2 de out de 2018

O Brasil continua o que sempre foi. Só que pior


Pessoal que está preocupado com a eleição deste ano deve levar em consideração algumas coisas nesta semana decisiva. São algumas observações de quem já passou por incontáveis eleições:

1) O jogo é pesadíssimo, envolve interesses que nós, mortais, nem sonhamos existir;

2) O eleitorado brasileiro é dividido entre 30% de conservadores, 30% de progressistas, e o restante que muda de lado a cada eleição de acordo com seus interesses - econômicos, principalmente;

3) A direita não cresceu tanto quanto se imagina, apesar de todo o esforço feito para desmoralizar, criminalizar e demonizar a esquerda. A maioria da população não sabe o que é esquerda ou direita, é analfabeta politicamente;

4) O viés autoritário, machista, preconceituoso, racista, homofóbico, materialista e intolerante de certa parcela da população sempre existiu no país e apenas veio à tona, desavergonhadamente, com a revolução proporcionada pela internet;

5) Esta é uma eleição que difere das passadas justamente pela explicitação dessa violência latente por parte do candidato nazifascista. Nunca, anteriormente, um candidato se mostrou tão adepto das práticas antidemocráticas.

6) A direita "civilizada" não existe mais no Brasil, não tem lideranças nacionais, perdeu completamente o prumo quando resolveu promover o golpe que afastou Dilma Rousseff da presidência;

7) O papel da imprensa nesta eleição não mudou: ela continua a serviço de seus interesses, ou seja, dos interesses da turma do dinheiro, da classe dominante que não aceita sequer um governo social-democrata. A imprensa brasileira é uma imensa máquina de propaganda ideológica, nada mais que isso;

8) Tudo o que for possível para derrotar os candidatos progressistas será feito pelos donos do Brasil. Eles atravessaram o Rubicão há algum tempo, não têm mais pudores em aplicar os golpes mais sujos para vencer o pleito;

9) A eleição é importante para essa turma porque, de certa forma, legitima a "democracia" que querem para o Brasil: um simulacro, no qual Judiciário, Ministério Público, Imprensa, grandes empresários, e políticos reacionários controlam as instituições, mantendo o povo distante da tomada de decisões;

10) Para não alongar mais esta pensata, vai a última consideração: institutos de pesquisa sempre fizeram e continuam a fazer parte do jogo do poder. Pesquisas eleitorais servem para duas coias, basicamente: nortear os rumos das campanhas e esquentar ou esfriar o ânimo dos eleitores/apoiadores. Elas nunca estão completamente certas ou erradas, nem são tão científicas quanto pretendem mostrar. Devem, sempre, ser vistas e interpretadas com uma boa dose de desconfiança.

Carlos Motta
No Esquerda Caviar

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