12 de nov de 2018

A cada entrevista, Moro perde mais um pedaço de sua fantasia e logo está nu


A uma das visitas que recebeu na semana passada, Lula respondeu à perguntado sobre o que tinha achado da indicação de Sergio Moro para o Ministério da Justiça no governo Bolsonaro:

“Não tem surpresa nenhuma. Ele sempre quis fazer política”, disse.

Quando Moro começou a fazer de Lula e do PT alvos de um inquérito da Polícia Federal, Lula comentou com interlocutores:

“Esse juiz ainda vai entrar para a política”, observava.

Era 2014, ano da disputa entre Aécio Neves e Dilma Rousseff, e o inquérito que tomou a direção do PT já corria sob a autoridade de Moro desde 2006.

O alvo inicial era José Janene, deputado federal da região onde nasceu Sergio Moro, no norte do Paraná.

Em 2006, quando a PF grampeou o telefonema entre um advogado e seu cliente, assessor de Janene, havia motivos suficientes para indiciamentos e até denúncias.

Mas Moro deixou correr, mesmo sendo informado de que o telefonema dava conta de o doleiro Aberto Yousseff havia violado o acordo de colaboração celebrado com ele.

Logo depois, um delegado da Polícia Federal, Gérson Machado, o alertou de que Yousseff operava no mercado e havia mentido no acordo de colaboração.

Tinha omitido a existência de um fundo milionário com o qual mantinha suas operações de lavagem de dinheiro.

Moro ignorou o alerta e, um ano depois, Gérson foi afastado da Polícia Federal, em razão de uma junta médica, que apontou desequilíbrio psiquiátrico e recomentou sua aposentadoria

As razões dessa aposentadoria por invalidez nunca ficaram muito claras —é assunto sigiloso —, mas, em 2016, durante o depoimento de Gerson Machado como testemunha num processo da Lava Jato, o episódio quase veio à tona.

O advogado de Alberto Yousseff, incomodado com o testemunho de Machado, fez perguntas muito agressivas e, em uma delas, mencionou problemas mentais do delegado.

Moro proibiu o questionamento, e o advogado foi ousado, ao dizer que o juiz não estava interessado na busca da verdade.

Mais tarde, esse advogado, Antonio Figueiredo Basto, conhecido como o rei das delações na Vara de Moro, foi denunciado por doleiros como achacador.

Segundo Vinícius Claret, o Juca Bala, e Cláudio de Souza, que chegaram a ser presos pela Lava Jato do Rio de Janeiro, Antonio Figueiredo Basto cobrava 50 mil dólares de cada doleiro em troca de proteção na Polícia Federal e no Ministério Público Federal de Curitiba.

Depois da denúncia, Figueiredo Basto saiu de cena, mas antes, claro, negou o esquema, o que era esperado.

Entretanto, ao contrário do que se afirmou na época da denúncia, em maio deste ano, nada foi investigado.

O chefe de Juca Bala e de Cláudio de Souza, Dario Messer, conhecido como o “doleiro dos doleiros”, já tinha tido a prisão decretada, mas, antes que o mandado fosse cumprido, fugiu — no mercado, se diz que estaria vivendo em Israel, país em que tem cidadania.

Detalhe: a prisão não foi pedida por Moro, mas pelo juiz Marcelo Bretas, do Rio de Janeiro.

Dario Messer foi citado na operação Banestado, embrião da Lava Jato, mas nunca foi incomodado pelo titular da 13a. Vara Federal Criminal de Curitiba.

Messer, Yousself, Figueiredo Basto e Janene são esqueletos acumulados por Moro no armário da Justiça Federal em Curitiba.

Ao deixar a Vara, Moro poderá levar muitos dos presentes que recebeu de admiradores — antipetistas militantes —, mas por certo não tocará nesses cadáveres.

O problema é que não estão sepultados e, como acontece no universo dos políticos, são fantasmas que a qualquer momento podem se manifestar.

A partir de janeiro, diga o que disser, Moro não terá mais a toga para exorcizá-los, se tornará, como qualquer um de nós, sujeito à lei que rege a vida dos mortais.

Lula não disse, mas, certamente, sabe que Moro pode ter ido com muita rapidez matar sua sede na fonte do poder.

Vai continuar com a lenga-lenga de que será um ministro técnico, mas já exibe sua face de ministro político, ao blindar futuros companheiros de ministério, como Onyx Lorenzoni, flagrado com 100 mil reais de caixa 2 (qual a diferença entre caixa 2 e propina?) em sua campanha de 2014.

Vão surgir outros episódios como este, e Moro, aos poucos, deixará cair pedaços de sua máscara e de sua fantasia. Até que, um dia, estará totalmente nu.

Joaquim de Carvalho
No DCM

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