29 de nov de 2018

Apertem os cintos. O piloto assumiu!

O que os haitianos acham dos generais brasileiros?

Trata-se de Elio Gaspari e não Geisel... Quá, quá,quá!
O Conversa Afiada publica artigo sereno (sempre!) de seu "colUnista" exclusivo Joaquim Xavier:

Nada contra historiadores. Dependendo dos autores, são úteis para resguardar ensinamentos pretéritos, ajudar a entender o presente e tentar projetar o futuro. O problema é quando se metem a posar de analistas políticos e põem-se a prever o passado, sem esboçar opinião sobre como impedir a degradação em andamento onde pessoas de carne e osso vivem no seu dia a dia.

Estamos repletos daquele tipo de gente nos dias atuais. Esparramam chorumelas sobre os motivos que levaram o Brasil a uma situação como a de hoje e, quase invariavelmente, acrescentam o bordão falsamente salvador de suas próprias biografias: “a história vai mostrar que...” Vamos combinar: quando a história mostrar isso ou aquilo, a maioria de nós estará morta. O mal terá sido feito e nem mesmo esses “experts” em contemplação terá saboreado o erro ou acerto de suas previsões – salvo já ter preenchido seus próprios bolsos enquanto respiravam.

Eu, de minha parte, estou angustiado com os vivos de hoje. É com esses que eu entendo as pessoas sérias, adeptas da civilização e da democracia, deveriam se preocupar.

O Brasil acaba de sair de uma eleição fraudada. O candidato líder disparado nas pesquisas foi trancafiado sem provas nem evidências de crimes. O “vencedor” usou de recursos ilícitos, denunciados até pela mídia oficial, para subir ao Planalto a bordo da minoria de votos. Estes são os fatos. Mas dezenas de analistas historiadores passaram a considerar o escândalo como evento natural da “alternância democrática”.

Quando ocorreu justamente o contrário: a democracia foi estuprada, termo bem a gosto do capitão alucinado, para lançar o Brasil no atraso em todos os quadrantes.

Estamos em plena vigência da militarização plena da vida nacional. Mais um general acaba de ser nomeado responsável pela relação com políticos.

Mais grave: sob comando de fardados que possuem em seu currículo, quando não apologias a safadezas e torturas, fracassos retumbantes mesmo quando em sua missão original com tanques e armas em punho. Olhe-se a lista de generais que passam a ter o comando de fato do país: a maior parte deles andou pelo Haiti, a pretexto de pacificar aquele país e instaurar um panorama civilizado.

Veja-se como está o Haiti agora. A instabilidade, a fome e a violência permanecem a regra. Pergunte-se também ao povo haitiano que lembranças guardam da presença brasileira. Homicídios sem solução, humilhações e desrespeito generalizado a direitos humanos. Para quem não se lembra, um dos brasileiros protagonistas da infame operação haitiana matou-se em 2006 em pleno exercício da missão. Nem ele aguentou. Mais ou menos como acontece nos morros cariocas sitiados pelo Exército.

É com base nesse material “humano” que se pretende dirigir o Brasil.

Detalhe: a população do Haiti é inferior à da cidade de São Paulo. Fácil enxergar o barulho do desastre em gestação. Os agravantes são inúmeros. Incompetentes como militares, esses oficiais são chamados agora a bater continência para um capitão desmoralizado, salvo do xadrez por um voto de minerva de um tribunal militar.

Quem conhece um pouco da rotina verde oliva sabe que, na reserva ou na ativa, um general continua general; um capitãozinho, idem. Só colunistas - colonistas, como se diz aqui nessas paginas irresponsáveis ... - como Élio Geisel são capazes de acreditar que o general Heleno ou o patético Mourão, além dos outros, vão prestar obediência a Bolsonaro.

A anarquia administrativa, no sentido inverso, está instalada desde já. Ainda mais porque o capitão enfeitado de presidente está cercado por uma família que trata o Brasil como capitania hereditária. Fossem luminares, quem sabe o mal fosse disfarçado. Mas não. Trata-se de um grupo de beócios assumidos, incultos por opção e que se deslumbram mundo afora humilhando o Brasil com bonés de chefes de torcida de Donald Trump.

Ah, mas há um núcleo “civil” respeitável, insistem os teclados de aluguel. Respeitável? A área econômica está entregue a uma casta de abutres cuja capivara é no mínimo duvidosa. O pensamento ideológico tem como guru Olavo de Carvalho, um astrólogo baseado nos Estados Unidos capaz de proferir frases elegantes e profundas como estas: “Quanto mais educação sexual, mais putaria nas escolas. No fim, está ensinando criancinha a dar a bunda, chupar pica, espremer peitinho da outra em público" (FSP, 28/11). Como ele mesmo diz, sem ser contraditado, já indicou dois ministros. O da Educação e o novo chanceler.

Os historiadores metidos a analistas que me perdoem. O momento não é de colecionar acontecimentos para preencher o interior de lombadas nas estantes de herdeiros. A hora é de agir e rejeitar sem complacência um desastre que não apenas se anuncia. Já está em curso. Colocando em risco, acima de biografias de acadêmicos e políticos timoratos, a vida de dezenas de milhões de brasileiros.

Joaquim Xavier

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