3 de nov de 2018

A queda do mito Bolsonaro já começou


A trajetória pessoal do futuro presidente do Brasil é bem conhecida. Filho de um dentista prático que morava numa das cidades mais pobres do Estado de São Paulo, Jair Bolsonaro ficou impressionado com a operação militar organizada para caçar Lamarca e seus guerrilheiros no Vale do Ribeira. Muito jovem ele resolveu se tornar militar. 

Jair Bolsonaro conseguiu realizar seu sonho de se tornar oficial. Mas o sonho dele se transformou no pesadelo do Exército, razão pela qual ele foi expulso da corporação em razão de ser insubordinado e planejar atentados terroristas. Admirador da Ditadura Militar, o futuro presidente foi considerado radical e mau militar por Jarbas Passarinho e Ernesto Geisel. 

Bolsonaro fez carreira política abusando de um passado militar idealizado que ele criou para si mesmo. Nos últimos anos, todas as vezes que ele tentou falar em nome dos militares o Exército deixou bem claro que ele não falava em nome da corporação. Mesmo assim, em razão do caminho dele para a presidência ter sido facilitado pelo “golpe com o STF com tudo” e pela injusta condenação e prisão de Lula, Bolsonaro conseguiu o apoio de alguns militares da ativa. Vários generais de pijama saudosistas já estavam com ele.

Sieg Heil Führer Jair Bolsonaro é obsedado por hierarquia social e paradoxalmente age como um anarquista. Capitão, ele nomeou um General para ser vice. Esta semana ele conseguiu rebaixar um membro do Poder Judiciário. Sérgio Moro era Juiz Federal, a partir de janeiro se tornará carcereiro de Lula. Suponho que o novo Ministro da Injustiça ficará surpreso e frustrado quando o Judiciário anular o processo do Triplex que foi utilizado por Sérgio Moro para seguir a trilha aberta para o ex-terrorista mentiroso que ele beneficiou ao tirar Lula da disputa presidencial.

A natureza contraditória do Sieg Heil Führer se torna mais interessante em razão dele ser um alpinista social paranóico cujo ideal político (um retorno desordenado ao passado) contradiz o lema da bandeira do Brasil (ordem e progresso). Bolsonaro odeia os comunistas, mas não poderá romper com a República Popular da China. Se fizer isso ele destruirá o presente e o futuro dos ruralistas que o colocaram no poder. Se não romper com a China ele será chamado de comunista imundo por dezenas de milhões de zumbis que criou ao se tornar presidente com um discurso anti-comunista. 

Além de tratar os petistas como inimigos internos, Bolsonaro já começou a procurar inimigos externos (Venezuela, Palestina, Cuba, Rússia, ONU, etc…). Como Hitler, Sieg Heil Führer Bolsonaro nunca conseguirá conviver ou se livrar de seu verdadeiro inimigo. Refiro-me, obviamente, ao inimigo íntimo, interno, que o novo presidente não conseguiu aceitar nem domesticar. A guerra que Bolsonaro trava consigo mesmo e que projeta no munto à volta dele irá inevitavelmente destruir total ou parcialmente o país que ele supostamente queria salvar. 

A posse do Sieg Heil Führer Bolsonaro não é o início do fim, nem o fim do início. Ela será apenas a pausa indesejada entre o fim de uma Ditadura Militar que nunca foi inteiramente destruída (digo isso pensando especificamente nos principais legados do regime militar: as polícias militares e a mentalidade autoritária dos juízes) e o início de um regime verdadeiramente democrático no Brasil. 

"O desastre de Jair Bolsonaro foi ter sido eleito." Esse será o único verbete ilustrando o nome do Sieg Heil Führer do Reich tupiniquim numa lista de presidentes do Brasil daqui a 200 anos. 

Em 2002 quase toda a imprensa brasileira alardeou que Lula não estava a altura da presidência. Jornalistas como Miriam Leitão nunca conseguiram aceitar o sucesso do “sapo barbudo” ou admitir o erro que cometeram. Nesse momento, algumas empresas de comunicação acreditam que Bolsonaro está a altura do cargo que ganhou cometendo fraudes numa eleição maculada pela fraude criminosa cometida pelo Judiciário para impedir Lula de ser candidato. Somente aqueles que se posicionarem contra o Sieg Heil Führer e suas loucuras neoliberais poderão em breve dizer que não foram responsáveis pela catástrofe.

Quando assumiu a presidência, Lula foi obrigado a romper com o legado catastrófico do governo FHC. Essa é a razão pela qual o vaidoso, envelhecido e envilecido líder tucano nunca conseguiu perdoar o ex-presidente petista. Depois que colocar a faixa presidencial, Bolsonaro se tornará mais e mais prisioneiro do legado positivo de Lula que mais de 100 milhões de brasileiros não conseguem esquecer. 

Um fantasma ronda o Brasil – o fantasma do sucesso de Lula. Desde o primeiro dia Sieg Heil Führer será tentado a comparar o declínio de sua popularidade com a altíssima popularidade de Lula que nem mesmo o cárcere foi capaz de destruir. FHC sempre disse que Lula era um mito. Agora ele terá a oportunidade única de ver aquele que se diz um mito desmanchar enquanto a humanidade e a estatura histórica do ex-presidente petista cresce dentro da prisão em que ele foi confinado.

Lula não foi derrotado na eleição de 2018. Aliás, tenho certeza de que a derrota de Jair Bolsonaro começará no dia da posse dele. O medo não venceu a esperança, pois a verdade é que a esperança nunca poderá ser morta.

Fábio de Oliveira Ribeiro
No GGN

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