20 de out de 2018

FHC será lembrado como traidor da democracia

Eu tenho uma teoria – é psicologia de boteco, mas vá lá – sobre o FHC.

O cabra está com 87 anos. Tem uma vida confortável – segundo alguns, desfruta até de um belo apartamento no coração de Paris. Não é razoável que ele aja motivado por obter cargos ou prebendas do futuro governo.

Está numa idade em que se costuma pensar na imagem que ficará para a posteridade. Então como se explica sua vacilação em se colocar do lado da democracia no segundo turno?

Ele, que certamente sonhava em ser lembrado ao lado de Florestan Fernandes ou Otávio Ianni, agora está aceitando passar à história como correligionário de Olavo de Carvalho?

Importantes intelectuais do mundo todo têm pedido que FHC declare apoio a Haddad, o que mostra que, lá fora, ele ainda engana. FHC nem dá bola. Está disposto a jogar fora o que resta de seu prestígio internacional.

Por quê?

Tenho para mim que é o ciúme inesgotável que ele sente de Lula.

Na sua vaidade, FHC fantasiava passar à história como o presidente que modernizou o país e que estabilizou a moeda. Talvez não tivesse a dimensão de Getúlio, mas estaria no segundo pelotão, com destaque.

Só que hoje é óbvio que o lugar de FHC na história do Brasil é basicamente o de antecessor de Lula. É um dos Fernandos que vieram antes de Lula – e só.

Ele deve imaginar que um governo fascista não apenas manterá Lula encarcerado como fará tudo para destruir seu legado.

Mas, com seus erros e com seus acertos, Lula tem seu lugar garantido como o maior líder popular da história do Brasil e o presidente que pôs em marcha a mais ambiciosa política de combate à pobreza extrema no país.

E FHC, agora, será lembrado não só como antecessor, mas sobretudo como traidor da democracia.

Maquiavel, que FHC bem conhece, dizia que o príncipe busca a glória, isto é, ser lembrado pelas gerações futuras. Mas pode encontrar, em seu lugar, o opróbrio: ser lembrado como um líder torpe e indigno. É esse o caminho do príncipe da sociologia.

Não que seu apoio tenha grande importância eleitoral. Pelo contrário.

Mas é interessante observar como a vaidade, frustrada, leva ao ódio. E como o ódio, tornado doentio, sabota até a vaidade.

Luis Felipe Miguel

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.