald Reagan e Winston Churchill. E prega um resgate aos valores fundamentais do Ocidente, com a revalorização da pátria, da família e de Deus, contra o chamado “globalismo”.

“Sim, vivemos em um mundo onde falar dos heróis, dos ancestrais, da alma e da nação, da família e de Deus é, para grande parte da ideologia dominante, uma indicação de comportamento fascista”, escreve Araújo. “O problema estará com Trump ou estará com essa ideologia contra a qual ele se insurge? Os capangas de Stálin, os de Mao Tsé-Tung e os de Pol Pot também chamavam tudo de fascista.”

Em nota divulgada nesta quarta-feira (14), o futuro chanceler celebrou o presidente eleito, Jair Bolsonaro. “Bolsonaro com amor e com coragem! - Este é o lema do candidato em quem sempre acreditei, junto com milhões de brasileiros”. E acrescenta: “A mão firme do presidente Bolsonaro nos guiará”.

Na nota, ele diz que irá proclamar “Itamaraty com amor e com coragem. Amor pelo Brasil. Amor infinito por esta nação gigante. Amor a Deus, para aqueles que creem”.

O artigo na revista do Itamaraty foi também a ponte entre Araújo e Filipe Martins, secretário de assuntos internacionais do PSL, que viajará com Eduardo Bolsonaro para Washington no dia 27 de novembro.

Martins enviou o artigo de Araújo a várias pessoas do entorno do presidente eleito, e elogiou-o no Twitter como melhor escolha para chanceler.

A nomeação de Araújo foi uma vitória de Eduardo e da ala que pregava uma escolha mais heterodoxa e mais jovem para o ministério.

Martins chegou a dizer em rede social que era “necessário recorrer a um repertório de quadros e ideias que estejam fora do establishment e ignorar a aprovação da mídia para evitar a continuidade de uma política externa terceiro-mundista e sem traços distintivamente brasileiros”.

“Um embaixador jovem, mas com 29 anos de experiência e com grande capacidade intelectual, além de uma grande identificação com os valores e os princípios do presidente, parece uma excelente escolha e uma ótima forma de renovar o Itamaraty, que, nos últimos anos se tornou uma espécie de representação da ONU no Brasil em vez de uma representação do Brasil junto à ONU e ao mundo”, disse Martins à Folha.

No artigo escrito para a revista, o futuro chanceler desenvolve algumas das ideias nacionalistas que pautam o bolsonarismo.

“Não por acaso o marxismo cultural globalista dos dias atuais promove ao mesmo tempo a diluição do gênero e a diluição do sentimento nacional: querem um mundo de pessoas ‘de gênero fluido’ e cosmopolitas sem pátria, negando o fato biológico do nascimento de cada pessoa em determinado gênero e em determinada comunidade histórica”, diz.

Araújo recomenda a leitura de René Guénon, “importante influência de Steve Bannon, ex-estrategista-chefe da Casa Branca e ainda central no movimento que levou Trump à Presidência”, que acreditava que “somente o cristianismo, e especificamente o catolicismo” poderia salvar o Ocidente. Araújo é católico praticante. E volta ao tema ao dizer que “somente um Deus poderia ainda salvar o Ocidente, um Deus operando pela nação”.

O diplomata serviu entre 2010 e 2015 na Embaixada do Brasil em Washington e atualmente tinha o cargo de diretor do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos.

Sua experiência nos Estados Unidos é considerada essencial para a política externa de Bolsonaro, que deve ser muito afinada com o governo de Donald Trump.

Espera-se alinhamento em votações relacionadas a Israel, por exemplo, e uma ênfase na integração comercial com os EUA. Também deve haver menos foco em políticas identitárias e defesa de minorias em foros multilaterais.

Antes dos EUA, Araújo serviu no Canadá, na Alemanha e na Bélgica. É ávido leitor de obras sobre história militar e fã de futebol americano. Gaúcho muito reservado, é considerado bastante afável.

É casado, tem uma filha de 12 anos e dois enteados.

Patrícia Campos Mello
No fAlha



Mello Franco lembra que novo chanceler é contra China, maior parceria do Brasil

Em artigo publicado nesta quinta-feira, o jornalista Bernardo Mello Franco aponta aspectos do pensamento rudimentar do futuro chanceler Ernesto Araújo, que exalta Trump, bajula Bolsonaro e coloca em risco a relação do Brasil com a China, destino de 27% das exportações brasileiras. Abaixo, alguns trechos:

O futuro chanceler também ecoa Bolsonaro na pregação contra a China, maior parceira comercial do Brasil. Ele sugere que é preciso resistir à "China maoísta que dominará o mundo". O discurso parece levemente fora de época. A potência asiática começou a abandonar o maoísmo em 1978, com as reformas de Deng Xiaoping.

Em outro post, o embaixador que nunca chefiou uma embaixada repete clichês da direita hidrófoba. Diz que o socialismo "perverte o milagre da concepção com a ideologia do aborto, perverte o sexo com a ideologia de gênero e o feminismo" e "perverte a fé cristã".

O anti-intelectualismo também desponta nos textos de Araújo. Para ele, "o povo é muito mais são e sábio do que a classe instruída". As crianças brasileiras receberiam uma "educação cínica e anti-patriótica onde [sic] se ensina uma história sem heróis e onde professores sub-marxistas tentam criar pequenos militantes".

Num artigo mais extenso, publicado em 2017 na revista "Cadernos de Política Exterior", o diplomata ostenta admiração por Donald Trump. Compara o presidente americano a Reagan e Churchill e sustenta, sem ironia, que ele pode "salvar o Ocidente". Ao que tudo indica, o Itamaraty está prestes a entrar num novo período de alinhamento automático à Casa Branca.



Miriam Leitão: futuro chanceler custará caro à economia e tem ideias constrangedoras

"O embaixador Ernesto Araújo como ministro das Relações Exteriores, por tudo o que disse até agora em seu blog de ativista, indica que o governo escolheu um alinhamento entusiástico a Donald Trump e isso tem um custo econômico", diz a jornalista Miriam Leitão, em artigo publicado nesta quinta-feira. Ela lembra ainda que "os artigos que postou no blog dele têm ideias definidas pelos seus colegas como 'exóticas' e 'constrangedoras'”.

"Na vida real, os Estados Unidos estão num dos piores momentos de sua política externa, com conflitos com vários aliados e em muitas frentes, uma diplomacia de ofensas e brigas. Os EUA com o tamanho que têm podem errar. Um país como o Brasil não poderia. O risco é o de comprar as brigas americanas, sem o poder de barganha que eles têm, perder mercados e se isolar", afirma Miriam. "Não é natural também que, num local tão disciplinado como o Itamaraty, um diplomata tenha um blog de militância política partidária."

"O caminho que ele tentará influenciar o governo, se presume dos textos, é o de ser caudatário dos Estados Unidos. Isso aconteceu algumas vezes no Brasil, como no período de Eurico Gaspar Dutra", pontua ainda a jornalista, numa referência ao pior governo da história do Brasil, que queimou as reservas acumuladas pelo País durante a Segunda Guerra, comprando quinquilharias norte-americanas.

Nesta nomeação, houve também outro fato inusitado. Parte do processo de triagem de ministros foi feita pelos filhos do presidente eleito. Não é normal do ponto de vista institucional que isso seja delegado a pessoas por seus laços familiares com o presidente", diz Miriam.



Como os bolsominions, futuro chanceler diz que nazismo é ideologia de esquerda

Escolhido pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para o Ministério das Relações Exteriores, o futuro chanceler Ernesto Araújo segui o coro entoado pelos defensores da extrema direita e defendeu, em um artigo enviado ao ex-capitão, que o nazismo é uma ideologia de "esquerda". "O que não é verdade", destaca o colunista Lauro Jardim, de O Globo.

No artigo intitulado "Trump e Ocidente", Araújo destaca que "na crise espiritual dos anos 20, tomou forma um movimento que pioraria ainda mais a situação para o lado nacionalismo: o socialismo se dividiu em duas correntes, uma que permaneceu antinacionalista; e outra que, para chegar ao poder, na Itália e na Alemanha, sequestrou o nacionalismo, deturpou e escravizou o sentimento nacional genuíno para seus fins malévolos, gerando o fascismo e o nazismo (nazismo = nacional socialismo, ou seja, o socialismo nacionalista)".

"A partir da experiência nazifascista e dessa contaminação do sentimento nacional autêntico pelo movimento revolucionário socialista, o nacionalismo tornou se praticamente inviável no Ocidente, ou pelo menos na Europa, inclusive porque, após a II Guerra, a gigantesca máquina de propaganda marxista conseguiu apagar qualquer traço do caráter essencialmente socialista do fascismo e do nazismo, colocando sobre o nacionalismo toda a culpa pela catástrofe", completa o futuro chanceler em seu artigo.



Além de criar crise com Cuba, Bolsonaro faz escolha ruim para Itamaraty

https://www.blogdokennedy.com.br/alem-de-criar-crise-com-cuba-bolsonaro-faz-escolha-ruim-para-itamaraty/
Para novo ministro, só Trump pode salvar Ocidente

Foi muito negativa a reação interna no Itamaraty à escolha de Ernesto Araújo para o comando do Ministério das Relações Exteriores no governo Bolsonaro. Levando em conta as opções internas que tinha, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, ficou com a pior.

Diretor do Departamento dos Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos, Ernesto Araújo defende alinhamento automático com os Estados Unidos e já escreveu em artigo para revista diplomática que “somente Trump pode ainda salvar o Ocidente”.

Araújo ascendeu ao posto de ministro de 1ª classe recentemente. Nunca teve posição de comando de embaixada no exterior. Segundo diplomatas experientes, há perplexidade no Itamaraty com uma escolha tão ideológica e pouco técnica. O futuro ministro é considerado “júnior” para a tarefa que assumirá.

O uso do verbo regenerar para comunicar a indicação também causou surpresa no corpo diplomático. Ninguém sabe o que significará a “regeneração” da política externa anunciada por Bolsonaro num tuíte.

As ideias de Araújo eram pouco conhecidas no Itamaraty até que ele fizesse neste ano manifestações políticas a favor de Bolsonaro, chamando o PT de “Partido Terrorista”.

Segundo seus escritos, o futuro ministro mistura “geopolítica” com “teopolítica”. Acredita que o mundo ocidental está ameaçado pelo domínio do que chama de “marxismo cultural globalista”, pensamento que diluiria “gênero” e “sentimento nacional”. Parece má filosofia ou má teoria política.

Uma área tão delicada não pode ser tratada com tamanho amadorismo. O governo Bolsonaro nem começou, mas já criou arestas com Argentina, China, países árabes, Noruega e Cuba.

O alinhamento automático com os Estados Unidos é arriscado para o Brasil, que não tem o mesmo peso geopolítico que a maior máquina econômica e militar do planeta possui para comprar brigas na arena internacional.

Dois tuítes e um problemão

Em duas postagens no Twitter, estabelecendo condições para manter cubanos no programa “Mais Médicos”, Bolsonaro obteve uma dura reação de Havana. Cuba disse que não atenderá aos requisitos do futuro governo brasileiro para continuar o programa: pagamento integral aos médicos do país caribenho.

A participação cubana de quase 50% no programa “Mais Médicos” é feita pela OPAS (Organização Panamericana de Saúde) por meio de convênio no qual um quarto do pagamento vai para os profissionais e dois terços ficam com Havana. Esse acordo foi mantido no governo Temer, que tem críticas a Cuba.

Bolsonaro criou um problema que vai penalizar os mais carentes no Brasil. Os médicos cubanos normalmente vão para cidades no interior do país, mais pobres e frequentemente do Norte e Nordeste. Parte dos médicos brasileiros não gosta de trabalhar nessas localidades.

Quando se invoca ideologia, há uma via de mão dupla. O Brasil poderá se afastar de alguns países, mas algumas nações também poderão se distanciar da futura administração Bolsonaro.



O novo chanceler: é uma catástrofe

O chanceler que representará o Brasil a partir de 2019 NÃO acredita em mudança climática. Como se fosse uma questão de acreditar ou não acreditar, como ET de Varginha e Mula Sem Cabeça. Quando os mas respeitados cientistas do mundo na área do clima alertam que temos 12 anos para promover ações para impedir que o aquecimento global supere os 1,5 graus Celsius, quando milhões de pessoas já são atingidas pelos efeitos da mudança climática, quando o Ártico degela... é um homem com estas ideias que teremos para representar o Brasil no mundo.

Como os bolsocrentes transformam tudo em ideologia -parte por estratégia, parte por ignorância -, o ministro de Relações Exteriores de Bolsonaro acredita que mudança climática é uma ideologia. (!!!)

É muita vergonha. Mas a vergonha é superável. O problema é o que isso significará para o Brasil num governo Bolsonaro. E para a Amazônia.
A maioria (porque a maioria não votou em Bolsonaro) sabe que está ferrada. Mas cada dia a gente percebe que está muito, mas muito mais ferrada do que sequer poderia imaginar. A escolha de alguém com esta mentalidade num momento crítico para a vida no planeta é uma catástrofe. Mesmo.

Obrigada por chamar a atenção para este tema, Ana Paula Dutra Aguiar.

Vejam o que Ernesto Araújo escreveu no seu blog, sob o título "Sequestrar e perverter", e comprovem por si mesmos o tamanho do nosso abismo:

"A tática da esquerda consiste essencialmente no seguinte: sequestrar causas legítimas e conceitos nobres e pervertê-los para servir ao seu projeto político de dominação total.

A causa ambiental é um bom exemplo. Quem pode ser contra a preservação da natureza e a utilização responsável de seus recursos? A causa ambiental foi lançada pelos escritores românticos do final do Século XVIII e começo do Sécuo XIX, um movimento conservador por excelência, surgido em reação à irrupção da esquerda no mundo sob a forma Revolução Francesa, cuja proposta era destruir a natureza – começando pela natureza humana. Ao longo do tempo, entretanto, a esquerda sequestrou a causa ambiental e a perverteu até chegar ao paroxismo, nos últimos 20 anos, com a ideologia da mudança climática, o climatismo. O climatismo juntou alguns dados que sugeriam uma correlação do aumento de temperaturas com o aumento da concentração de CO2 na atmosfera, ignorou dados que sugeriam o contrário, e criou um dogma “científico” que ninguém mais pode contestar sob pena de ser excomungado da boa sociedade – exatamente o contrário do espírito científico.

Esse dogma vem servindo para justificar o aumento do poder regulador dos Estados sobre a economia e o poder das instituições internacionais sobre os Estados nacionais e suas populações, bem como para sufocar o crescimento econômico nos países capitalistas democráticos e favorecer o crescimento da China. (Parte importante do projeto globalista é transferir poder econômico do Ocidente para o regime chinês; parte fundamental do projeto de Trump é interromper esse processo, o que já está ocorrendo.) O climatismo é basicamente uma tática globalista de instilar o medo para obter mais poder. O climatismo diz: “Você aí, você vai destruir o planeta. Sua única opção é me entregar tudo, me entregar a condução de sua vida e do seu pensamento, sua liberdade e seus direitos indivuduais. Eu direi se você pode andar de carro, se você pode acender a luz, se você pode ter filhos, em quem você pode votar, o que pode ser ensinado nas escolas. Somente assim salvaremos o planeta. Se você vier com questionamentos, com dados diferentes dos dados oficiais que eu controlo, eu te chamarei de climate denier e te jogarei na masmorra intelectual. Valeu?”

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.