19 de set de 2018

Quem são os bolsonaristas convictos?


A pesquisa do Ibope divulgada no dia 11 de setembro, além de perguntar sobre a intenção de votos dos brasileiros, buscou também medir o grau de certeza do eleitor com relação ao voto para a disputa presidencial. Os eleitores de Jair Bolsonaro (PSL), candidato que lidera a corrida, foram os que apresentaram o maior grau de certeza sobre sua decisão. Para 73% dos eleitores do capitão reformado, a decisão do voto é “definitiva” ou “firme”, o que significa 19% do total de eleitores. Os eleitores de Fernando Haddad (PT) apresentaram o segundo maior grau de certeza: 67%. Os outros candidatos mais bem colocados apresentaram índices mais baixos, entre 49% e 53%.

Se a candidatura de Bolsonaro conseguir manter essa porcentagem de eleitores convictos até o primeiro turno, são grandes as chances de ele estar na segunda volta. Diante disso, é importante desdobrarmos um pouco esses dados e explorarmos o perfil desses eleitores. Para isso, realizamos uma análise por meio de uma regressão logística multinomial. Esse tipo de análise permite a comparação entre grupos diferentes com segurança estatística. Aqui, comparamos todos os outros eleitores (categoria de referência – 74% dos eleitores) com os que declararam voto em Bolsonaro, mas não se demonstraram firmes em sua escolha (“é uma escolha do atual momento”/ “é apenas ums preferência inicial – 7% do total de eleitores) e com os eleitores de Bolsonaro que apresentaram maior firmeza na decisão (19%).

Os dados mostram que as características dos bolsonaristas convictos são mais marcadas do que as dos que não têm tanta firmeza sobre o voto no candidato com relação ao restante do eleitorado. Ser homem amplia em 2,7 vezes a chance de declarar um voto firme no capitão. Ter frequentado o Ensino Médio e o Ensino Superior amplia em cerca de duas vezes a chance de ser um bolsonarista convicto com relação aos que frequentaram até o quinto ano (antigo primário). Ser branco (segundo autodeclaração) amplia em 69% a probabilidade de ter firmeza na escolha. Com relação aos que vivem no Sudeste (categoria de referência), viver no Nordeste reduz em 68% a chance de declarar firmeza no voto em Bolsonaro. Viver no Sul amplia em cerca de 70%. Por fim, ser evangélico amplia em cerca de 65% a chance de escolher o ex-militar com relação aos católicos (categoria de referência).

Com relação aos eleitores de Bolsonaro que não têm muita firmeza na sua decisão, ser homem também amplia a chance de estar nesse grupo em 2,5 vezes, ser evangélico amplia em 62% a chance de estar nesse grupo com relação aos católicos e ser branco, em 74%. Viver no Nordeste, por sua vez, reduz em cerca de 44%.

O que esses dados nos mostram? Primeiro, que os eleitores que não têm tanta firmeza na sua escolha se parecem um pouco mais com os outros eleitores do que os bolsonaristas convictos. Segundo, o “núcleo duro” de eleitores de Bolsonaro pode ser caraterizado como um que se distingue pelo seu sexo (masculino), cor (brancos), escolaridade (ensinos médio e superior), religião (evangélicos) e região em que vivem (são menos presentes no Nordeste).

Manter esse eleitorado pode ser suficiente para o candidato chegar ao segundo turno se a fragmentação na disputa vista até aqui se mantiver até o dia 07 de outubro. Para a volta final, a base eleitoral de Bolsonaro terá que se aproximar do perfil geral dos eleitores para que o candidato tenha chance de vencer. Conquistar as mulheres, os eleitores de baixa escolaridade e os “não-brancos” será então o desafio.

Oswaldo E. do Amaral, professor do departamento de Ciência Política da Unicamp e diretor do Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop) da mesma instituição
Do Observatório das Eleições
No DCM

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