17 de out de 2018

O mundo inteiro grita, mas o gado brasileiro segue feliz para o matadouro


Os jornais franceses, os intelectuais americanos, os roqueiros britânicos e os acadêmicos argentinos concordam: Bolsonaro é um mal a ser evitado. Apesar do alerta uníssono, vindo dos quatro cantos do planeta, o processo eleitoral brasileiro se torna mais dramático a cada nova pesquisa, que indica o fortalecimento do candidato do ódio. É como um pesadelo de que não podemos acordar. Enquanto o mundo clama pela civilidade, a população brasileira, orgulhosa, opta pela violência de um discurso malfadado e caminha rumo ao obscurantismo. A redoma de medo e ignorância que fomenta o mal precisa ser rompida. O brasileiro precisa enxergar o erro que está cometendo, a tempo de evitar o mal maior: sua destruição como sociedade democrática.

Poucas vezes uma ameaça a nível mundial foi tão clara. Bolsonaro conseguiu unir uma lista de críticos que vai do ícone pop Madona ao Papa Francisco, da atriz canadense Ellen Page à Marine Le pen e do clube futebolístico Barcelona ao cineasta Walter Salles. Mas uma parcela enorme da sociedade prefere, de forma aterradora, desacreditar tudo e todos, para, de maneira ufanista e idiota, recitar mentiras inventadas, mal e porcamente, por fanáticos em uma rede de troca de mensagens. É o caminho da ignorância sendo escolhido por uma nação sob o desespero de todas as demais, que lamentam a marcha fúnebre e contínua de nosso gado rumo ao matadouro.

Seguindo um movimento similar da classe média alemã, que abraçou o nazismo na década de 1930, os eleitores brasileiros dão as costas para a razão para admirar um líder popular que representa o ódio. Já é possível ver, a olho nu, o sangue na mão de todo brasileiro que, em campanha voluntária, coloca seus dedos em formato de armas, sorridente nos comícios. É a vitória do mal em uma live do Facebook. O triunfo da barbárie, em HD, direto de seu smartphone.

À resistência, resta resistir. Não se dar por vencido nesse teatro dos absurdos e jogar o jogo no papel que lhe cabe. Tentar nas ruas e nas redes sociais reverter voto a voto e usar o tempo restante de campanha para promover uma colossal e inédita virada rumo à vitória, por mais improvável que ela pareça. Pois, para a maioria de nós, a questão agora é de vida ou morte. A nossa vida, no caso.

Guilherme Coutinho, Jornalista, publicitário e especialista em Direito Público. Autor do blog Nitroglicerina Política

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