5 de out de 2018

A esquerda dominou o debate


A ótima análise do debate de ontem, feita pelo publicitário – com longa experiência de propaganda política e análise de opinião pública – Hayle Gadelha, em seu blog Daqui&Dali, mostra que, se algo marcou o debate da Globo foi, finalmente, o surgimento do embrião da aliança que será decisiva para o segundo turno das eleições.

Três debates em um

Hayle Gadelha

O debate da Globo realizado na noite desta sexta-feira tinha tudo para ser o gran finale dessa estranha campanha eleitoral que o Brasil está vivendo. Acabou sendo, surpreendentemente, uma grande maluquice, várias maluquices, vários debates em um só.

Primeiro, aconteceu de não contar com o candidato que lidera as pesquisas, que preferiu se esconder em uma entrevista na emissora vizinha. Fez bem, poupou a grande maioria da audiência-Brasil de ter que assistir o seu espetáculo grotesco.

Depois, o telespectador, tão acostumado com a grandeza da emissora e seu famoso apresentador de telejornais, defrontou-se com um William Bonner trapalhão, confundindo-se permanentemente.

E ao longo do debate o respeitável público pôde concluir que existem três conjuntos de candidatos.

O primeiro conjunto é formado por Haddad, Ciro e Boulos. Eles foram bem além de demonstrar que são os candidatos mais à esquerda do espectro político. Demonstraram conhecimento bem mais profundo sobre o produto Brasil. Tinham sempre mais argumentos e propostas sólidas sobre como administrar o país. Não se deixaram intimidar com os ataques que vieram dos que estavam bem abaixo.

Haddad, extremamente preciso em todas as suas respostas, firmeza no apoio a Lula (óbvio), deu aula de Brasil. Bem humorado e concentrado. É o próprio PT, preparado para enfrentar qualquer adversário. Sem dúvida, é o candidato certo para representar Lula e derrotar a ameaça fascista.

Ciro, o mais impulsivo – mas sempre com grande habilidade política -, soube manter a harmonia de esquerda, sem deixar de se posicionar como candidatíssimo à presidência, apesar de aparecer em terceiro lugar, com certa distância a percorrer, se quer alcançar Haddad.

Boulos, o mais à esquerda, digamos assim, demonstrou mais uma vez que está bem informado e bem formado para enfrentar um debate em qualquer nível político. Sabe que não tem chances de se eleger, mas movimenta-se e fala como se tivesse ainda alguma chance de pelo menos chegar a uma votação de destaque.

Juntos, esses três deram um “chega pra lá” nos outros candidatos.

O segundo conjunto foi formado por Alckmin, Marina e Álvaro Dias. Esse foi o grupo dos desesperados, aqueles que querem demonstrar de qualquer maneira que ainda são candidatos viáveis, ou algo assim.

Alckmin, o mais chato, parece que ainda não entendeu que deu ruim pra ele. Ataca mais o PT do que qualquer coisa (no que, aliás, está certo). Tem que acreditar que poderá substituir Haddad – e espera que ninguém lhe dê um beliscão para acordar. Passa a imagem de desesperado.

Marina, o que dizer? É a cara do desgosto. Parece alguém que desistiu de tudo, exceto de vingar-se. Mas não fica bem claro de que ela tem tanto ódio. Ou melhor, certamente é do PT, o partido que tem todos os votos que ela gostaria de ter. Ela precisa, antes de qualquer coisa, abandonar tanta amargura.

Álvaro Dias, meu Deus, o que é aquilo? Um trapalhão raivoso colocado em cena para bater no PT. Não se sabe a serviço de quem…

E o terceiro conjunto é de um homem só, o milionário Henrique Meirelles. Um dia o respeitável público poderá entender melhor o que ele faz ali naquele palco iluminado, um lugar que comprou por alguns milhões de dólares de sua fortuna pessoal (que ele deve ter construído com muito suor…).

Se alguém ganhou alguma coisa ali, foi o primeiro bloco de candidatos. E a Globo, claro, apesar das trapalhadas de sua grande estrela – o que deve ter divertido muita gente…

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