9 de out de 2018

Para cão que rosna, o remédio é olhar firme e fala grossa!


Bolsonaro não passa de um cão doido, primário, com raciocínio binário de capacidade de processamento que não vai além de um bit. Nem para progredir no oficialato do exército serviu. Um bunda-suja, como dizem seus companheiros de farda. Saiu antes do tempo, porque seu comportamento depunha contra a disciplina e hierarquia da instituição. Pretendeu explodir privadas nos banheiros dos quartéis.

Na vida pública, com mandatos parlamentares sucessivos por mais de quarto de século, notabilizou-se pela grosseria, truculência e falta de escrúpulos no trato com todos, inclusive colegas parlamentares. O rol das barbaridades que saíram de sua boca sem freios é enorme e nem vale desfiá-las aqui. São notórias e o curioso pode vê-las, muitas, em cores, pelo YouTube.

Depois de buscar a solidariedade do público (solidariedade que não divide com ninguém, porque sua egolatria não lhe permite), por ter sido supostamente esfaqueado em Juiz de Fora, mostra, agora, no início do segundo turno das eleições presidenciais, que não aprendeu nada com o episódio. Volta mais prepotente do que nunca, pronto para dar rasteiras em seu adversário. À proposta civilizada de um pacto contra a mentira na campanha, respondeu desbocado, com uma mentira.

Mentir tem sido a linha de conduta de sua campanha, por sinal. O TSE já reiteradamente tem determinado que perfis de gente de sua tropa de choque em redes sociais fossem apagados, por conterem inverdades ofensivas deslavadas. Bolsonaro é o rei do fake-news, eufemismo com que se embeleza o nome da mentira pura e simples. Algumas são ridiculamente forçadas e, não fosse o ódio cego que se espalhou na malta que o adula, seriam incapazes de ludibriar o sujeito mais boçal. Mas ludibriam, porque não se trata, no fascismo disseminado por esse militar aposentado e travestido de político, de algo em que se acredita ou não – o bolsonarismo exige fé de seus adeptos. Fé incondicional. Cria-se, desse modo, um exército de fanáticos dispostos a tudo, até a fazer a apologia de assassinatos e de tortura.

Com fascismo não se brinca. Não é uma ideologia com que estamos lidando. Ideologias são por demais elaboraras para essa horda. O fascismo é uma prática política profundamente desleal, porque não respeita regras e nem adversários. Para cães fascistas, todos que não fazem parte de sua matilha são inimigos, inimigos prontos para serem aniquilados, exterminados, liquidados. Regras da democracia enxergam como fraqueza do “sistema”, que devem ser aproveitadas para lhes permitir a “tomada do poder”. E, uma vez instalados, eliminam as regras que lhes permitiram participar do espaço público, para criar as suas a ferro e fogo, no grito. A primeira regra é de que poder conquistado não se devolve. O revezamento de mandatos não faz parte de seu programa.

Fascistas brincam com medos, fobias e a insegurança de partes da sociedade. Atribuem os males que causam esses sentimentos a uma conspiração ficta de quem elegem ser seus alvos: comunistas, judeus, nordestinos, negros, agricultores sem-terra, petistas ou coisa que os valha. A estigmatização de grupos pelo ódio coletivo cria ambiente de confrontação entre o “nós” e “eles”, onde o “nós” é vendido como o lugar de segurança, blindagem e até aconchego num mundo de inimigos. Esse “nós” é o cerne da mentalidade de bando que caracteriza a cabeça fascista. As soluções para todos os males passa pelo “nós” e é sempre violenta. A apologia das armas letais faz parte do discurso de suas lideranças.

O fascismo não tem apego à democracia. Gosta de líderes totalitários. Alemanha, Itália e Espanha passaram por isso. E pagaram caro, com o sangue a vida de milhares valiosos resistentes. Quem o experimentou, tem amor pela liberdade e pavor pela prática fascista.

A eleição em 28 de outubro é o momento em que teremos que optar entre o fascismo dos cães doidos em torno de Bolsonaro e a democracia que, mesmo cheia de falhas, edifica, porque preza a liberdade e a igualdade de direitos. É optar entre a ditadura dos primários desqualificados e o governo democrático de quem respeita a diversidade.

Não há meias palavras para responder ao fascismo de Bolsonaro. Seu rosnar merece atitude firme, olho no olho, em defesa da constituição resultante de uma constituinte eleita. Constituição que por trinta anos nos permitiu amplamente participar do processo político, num esforço de aprimoramento das instituições. Constituição-cidadã, porque nos garante, a todas e todos, direitos fundamentais a nossa dignidade inerente e nos oferece mecanismos para defendê-los, quando ameaçados.

Com fascista se fala grosso e se lhes aponta o seu lugar numa democracia: fora daqui! Não usem nossas fragilidades para nos ameaçar e amordaçar. Vocês não prevalecerão!

Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça

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