2 de out de 2018

Ignore o Ibope. Haddad não caiu, “coiso” não cresceu e seu cérebro não encolheu


Eu pergunto: o que aconteceu nos últimos dias, nas últimas horas, que pudesse ter prejudicado a candidatura Haddad? Rigorosamente nada. E o que aconteceu nesse período que pudesse afundar Bolsonaro? Muita coisa. Mas digamos que ambos estejam próximos de uma zona de conforto para atravessar a fronteira até o segundo turno para o duelo mortal ao por-do-sol. O que explica, então, o Ibope de Carlos Augusto Montenegro me aparecer na noite de segunda, 01, com destaque no Jornal Nacional, dando novo fôlego ao capitão-maridão-fascistão – mesma fração de tempo em que Moro Dredd, o exterminador de petistas, faz Palocci refém e abre sua delação humilhada, e que Peruca Fux e Dias Toffoli suspendem a decisão do colega Lewandowski para impedir uma entrevista de Lula à Folha, restituindo a censura prévia no país (Leia o insuspeito Reinaldo Azevedo)? E, finalmente, a pergunta que não quer calar: você daria um cheque em branco a Montenegro, parceiro da TV Globo e do Estadão na pesquisa? Pois então, querida e querido eleitor, some pelo menos dois e dois antes de dar fé pública a uma pesquisa que contradiz todas as demais – anteriores e posteriores.


O que Montenegro fala – e seu instituto prevê – não se escreve. Em julho passado, o presidente do Ibope disse para O Globo: "Jair Bolsonaro perde para qualquer um no segundo turno. O voto do Bolsonaro não é ideológico de direita. É como o voto nulo, no Enéas ou no Tiririca." O Ibope agora vê Bolsonaro e Haddad no segundo turno – e publica pesquisa com o capitão em ascensão e empatando com Haddad no mata-mata. Você acredita em duendes?

Segundo o Ibope, Bolsonaro subiu 4 pontos (!) – opa, bem acima da margem de erro -, foi a 31% e abriu cabalísticos dez pontos de vantagem sobre Fernando Haddad. A rejeição a Haddad, segundo o Ibope, saltou em menos de uma semana de 27 para 38 pontos, encostado nos 44 de Bolsonaro (Leia). Que loucura, Ibope! Isso não é nem pulo, é salto com vara. Procurei no Google e não vi nenhuma cena de Haddad espancando uma freira, nem, como diria Eduardo Bolsonaro, defecando em praça pública. O que tivemos foram grandes manifestações anti-Bolsonaro no fim de semana. Mas para o Ibope, numa simulação de segundo turno, até o chuchu desidratado Geraldo Alckmin bate Bolsonaro (42% a 39%) – pensem nisso -, mas Haddad, lástima, apenas empata em 42%. Montenegro, então, multiplicou-se como o Multi-Homem do velho desenho "Os Impossíveis" – isso é da minha época, gente -, capaz de duplicar a si mesmo criando inúmeras cópias. Em almoço com empresários na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), Montenegro disse que nunca viu eleição "tão esquisita" como a atual, e que não tem "a menor ideia de quem vai ser o presidente da República". A um grupo de jornalistas disse que "a facada (em Bolsonaro) não mudou o quadro eleitoral". Ao Antagonista, Montenegro disse que a eleição no segundo turno será uma disputa entre rejeições. "O PT tem que torcer noite e dia para enfrentar o Bolsonaro." E por aí vai.

Esta última semana antes das eleições do próximo domingo, 7 de outubro, será marcada pela realização de pesquisas que, como na última semana, têm dado o tom e o ritmo das campanhas presidenciais. O problema do Ibope é que foge de todos os padrões. Ou descobriram a pólvora ou a molharam. Levantamento encomendado pelo banco BTG Pactual à FSB Pesquisa, divulgado na última semana, mostrou Bolsonaro com 35% dos votos válidos e Haddad com 27%. Peraí, mas no Ibope o candidato do PT não afundou para 21%? Ah, tá. Já pesquisa CNT/MDA, no domingo, 30, mostrou Bolsonaro e Haddad empatados pela 1ª vez na margem de erro, de 2,2 pontos percentuais. O militar e o petista têm 28,2% e 25,2% das intenções de voto, respectivamente. Peraí, gente, mas e o Ibope? E por aí vai. Daqui do nosso cantinho, muita curiosidade com a pesquisa Vox Populi/247, a primeira realizada por iniciativa dos eleitores e com questionário participativo. Ela será divulgada no próximo sábado, 06, às 20h. Nesta terça, 02, é dia de Datafolha. Na quarta, mais Ibope e Paraná Pesquisas. Na quinta, 4, Datafolha, Ipesp e DataPoder. Mesmo dia do último debate, na TV Globo, do qual Bolsonaro quer participar. E na sexta, 05, MDA, Ipesp e Paraná Pesquisas.

Quanta pesquisa, hem.

Ricardo Miranda é jornalista, editor, tem mais de 35 anos de experiência nas principais redações do país e em grandes agências de comunicação.

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