3 de out de 2018

Ibope e Datafolha: A “grande jogada ensaiada” do mercado com o dólar


Para que serve financeiramente uma pesquisa eleitoral? Essa seria a pergunta fundamental a ser feita quando tudo no Brasil se tornou mercado financeiro. Mais do que denunciar a mudança de metodologia da pesquisa Ibope que, por sinal, foi seguida pelo Datafolha, apresentada pelo jornalista Luís Nassif, no Jornal GGN, algumas questões devem ser postas à mesa, antes de qualquer conclusão sobre a análise do resultado das duas pesquisas.

Enquanto os grupos de mídia do Brasil, principalmente a Globo, diversificam seu ramo de atuação, já que o negócio principal não é lucrativo, a percepção de que o mercado reage diretamente ao comportamento das pesquisas eleitorais, as tornam grande ferramenta de manipulação do câmbio e do valor das ações. Esse tipo de manipulação não é novidade, Joesley Batista, da JBS, realizou fortes lucros com a sua gravação “bomba” contra Michel Temer. Aliás, foi processado por fraudar o mercado financeiro dessa maneira.

Por outro lado, as demais pesquisas internas dos partidos e outros institutos não apresentaram tal variação tão favorável a Bolsonaro e desfavorável a Haddad. De fato, a mudança da metodologia do Ibope tornou os números incomparáveis com as pesquisas anteriores. Já o conjunto de explicações de Gerson Camarotti, na Globo News, antes da divulgação do resultado do Ibope, bem como a jogada ensaiada com Sérgio Moro, na liberação da delação fajuta de Palocci se somam a mais uma estranheza, a primeira vez que os números do Datafolha bateram com os do Ibope, o que nos traz menos certezas e mais dúvidas sobre o cenário eleitoral.

Certo que não houve manipulação dos números, nem da pesquisa em si. Os números e a pesquisa são reais. O que mudou foi o método de pesquisa, o filtro para ser mais exato, que beneficiou por demais Bolsonaro, em detrimento a Haddad. Surge daí, a questão primordial que se liga à primeira frase do texto: Por que a mudança no método, somente agora?

Nem é necessário abordar que a tentativa de causar desânimo entre os progressistas seria a primeira proposição. Mas, algo mais sutil e lucrativo pode estar por trás e que responde às duas perguntas, “por que agora?” e “para que serve financeiramente uma pesquisa?”. Agora, por que a eleição está próxima e se mata dois coelhos com uma única cajadada, causa desânimo e realiza lucro manipulando o câmbio, bem como o valor das ações. Surge daí, a segunda motivação de uma pesquisa, além de diagnosticar, provocar alteração na perspectiva eleitoral, que seja suficientemente capaz de impactar severamente na Bolsa de Valores. Dessa maneira, quem sabe antecipadamente que a bolsa subirá ou o dólar cairá, pode apostar na bolsa, sabendo previamente o que aparentemente seria aleatório.

Existe a possibilidade de erro nessa avaliação, é claro, mas, a confirmação virá nos próximos dias ou quando abrirem as urnas ou nas próximas pesquisas. Se for real, Bolsonaro terá menos votos que o levantado na pesquisa, tal como ocorreu em 2014, quando o Ibope e o Datafolha deram vitória a Aécio e erraram. Se abrirem as urnas e os números forem muito favoráveis a Haddad, a bolsa cairá e dólar subirá. Como agora é a hora de vender ações e comprar dólar, quem manipulou as informações, ao abrir a urna ou nas próximas pesquisas, comprará ações na baixa e venderá os dólares na alta. Simples assim, Joesley da JBS fez isso. Quem duvida que os grupos de mídia não fariam?

Fábio St Rios
No A Postagem

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