14 de nov de 2018

Apoio local e global à fraude eleitoral garantiu um governo de ocupação no Brasil

Sistema aposta que as pessoas têm preguiça de ler, preferem ir ao sabor da onda. Se aperfeiçoou a ponto de conseguir formar um governo fascista pelo voto

A eleição de 2018 foi a maior fraude jamais havida contra o povo brasileiro. Manchete do vetusto Times, de Londres, diz que Jair Bolsonaro promete emprego para o juiz que prendeu seu rival (Jair Bolsonaro promises sênior job to judge who jailed his rival). Já não é promessa, é fato desde quarta-feira, 31 de outubro, cinco dias depois de conhecido o resultado do pleito.

O juiz Sérgio Moro, da Vara Federal de Curitiba, que conduz a Operação Lava Jato e mantém o ex-presidente Lula da Silva preso, surpreendeu magistrados e advogados que expressaram indignação através de suas associações. Um deles, Miguel Reale Jr., tucano da direita reacionária, autor do pedido de impedimento da presidenta Dilma, manifestou sua surpresa divulgada pelos jornais: 

“Era uma figura não contaminada. Agora vai perder tempo para justificar que suas decisões não foram políticas, mas fica o tema solto. Desnecessariamente.”

Fica evidente que tudo isso foi uma armação para tirar Lula do pleito. Antes mesmo de ser convidado o juiz já posava de deslumbrado. Seguramente quer o comando dos organismos de repressão afeto(s) ao Ministério da Justiça para prosseguir com seu objetivo de liquidar Lula, o PT e os movimentos sociais.

A eleição de 2018 foi a maior fraude jamais havida contra o povo brasileiro

Há que lembrar que a Operação Lava Jato começou quando, nos Estados Unidos, a NSA (Agência Nacional de Segurança, ligada à Casa Branca e ao Pentágono) entregou a Sergio Moro gravações e documentos obtidos através de escuta telefônica e interceptação de internet da Presidência da República e invasão de computadores da Petrobras.

Além disso, houve na reta final da campanha eleitoral, interferência direta do poder econômico local e externo, despejando dinheiro a fundo perdido, além de comprovada manipulação das redes sociais por especialistas em guerra psicossocial. Paralelamente, quando o Supremo Comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, foi pessoalmente alertar que as Forças Armadas não aceitavam a presença de Lula nas eleições.

Armas de guerra e abuso do poder econômico definiram as eleições

Impressiona como técnicas apuradas de guerra psicossocial e manipulação das redes sociais e outros meios de comunicação na Internet (firehosing) conseguem fazer com que as pessoas tomem como verdade coisas incríveis, tais como, que o ex-candidato do PT Fernando Haddad, quando ministro da Educação, teria distribuído mamadeiras com bico em formato de pênis em creches; ou ainda a distribuição de um suposto kit gay e a tal da ideologia de gênero como sendo coisa de pervertidos contra as boas famílias cristãs. Ficou comprovado o uso de robôs nas redes e no WhatsApp, financiado por empresas (como a loja de departamentos Havan) e plantadores de soja do centro oeste brasileiro.

O resultado é que se está montando, para tomar posse no dia 2 de janeiro de 2019, um típico governo de ocupação. Os militares de mais alta patente coordenaram o conteúdo da campanha e a formação do novo governo em que eles ocupam quase que a metade dos cargos. 

Os cargos civis são ocupados por empresários que certamente contribuíram para a campanha e, na área econômica, pelos Chicago’s Boys, fanáticos adeptos das teorias neoliberais que levaram à ditadura do capital financeiro, ou fanáticos adeptos da teologia da prosperidade que enriquece os pastores neopentecostais, cuja estratégia é a captura do poder para instalar um estado confessional.

E, muita atenção! 

Não se trata de uma mera ocupação por setores autoritários da sociedade e da política brasileira. A realidade é muito mais grave, pois se trata da execução de uma estratégia desenhada por John Bolton, assessor de segurança da Casa Branca. 

Quando soube da vitória de Bolsonaro, o presidente dos EUA, Donald Trump, no seu estilo curto e grosso, enviou mensagem manifestando claramente seu objetivo: military and trade. Aprofundar o acordo de cooperação e instalar bases militares (military); fazer um acordo comercial (trade) como o Nafta, assinado com México e Canadá e aliar-se aos EUA na guerra comercial que está a travar contra a China.

Loucuras e mais loucuras. O que será de nossa soberania?

A mais recente definição e objetivos da estratégia estadunidense foi resumida por John Bolton, o assessor de Segurança Nacional, falando em nome de Trump, em discurso e entrevista na quinta-feira, 1o de novembro de 2018, no Freedom Tower, em Miami, um centro que servia aos cubanos de oposição: 

Os Estados Unidos tomarão ações diretas contra esses três regimes (Cuba, Nicarágua e Venezuela) para defender o estado de direito, a liberdade e a mínima decência humana em nossa região. ... haverá uma nova abordagem a essa troika de tiranias. ... berço sórdido do comunismo no Ocidente.

Contra a troika do mal, pretende opor a troika do bem. Nas palavras do próprio Bolton: Argentina (Macri), Colômbia (Iván Duque ), Brasil (Bolsonaro) e México. Ele mencionou o México, seguramente desconsiderando a eleição de López Obrador.

Lei Antiterrorismo, o novo AI-5 de Temer

A Lei Antiterrorismo, editada no limiar do governo do ilegítimo Temer, vai bem nessa linha de criminalizar qualquer pensamento, qualquer movimento social que se oponha à perpetuação do pensamento único da plutocracia no poder. O Senado ainda tem chance de detê-la, mas parece difícil. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) informa que a oposição conseguiu “garantir uma Audiência Pública para a discussão do tema e para explicar para as pessoas o que está por trás deste interesse do novo governo. Vamos lutar em todas as frente(s) pela autonomia dos movimentos sociais”

Para Maria de Aquino, professora de História da USP, o texto da Lei Antiterrorismo é pior do que o AI-5. A professora disse, em entrevista ao portal da CUT que “criminalizar manifestações e movimentos sociais, como querem os aliados de Bolsonaro, é romper com o Estado democrático”. …”Abriram a Caixa de Pandora, os monstros saíram e será muito difícil colocá-los de volta. Eles estão respaldados pelas urnas, a população escolheu”.

Como duvidar de que esta eleição foi uma fraude?

Por que foi fraude?
  1. Abuso do poder econômico
Como sempre, houve excesso de dinheiro derramado nas campanhas. Em algumas delas dinheiro de todo o mundo. Além de configurar abuso do poder econômico, isso afasta a possibilidade de que entrem na disputa os menos ricos. Se for pobre, nem pensar. Também constitui abuso do poder econômico a atuação das igrejas neopentecostais colocando a rede de rádio Gospel e os pastores milionários para pedir voto para os fiéis. Abuso do poder econômico é ilegal, portanto, se é ilegal, a eleição é fraude. Concorda?
  1. Farsa do marketing político
Uma verdadeira farsa promovida pelo chamado marketing político. Transformaram as eleições em disputa entre grandes agências de publicidade especializadas em criar ilusões para vender produtos. Ninguém ficou conhecendo o programa do candidato eleito. Votou -se como quem compra um detergente: todos são iguais, o que muda é a embalagem e a propaganda. Nesta última eleição, parece que faltou dinheiro para contratar grandes agências. Difícil aceitar, mas aconteceu. Parte considerável dos candidatos se dedicou a xingar uns aos outros, e esqueceram que o eleitor precisava e deveria conhecer seus planos de governo. Alguns candidatos utilizaram todo o tempo que dispunham para atacar os outros. Transformaram os programas numa excrescência. Se a disputa foi uma farsa, a eleição é uma fraude. Concorda?
  1. Ingerência externa no pleito
Isso tem que ser denunciado em organismos internacionais. Houve ingerência direta de serviços de inteligência de potencias bélicas e comerciais orientando a mídia comercial a demonizar tudo o que contraria a ditadura do pensamento único imposta pelo capital financeiro. A mídia desavisada ou voluntariamente, sem noção de pátria e de soberania, gerou desinformação, alienação e ódio entre os semelhantes, levando-os a querer borrar do mapa aqueles que não pensam como a cartilha do neoliberalismo financeiro ou da teologia da prosperidade do neopentecostalismo. 

Os especialistas estrangeiros em utilização em massa dos recursos de comunicação eletrônica receberam fortunas de empresários brasileiros para fazer o estrago que fizeram na campanha com o intenso bombardeio de mentiras, acusações, disseminação de ódio. Empresários, comandantes de forças policiais, públicas e privadas, todos “sugeriram” a seus subordinados a votar do PSL. Essa técnica leva o eleitor a votar por impulso ou medo, ou covarde obediência, não racionalmente pela escolha de um programa. Isto constitui fraude. Concorda?
  1. Esfacelamento da frente democrática
Desfeita a frente democrática que levou à queda da ditadura, à anistia, às eleições diretas e à Constituinte, foram criadas miríades de partidos (35). Duas razões por trás dessa pulverização de legendas. Primeiro, para garantir que não haja uma grande concentração de votos em nenhum dos candidatos num primeiro turno. Com isso, as coisas podem ser rearranjadas no segundo turno para assegurar a hegemonia da plutocracia servil ao capital financeiro. 

Em segundo lugar porque é pra lá de bom negócio fundar um partido. Tem o dinheiro dos fundos Partidário e Eleitoral, dinheiro dos militantes contribuintes e de empresários doadores, além de ser um alto degrau para ascensão social. Serve também para escapar da Justiça. Levantamento feito pelo Estadão revela que “1/3 dos legisladores do Congresso Nacional é acusado de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, estelionato, improbidade administrativa, enriquecimento ilícito, e até de assédio sexual”.

São, segundo o jornal, 160 deputados e 38 senadores pertencentes a 24 partidos. Não bastasse isso, 96 deputados devem R$ 158,4 milhões por sonegação de impostos e têm seus nomes ou de suas  empresas inscritos na Dívida Ativa. Com isso, o sistema assegura sua continuidade. Como não há chance de mudança, é como um jogo de cartas marcadas. Fraude, portanto. Concorda?
  1. Partidos políticos que não são partidos
Essa questão está estreitamente ligada à anterior. Estrito senso, Partidos Políticos deveriam ser partes da sociedade civil organizada em torno de princípios, uma carta programática com a visão de mundo e da realidade nacional, e, mais que tudo, um projeto nacional e um programa de governo. Raras são as legendas que representam o que é indicado pela sigla adotada. 

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), por exemplo, de social democrata tem nada. É o puro neoliberalismo entreguista e oportunista que une os tucanos em torno de um Fernando Henrique Cardoso, um Aécio Neves ou um João Dória. Constata-se como os políticos navegam de um partido para outro movidos apenas por conveniência eleitoral regional ou dinheiro. Como não há partidos e programas (salvo raríssimas exceções, sem chance alguma) a gente vota sem saber, ou sem ter certeza do que o eleito vai fazer com o nosso voto e com o país. Sem dúvida isso constitui uma farsa. Se é farsa, é fraude. Concorda?

Guerra psicossocial

A chamada guerra de 5a geração se utiliza de táticas de guerra psicossocial que os Estados Unidos vêm praticando desde 1945, quando, a partir do término da Segunda Guerra Mundial e numa Europa ocupada, desenvolveram ações culturais. Uma verdadeira guerra comunicacional e psicossocial para ser aceito como produtor de arte, de ciência e de produtos, com objetivo de impor sua hegemonia. O que temos de novidade nisso é o uso das novas tecnologias, estas sim, de 5a geração.

Anteriormente essa técnica foi desenvolvido por Mussolini, na Itália dos anos 1920/30, logo seguida por Hitler 1930-40, usada na ocupação da Europa até o término da 2a Guerra Mundial em 1945. Há farta literatura sobre isso. 

Nas Américas, essa técnica de utilização da comunicação como ferramenta de governo e arma política, foi largamente utilizada por Roosevelt, Haya de la Torre, Getúlio Vargas, Domingos Perón, e posteriormente subutilizadas. 

Na Nossa América, diferente da Europa em que houve um Plano Marshall para reconstrução e (para) impulsionar o desenvolvimento econômico, só tivemos exploração e submissão, em todas as áreas por todos os governos dos EUA.  A arma principal seguia sendo a da ação cultural e psicossocial e, através dos meios massivos de comunicação, impuseram uma cultura de massa anticomunista e de alinhamento com os Estados Unidos.

A Doutrina Monroe (uma só América do Alasca à Patagônia) e seus corolários, como a política do garrote de Roosevelt (big stick), à Junta Interamericana de Defesa e o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (militar), Aliança Para o Progresso de Kennedy e Nixon, o bom-mocismo de Carter, o neoliberalismo financeiro de  Reagan/Thatcher, as bases militares na Colômbia, Peru, Argentina, os Tratados Dilma/Obama, as políticas monetárias e de desenvolvimento impostas pelo FMI, Banco Mundial e outras, e, por fim, a ditadura do pensamento único imposta pelo capital financeiro que se está vivendo globalmente.

Trump e Hitler serviram de modelo

Adotaram e aperfeiçoaram, adaptando à realidade social, as táticas de campanha utilizadas para eleger Trump, e como discurso, a irracionalidade carregada de emoção de Hitler. Houve dinheiro a fundo perdido para os gastos de campanhas propiciados pelo agronegócio, bancos e financeiras e fontes externas.

Houve também um contubérnio entre serviços de inteligência dos Estados Unidos e de Israel com a Abin e o CIE.

Bem antes da eleição, o capitão Jair Bolsonaro já se manifestava como tendo a certeza de que seria vitorioso. Eleito, antes mesmo da posse, o capitão, está se comunicando diretamente com o público através dos meios eletrônicos, em mensagens curtas, tal como Trump, que utiliza o twitter. Sobre o governo e o que está acontecendo falam os ministros e os assessores mais próximos.

O mesmo que fazia Jânio Quadros com seus bilhetinhos escritos à mão na longínqua década de 1950 e, em 1961, já como presidente da República. O presidente que renunciou com intenção de dar um golpe e acabou perdendo o posto pois os militares acharam que o melhor era eles ocuparem o poder. Não conseguiram, o golpe foi frustrado por uma sublevação geral da nação em defesa da legalidade e garantiu a posse constitucional do vice-presidente eleito, João Goulart. Inconformados, os militares se prepararam melhor e em 1o de abril de 1964 tomaram o poder por décadas de arbítrio. 1964 é o marco da captura do Estado pelas corporações transnacionais.

Neoliberalismo em contubérnio com sionistas e neopentecostais

A década de 1980, que se inicia com o Consenso de Washington, veio desembocar na hegemonia do capital financeiro que em pouco tempo conseguiu desalojar forças progressistas e impor uma verdadeira ditadura em que é proibido pensar. Em Nossa América as universidades se deixaram dominar pelo pensamento único das cartilhas econômicas de Chicago e da Áustria. Deixaram de pensar seus países para formar escravos intelectuais a serviço da dominação imperial. Paralelamente, a influências sobre as forças armadas, policiais e de inteligência. Tudo escancarado.

Mas, o sistema aposta em que as pessoas têm preguiça de ler, preferem ir ao sabor da onda do que resistir e defender sua própria cultura e tradição. Se aperfeiçoou a ponto de conseguir formar um governo fascista pelo voto. E com um Congresso em que as bancadas BBBs formam folgada maioria parlamentar: 
  • da Bala (armamentista), 250 legisladores
  • do Boi (agronegócio), 260 legisladores
  • da Bíblia (pentecostais, neopentecostais, protestantes e católicos), mais de 100
  • da Banca (eleitos com dinheiro dos bancos ou banqueiros eleitos)
  • do Bolsonaro (ele sozinho elegeu um montão de parlamentares). O PSL, seu partido, elegeu 52 deputados e 4 senadores. 
O PSDB em frangalhos, boa parte já está aderindo ao PSL. O mesmo ocorre com o PMDB/MDB, pois seu fisiologismo obriga. Dos 30 partidos que elegeram deputados, somente uns cinco ou seis vão compor a oposição, junto com votos isolados de um ou outro partido, dependendo da pauta.

O PT, com 56 deputados; o PSB, com 32; o PDT, com 28; o Psol, com dez e o PCdoB, com nove (PDT, PSB e PCdoB disseram que apoiarão o presidente em alguns casos). Em resumo, a oposição terá, na pior das situações, 250 votos e, na melhor, uns 300 ou pouco mais. Difícil, não é? Terão que exercer o jus esperniandi a todo vapor, com muita energia, convocar a todo o momento audiências públicas e mobilizar a sociedade para a autodefesa.

Perigoso alinhamento com Israel

A cada anúncio do que pretende fazer o presidente eleito tipifica que realmente se trata de um governo de ocupação.

Anunciou que sua primeira viagem será para Chile, EUA e Israel, sendo que para o governo sionista prometeu transferir a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém. Uma vitória, certamente, para os neopentecostais da Igreja Universal, que construiu em São Paulo um Templo de Salomão e sonha em transformar o Brasil em um estado confessional, como o Estado sionista de Bibi Netanyahu, que não escondeu seu júbilo:

"Felicito o meu amigo presidente eleito, Jair Bolsonaro, por sua intenção de transferir a embaixada brasileira para Jerusalém, um passo histórico, correto e emocionante!", escreveu o premiê israelense no Twitter.

Que vantagem pode ter o Brasil com uma atitude como esta, condenada pela maioria dos Estados Membros das Nações Unidas? O que ganhamos com copiar Trump além de patética submissão? O presidente estadunidense foi o primeiro a agredir a ONU quando, em 2017, anunciou que transferiria a embaixada para Jerusalém e foi seguido pela Guatemala e Paraguai — este recuou após a posse do novo presidente —, países com governos derivados de golpes de estados patrocinados pelos Estados Unidos.

Com o país ocupado, a luta é pela libertação nacional

Diálogos do Sul, desde que começou a circular, vem insistindo que o foco principal dos movimentos democráticos e populares deve ser o de organizar uma ampla Frente de Salvação Nacional. 

É disso que se trata desde o golpe de 1o de abril de 1964, com a captura do poder de decisão pelas empresas transnacionais e a submissão da segurança a interesses externos em permanente violação da soberania nacional.

Chegamos ao ponto em que estamos hoje: em que o pensamento único imposto pelo capital financeiro impôs a mais desumana das ditaduras, pois nada é mais desumano do que a sede de lucro do capital especulativo.

Agora é preciso começar tudo de novo. 

O primeiro passo tem de ser o de libertar-se da pior das servidões, que é a servidão intelectual. Lutar para que as escolas, em todos os níveis, sejam templos do saber inquisitivo, capaz de olhar crítica e criativamente a realidade e pensar e planejar o país ideal para as futuras gerações.

Essa percepção de que a luta é de libertação nacional, para que se possa ter um projeto nacional de desenvolvimento com soberania, que tenha o ser humano como primeira prioridade, felizmente está se alastrando e contaminando o tecido social. É preciso que se torne epidêmica e que empolgue a nação. Interessante que um jornal filiado à Globo de espaço a esse tipo de reflexão.

O sociólogo Wanderley Guilherme dos Santos, em entrevista à jornalista Maria Cristina Fernandes, publicada na edição de 29/10/18 do jornal Valor Econômico interpreta o resultado eleitoral como um processo que poderia ser sido detido, não foi por falta de percepção, e conclui que o resultado é um governo de ocupação que estará no poder a partir de 2 de janeiro de 2019. Como livrar-se disso? Só com uma ampla frente apartidária para recuperação da democracia.

Valor: O que é um governo de ocupação?

Wanderley Guilherme: Quando ele estima considerar movimentos de sem-terra como organização terrorista ou diz que os vermelhos ou vão embora ou vão para a cadeia isto é um governo de ocupação que transforma toda a oposição em inimigo. A visão que Bolsonaro transmitiu é que seus opositores são estrangeiros ao Brasil. Não são brasileiros propriamente ditos. São estranhos ao Brasil. É importante entender que um governo de ocupação não é necessariamente fascista. Ele vai usar as leis que existem. Leis que estão no código penal e na Constituição e que podem ser aplicadas de uma forma perfeitamente violentadora daqueles direitos que supúnhamos adquiridos mas que não têm respaldo institucional nas leis do país. A legislação brasileira é extremamente conservadora. E até mesmo Fernando Henrique Cardoso se valeu dela, ao dar início ao seu governo enquadrando uma greve na Petrobras na Lei de Segurança Nacional.

Bolsonaro não precisará fazer mudanças legislativas para reprimir movimentos e opositores?

Não. Basta se considerar um governo de ocupação. Basta ouvir sua concepção de poder. Ele vai ocupar o país. E vai expulsar todos aqueles que gozavam de liberdade, pela benevolência da interpretação das leis por parte dos governos democráticos. Não será necessário violentar a legislação para se exercer um governo de ocupação. Ele vai tratar seus adversários como opositores do país.

O segundo capítulo dessa análise de conjuntura está dedicado a mostrar como foi o uso de poderosas tecnologias de informação e guerra psicossocial que mudou o rumo das eleições e permitiu a captura do poder por uma força de ocupação.

Paulo Cannabrava Filho, Jornalista, editor de Diálogos do Sul. Para melhor entender o processo eleitoral e suas consequências, ler do mesmo autor, A Governabilidade Impossível – Reflexões sobre a Partidocracia Brasileira – Alameda Editorial, 2018.
No Diálogos do Sul

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