29 de nov de 2018

“Continência” de Bolsonaro não foi a Bolton, foi a Trump


Quem conhece um pouco das práticas militares, sabe que não se presta continência a uma pessoa, mas a um cargo, uma patente ou a um uniforme. Ou a um símbolo, como a bandeira.

E que ela parte sempre do menos graduado para o mais graduado.

Os 30 anos de afastamento do Exército certamente não fizeram Jair Bolsonaro esquecer estas regras ao prestar  continência ao assessor de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton. Que, por sinal, não é militar, mas diplomata.

Bolsonaro, ademais, entende tudo de simbologia de propaganda, tanto que criou, usou e abusou do gesto da “arminha” com as mãos durante e até depois da campanha. A foto do hospital, então, é um achado para o “mártir do combate”.

Conta que o gesto seja visto, entre divertido e significativo, como um aceno que Bolton levará ao chefe Trump, que talvez tenha ainda apenas na conta de “folclórico”, na mesma categoria de Rodrigo Duterte, nas Filipinas, com suas ideias sobre extermínio.

Tudo está em linha com o que escrevi no primeiro post de hoje e nada é fruto de tolice ou acaso, embora o seja de uma estupidez primária.

Se Bolsonaro espera ser erguido à condição de delegado dos EUA na América do Sul e que isso vá graduá-lo diante do mundo, receberá o inverso: em matéria de prestígio, pode tornar-se uma Filipina austral.

Ou nem isso porque, como ficou evidente na 2ª Guerra, as mais de 7 mil ilhas do arquipélago filipino ficam a algumas centenas de quilômetros dos centros de poder asiáticos, antes o Japão e agora a China.

Portanto, nem é preciso um general, feito Douglas MacArthur. Basta um Bolton. Ou nem isso.

Fernando Brito
No Tijolaço


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