23 de set de 2018

Sem garantia

A garantia dada pelo ministro da Defesa, general Silva e Luna, de que os militares respeitarão o resultado eleitoral, e o governo dele resultante, recompõe o clima abalado pelas referências do comandante do Exército a possíveis questionamentos à eleição.

A verdade é que não há quem possa dar tal garantia. Em qualquer lugar ou tempo, a garantia provém, ou não, da cultura cívica e da maturidade institucional alcançadas pela comunidade militar. São valores sujeitos a variações e de aferição nem sempre fácil. Em que nível estão aqui, não se sabe.

As palavras do comandante Eduardo Villas Bôas foram logo interpretadas como referência a riscos de ação militar em razão do resultado eleitoral. A dedução não foi estapafúrdia. Nem segura. A falta de clareza do que foi dito e por que foi dito, deficiência agravada por se tratar de tema tóxico, permitia mais interpretações. E mesmo a simples impossibilidade de entender alguma coisa ali. Ainda mais, tendo como fundo um país repleto de conturbações e, no entanto, sem manifestações militares mais significativas do que as insignificantes meias frases de um general Mourão, passaportes para a sua reforma.

Daí não se conclui a inexistência de risco golpista. O apoio a Bolsonaro nas classes de mais alta remuneração, como constatado pelo Datafolha, indica que a um movimento golpista não faltaria nem sequer a adesão civil tradicional. Mas não se sabe como está a caserna. O perceptível é que, não havendo garantia contra o golpismo, também não há (ainda?) o ambiente de golpe, o cheiro de enxofre e desgraça que empesteia o ar. A menos que se chegue muito perto de Bolsonaro e seu pelotão de acólitos.

Insultante

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima deixa agora a infantaria curitibana da Lava Jato, transferido para São Paulo, “porque se aposentará em janeiro”.

Porta-voz do grupo, produtor de inúmeras manchetes desmoralizantes, Santos Lima foi submetido a questionamentos no Ministério Público por insultos ao Supremo Tribunal Federal e a Gilmar Mendes. Está destinado a usufruir, com apenas 54 anos, a desobrigação de trabalhar e a remuneração integral de procurador, em torno de R$ 30 mil.

Um é o outro

Líder nas pesquisas para o governo de Minas, o senador Antonio Anastasia não quer proximidade nem nominal com Aécio Neves. A excelente reportagem de Thais Bilenky sobre Aécio e sua candidatura, não mais que a deputado, explica que o esquisito slogan “Anastasia é Anastasia” pretende ser resposta à associação de “Anastasia a Aécio como goiabada a queijo”, da campanha petista.

Aécio inventou-o e o criou. Até a candidatura foi imposta por Aécio a Anastasia, que não queria deixar o Senado.

Como governador, está previsto para Antonio Anastasia um papel relevante nos processos de Aécio e sua irmã Andréa Neves, sobre extorsões a Joesley Batista.

Janio de Freitas
No fAlha

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