3 de nov de 2018

A classe média tradicional e as classes populares neopentecostais se deram o abraço dos afogados


A classe média e médio-alta tradicional votou na extrema-direita em boa quantidade. Votou em uma candidatura que flerta com a homogeneização dos costumes, das posturas e da Fé.

A cada esquina dos bairros de classe média e médio-alta paulistana há um espaço de bem-estar esotérico. Muitos da classe média e médio-alta frequentam centros espíritas.

Bem sabemos da visão individualista e decidida pelo cada um por si dessas duas classes sociais. Da vontade de não ser importunado pelo Estado e de viver uma Vida apartada do comprometimento social com as regras, até com as leis mais básicas. De oferecer uma nota fiscal e de viajar para o exterior e comprar/gastar dentro da cota permitida. De a mulher decidir se quer ou não usar a minissaia mais curta. De ser ou não usuário de drogas. De ser ou não cheio de tatuagens e/ou piercings. De decidir se aborta ou não aborta. E se juntam ao extremismo religioso do Malafaia, do Magno Malta e do Edir Macedo. Do fundamentalismo neopentecostal do LGBT tabu e inadmissível, do homossexualismo como doença. Da Educação Sexual como tabu. Da exposição em um Museu censurada por um homem nu. Da questão de gênero abolida do Sistema Educacional. Da escola com partido: o neopentecostal radical.

Quando se diz que é uma doença social o antipetismo estamos no caminho certo. Nenhuma Luta de Classes prescindiria de liberdade total, de individualismo pleno, a mola propulsora da classe média e médio-alta tradicional, se não fosse doença social.

Disseram não votar no PT porque ele “roubou demais”, “quebrou o Brasil” e que queria implantar esse tal de “comunismo”. E levaram para casa um pacotão de liberdades perdidas. Do medo de professar a Fé espírita e seu esoterismo. Do medo de ser importunado por uma tatuagem, um piercing, uma minissaia, pela maconha que fuma, por não ter um filho indesejado, por andar duas pessoas do mesmo sexo de mãos dadas nas ruas e até se beijando, adotando um filho e, assim, por diante.

Eu vejo que em 2018 o antipetismo foi mais doentio do que a racionalidade anterior, do voto da Luta de Classes. Esta doença associou opostos.

O cristão fundamentalista e o sujeito da liberdade total, que se juntaram à extrema-direita e deram a ela a oportunidade do primeiro se contemplar no conservadorismo dos costumes (fundamentalismo religioso) e o segundo no cada um por si da meritocracia. Ambos perdedores: o primeiro pela pauperização absoluta com a perda de vários direitos sociais com o modelo ultra neoliberal do Governo eleito, o segundo pela liberdade restringida.

Nesta Eleição fundamentalismo religioso das classes populares e a liberdade total das classes média e médio-alta tradicionais se deram o abraço dos afogados se juntando no voto à extrema-direita econômica, moralista e neopentecostal.

E tudo para acabar com o PT. E nessa loucura toda, seis memes comandaram a festa das Fake News.

Do lado do fundamentalismo religioso: kit gay, família tradicional e aborto;

Do lado da liberdade total: o PT “roubou demais”, o PT “quebrou o Brasil”, derrotamos o “comunismo”.

Realmente os opostos se atraem quando a doença social do brasileiro é despertada e todos perdemos juntos.

O PT, que já não é mais Poder faz 30 meses, foi saudado na vitória da extrema-direita: - Fora PT é o que gritaram na janela dos prédios perto de casa em bairro de classe médio-alta. E, pasmem, não se comemora a vitória do candidato que votaram, valia qualquer um que pudesse tirar do Poder o PT, que nem no Poder estava.

Na doença brasileira Temer é PT. - Eu não votei nele! Dizem.

No fracasso da extrema-direita no Poder veremos o mais inusitado fato: vão culpar o PT por terem de ter dado a vitória à extrema-direita, para derrotar o PT que já não é Poder faz 30 meses.

Inacreditável Brasil, um Brasil ilógico e adoentado.

Alexandre Tambelli
No GGN

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