27 de out de 2018

Good fellas

Os amigos do capitão Bolsonaro não são flores que se cheirem, com a proteção ancestral de Amaral Netto, ou seja, Amoral Nato

Amaral Netto, um precursor. Ele se chama Julio Lopes, também conhecido como“pavão” nos corredores da Odebrecht
Chegou ao nível do risível, no mundo político, a notícia de que Jair Bolsonaro disputaria a Presidência da República. A primeira conversa dele foi com o Francisco Dornelles, vice-governador do Rio de Janeiro. Do alto de seus 83 anos, este mineiro matreiro na vida política tentou dissuadir o capitão-deputado, já com sete mandatos e oito partidos no currículo. Nove agora, ao mudar para o PSL.

Dornelles perdeu. De franqueza quase sempre violenta e ataques histéricos, como comprovam seus discursos, Bolsonaro, Jair para “os bons companheiros”, em versão próxima à adotada no cinema por Martin Scorsese. Talvez acreditasse ser sustentado por aval divino. Não foi acaso ele ter criado um lema para a campanha presidencial: “Brasil acima de todos, Deus acima de tudo”.

Eis um parlamentar sem cochichos. Foi claro na conversa com o vice-governador do Rio. Disse que andava cansado da Câmara e que seria candidato a presidente, mas “procuraria outro partido” porque o dele, Dornelles, andava implicado demais com a Lava Jato.

E assim foi feito. Deixou o Partido Progressista, comandado pelo conhecido senador Ciro Nogueira.

Nogueira é presidente do partido desde 2013. Foi denunciado em setembro de 2017, acusado de integrar o chamado “quadrilhão do PP”. Ele entrou na mira das delações após suspeitas de que recebia repasses de verbas desviadas da Petrobras.

Bolsonaro participou do PP por um ano, entre 2015 e 2016. Em 1994, os votos dele favoreceram, com o sistema da proporcionalidade, o mandato de Amaral Neto. Ambos do Partido Progressista Brasileiro (PPB), hoje PP.

O favorecido erguia a bandeira da pena de morte, quando o crime corria solto pelas ruas do Rio de Janeiro. Ele batia no peito e se dizia um político “de direita”. Mais ou menos como ocorre agora. Seria Amaral Neto, também conhecido como Amoral Nato, ancestral político de Bolsonaro?

O capitão avançou eleitoralmente. Explodiu nas urnas com 464.572 votos em 2014, número suficiente para eleger deputados de outras legendas. Entre eles, Júlio Lopes e Simão Sessin, primo do poderoso bicheiro Anísio Abrão David, fraternais amigos de Bolsonaro. Júlio, por seu lado, foi um dos mais ativos deputados na manobra do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff.

Nebuloso o passado de Lopes. Era chamado de “pavão” nas salas da Odebrech e, em julho passado, foi delatado pelo empresário Leandro Camargo, ex-secretário de Transportes do Rio. Abriu a boca.

O empresário disse que presenciou quando Lopes recebeu “um saco cinza” que continha 100 mil reais. Recebeu muito mais posteriormente. Ele também foi batizado no meio empresarial de “braço de extensão” de Dornelles, o amigo de Bolsonaro.

Maurício Dias
No CartaCapital

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