5 de out de 2018

Jornalista desmascara fake news de Veja contra Haddad

Veja carrega a matralhadora fake news para elevar a rejeição de Haddad na reta final

Parece notícia velha mas confira os novos caminhos que levam ao antijornalismo


A metralhadora fake news da campanha bolsonarista ganhou hoje um importante, mas não desconhecido, e velho aliado: a revista Veja.

Com uma simples mudança de data em uma matéria de 2012, Veja carregou a engrenagem da campanha de desinformação que corrói o processo democrático das eleições de 2018.

Indexada no Google com data de 1o. de outubro, a matéria se tornou hoje (4/10) uma das mais compartilhadas por apoiadores da campanha bolsonarista. (https://goo.gl/S92QmT).

A foto em destaque é de Temer entre Haddad e Chalita. À época, Haddad foi para a disputa de segundo turno ao governo de São Paulo na chapa que tinha Chalita como candidato a vice.

Disfarçada de uma ingênua atualização de conteúdo, a revista colocou nas mãos da turma do vale tudo o falso apoio do presidente ilegítimo que golpeou o governo de Dilma Rousseff, em 2016.

Com reprovação digna de nota no Guinness, 97%, a revista arremessa toda a insatisfação do governo Temer no colo de Haddad na tentativa de elevar a rejeição do candidato petista. Esse é um dos grandes esforços de reta final da campanha bolsonarista: igualar a rejeição de Haddad à de Bolsonaro, uma preparação para o segundo turno.

Seguidos de frases "não era golpe?"; "é tudo farinha do mesmo saco"; "tapa na cara dos brasileiros"; "lembre-se dessa foto na urna"; Veja abre mais uma trincheira ser combatida na escalada desenfreada de produção de fake news.

E se você estranhar que a matéria data de 2012, não se assuste. A velha máxima de que uma imagem vale mais do que mil palavras, ainda está no prazo de validade. Para os detratores, esse é um mero detalhe. Para os incautos, passa desapercebida.

Omissão do TSE é adubo para o antijornalismo de Veja

Sob o silêncio do ministro do STF e do TSE Luiz Fux, que chegou a declarar guerra incansável contra fake news – seria essa uma fake news? - Veja repete a mesma bolorenta estratégia, que a tornou estudo de caso em tantos cursos de jornalismo, como material de antijornalismo.

Recentemente, a revista travestiu suas capas e editoriais de conteúdos contra fake news, bradando a bandeira da verdade e da objetividade, para com isso blindar-se de suas velhas práticas que datam da redemocratização no Brasil.

Veja sofisticou as armadilhas que instala no caminho do leitor/eleitor, porém já nas eleições de 1989, a revista carimbou seu passaporte para as profundezas sombrias do jornalismo, ao cravar seu apoio a Fernando Collor com o objetivo de impedir a eleição de Lula. Com o candidato impoluto na capa, àquela altura Collor ainda era um desconhecido, o tablóide alçou o "O caçador de marajás" à cadeira de presidente da república.

Mais recentemente, na quinta feira, antes do primeiro turno das eleições de 2014, Veja desceu seu antijornalismo à categoria de panfleto, com a capa "Dilma e Lula sabiam de tudo". O panfleto foi literal, já que aecistas fizeram milhares de cópias da capa da revista e a distribuíram desesperadamente nas ruas. Analistas sugerem que essa capa deslocou 9% de intenções de voto de Dilma para Aécio Neves.

Há material farto sobre a revista, como, por exemplo, o vídeo do site Justificando que analisa 100 capas de Veja, de 2013 até os dias de hoje, e seus artifícios de manipulação. Vale conferir: HTTPS://GOO.GL/SFC1Y5.

O que se sabe hoje é que ainda possuímos poucos anticorpos para lidar com a quantidade e qualidade das informações que recebemos. Ainda somos permeáveis e crédulos diante de conteúdos e mecanismos cada vez mais sofisticados de manipulação. Nos idos anos em que televisões ocupavam lugar de prestígio nas salas de casa, adultos e crianças acreditavam que propagandas diziam a verdade.

Gioconda Bretas, Jornalista - Mestre em Comunicação (UNB)

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