23 de nov de 2018

A cartilha do novo ministro da Educação, o colombiano Vélez, que quer "refundar" o MEC

Em um texto onde revela seu plano para o MEC, Vélez escreveu que pretende "seguir a caminhada patriótica empreendida pelo nosso Presidente"


A nomeação do colombiano Ricardo Vélez Rodriguez como ministro da Educação de Jair Bolsonaro nem bem completou 24 horas, mas sua produção intelectual, alinhada aos ideias do presidente eleito - conservadores nos costumes e intolerantes com pautas atribuídas às esquerdas - já correm pelas redes sociais e pela imprensa, alertando para o que virá: 

Indicado para o cargo por Olavo de Carvalho, Vélez, autor de livros sobre liberalismo e a atual situação política do País, mantém publicações em um blog onde demonstra apreço pela ditadura militar e total repúdio pela "petralhada" e sua obra no governo federal. E como se sua escolha fosse certa, Vélez já havia escrito um texto, em 7 de novembro, indicando que, enquanto ministro, mira na "refundação" o MEC.

A ideia de Vélez é dar corpo ao discurso de Bolsonaro: "Menos Brasília, mais Brasil". Para isso, pretende empoderar as prefeituras, permitindo que cada município crie diretrizes para a educação segundo os costumes locais.

"Enxergo, para o MEC, uma tarefa essencial: recolocar o sistema de ensino básico e fundamental a serviço das pessoas e não como opção burocrática sobranceira aos interesses dos cidadãos, para perpetuar uma casta que se enquistou no poder e que pretendia fazer, das Instituições Republicanas, instrumentos para a sua hegemonia política", anotou.

"Aposto, para o MEC, numa política que retome as sadias propostas dos educadores da geração de Anísio Teixeira, que enxergavam o sistema de ensino básico e fundamental como um serviço a ser oferecido pelos municípios, que iriam, aos poucos, formulando as leis que tornariam exequíveis as funções docentes."

"Essa tarefa de refundação passa por um passo muito simples: enquadrar o MEC no contexto da valorização da educação para a vida e a cidadania a partir dos municípios, que é onde os cidadãos realmente vivem."

Segundo Vélez, "a proliferação de leis e regulamentos sufocou, nas últimas décadas, a vida cidadã, tornando os brasileiros reféns de um sistema de ensino alheio às suas vidas e afinado com a tentativa de impor, à sociedade, uma doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista, travestida de 'revolução cultural gramsciana', com toda a coorte de invenções deletérias em matéria pedagógica como a educação de gênero, a dialética do 'nós contra eles' e uma reescrita da história em função dos interesses dos denominados 'intelectuais orgânicos', destinada a desmontar os valores tradicionais da nossa sociedade, no que tange à preservação da vida, da família, da religião, da cidadania, em soma, do patriotismo."

No mesmo texto, Vélez critica o Exame Nacional do Ensino Médio que, na edição de 2018, abordou temas que incomodaram os eleitores de Bolsonaro. O novo ministro reproduziu o discurso do chefe: "A perpetuação da atual burocracia gramsciana que elaborou, no INEP, as complicadas provas do ENEM, entendidas mais como instrumentos de ideologização do que como meios sensatos para auferir a capacitação dos jovens no sistema de ensino."

No modelo de Vélez, "as instâncias federal e estaduais entrariam simplesmente como variáveis auxiliadoras dos municípios que carecessem de recursos e como coadunadoras das políticas que, efetivadas de baixo para cima, revelariam a feição variada do nosso tecido social no terreno da educação, sem soluções mirabolantes pensadas de cima para baixo, mas com os pés bem fincados na realidade dos conglomerados urbanos onde os cidadãos realmente moram." 

Em outras publicações, o novo ministro disse que o dia 31 de março de 1964, que marca o golpe militar no Brasil, é “uma data para lembrar e comemorar”. “Nos treze anos de desgoverno lulopetista os militantes e líderes do PT e coligados tentaram, por todos os meios, desmoralizar a memória dos nossos militares e do governo por eles instaurado em 64", destacou o Painel da Folha desta sexta (23).

Vélez também fez duras críticas à Comissão da Verdade, "que, a meu ver, consistiu mais numa encenação para ‘omissão da verdade’, foi a iniciativa mais absurda que os petralhas tentaram impor".

Sobre mortes e torturas na ditadura, ele disse apenas que “houve excessos no que tange à  repressão”.



No GGN

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