4 de out de 2018

Por onde atacar, na reta final


Vejo muita gente, correta e de boa-fé, esperando que os dias finais de campanha de Fernando Haddad sejam de conclamação à formação de uma frente antifascista.

Eu mesmo já acreditei nisso e estava errado.

Até poderiam ser, se os demais agentes políticos não estivessem tão entregues à necessidade de sobrevivência que pudessem prestar atenção a isso e não estivessem, fazendo, como fazem, o vergonhoso discurso do “precisamos nos livrar do extremismo”.

Discurso que tem sido água no moinho do fascismo e zero em crescimento para Ciro, Marina e Alckmin, que o fazem.

Diante da ameaça de implantação de uma ditadura no país, acenam até com uma “venezuelanização” do Brasil  que nunca esteve em pauta aqui?

Quer provas?  No auge de sua popularidade, passando de 80% de aprovação, Lula recusou a hipótese de um terceiro mandato. Nem mesmo sei se estava certo ao fazê-lo, pelo que se passou depois, mas isso foi uma evidente submissão às regras do jogo democrático-institucional.

Mas adianta dizer isso a uma classe média furiosa e irracional, que aceita, em maioria, uma volta à ditadura?

Adianta, subsidiariamente, mas não é o essencial.

O essencial é o eleitor popular, onde ainda há confusão e Haddad ainda está muito abaixo do que Lula tem.

Porque Lula dispensa explicações.

Lula é aumento do salário mínimo, é pleno emprego, é filho na Universidade, é Bolsa-Família, é Escola Técnica, é Luz para Todos, construção civil, é indústria, é poder de compra, é Mais Médicos,  é vida de gente.

E Bolsonaro não é nada.

Na última semana, o movimento da classe média, o do antifascimo, protagonizou a cena.

Se não dá para acreditar que tenha dado resultados negativos, empurrando para cima o fascismo, é plausível que tenha tirado do povão o protagonismo do debate.

É para este que devemos voltar nestes cinco dias decisivos.

Haddad é Lula e Lula o povão sabe o que é.

Fernando Brito
No Tijolaço

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