9 de out de 2018

“Neutralidade” de adesistas revela fragilidade de Bolsonaro



Com 46% dos votos no primeiro turno, a uma minúscula fração do eleitorado da vitória, a esta hora deveria estar chovendo apoio a Jair Bolsonaro.

À exceção, porém, de quem “já tinha ido”, como João Doria e Ana “do Relho” Amélia,  é praticamente nula a adesão, ainda mais com a tradição política brasileira de adesismo.

Nem se culpe a falta de interlocutores: com sete mandatos de deputado, o ex-capitão não é um ilustre desconhecido neste meio, como os seus prepostos nas eleições estaduais de Minas, o empresário Zema e o ex-juiz de extrema-direita Witzel.

Mas, nas aparições em vídeo que fez desde a eleição, apesar de dizer que queria “unir o Brasil” (assim, vagamente, como um dia disse Michel Temer), Bolsonaro não conseguiu produzir um movimento sequer de ampliação.

Conta, claro, com a transferência “automática” dos votos dos demais candidatos, em número suficiente para dar-lhe a vitória.

Mas, embora não possa precisar ainda o que é, 40 anos de vida política me fazem crer que o fato de não se formar uma fila à porta do capitão dá sinais que aquela gente, muito esperta como sempre, pressente algo.

Se não uma reversão do quadro, um desastre com a sua consumação.

Bolsonaro está soturno e duro, pode-se perceber em suas duas aparições televisivas.

O que fará, a partir de sexta-feira, quando tiver de encher com seu vazio de ideias – não parece que ele lê uma lista de itens, quando fala? – os dez minutos diários (dois blocos de 5′) de sua propaganda eleitoral?

Tenho afirmado aqui, desde antes do primeiro turno, que havia uma “onda” Bolsonaro e ela era um movimento furioso de energia.

E quem está acostumado a surfar em ondas, quando não a pega, tem suas boas razões.

Fernando Brito
No Tijolaço

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