19 de set de 2018

O Santo, o demônio e a Globo


A pesquisa Ibope divulgada na noite de terça-feira revela muito mais do que números, sempre manipuláveis, dentro ou fora da margem de erro.

Revela que a Globo fez um escolha.

Na verdade, revela que a Globo ficou sem escolha.

E, na falta de escolha, o conglomerado de comunicação estendeu seus braços ao primeiro colocado, o #elenão.

Por uma razão simples, não há mais acordo possível com partidos e candidatos do campo popular e democrático.

O Santo

É claro que, se pudesse escolher, o candidato dos sonhos seria outro, o Santo.

Mas seu partido, golpista, não o ajudou.

Não o ajudou porque nas últimas eleições gerais, em 2014, o candidato deles, derrotado, um dos artífices do golpe, hoje desmoralizado por denúncias e cercado de desconfiança, já não consegue reunir 100 gatos pingados para lançamento de sua campanha a deputado federal por Minas Gerais, como foi no último fim de semana.

Um vexame.

Virou um zumbi, um cadáver político, num dos colégios eleitorais mais importantes do país.

O próprio presidente da legenda admitiu: apoiar o golpe jurídico-parlamentar-midiático foi um erro.

É a velha máxima: quem tem pressa, come cru.

Não ajudou também porque a elite intelectual do partido da social democracia nunca comungou, nem com sua caipirice, nem com seus vínculos com a Opus Dei, a extrema direita da igreja católica.

Os “intelectuais” do partido não aceitam também a falta de carisma do chamado picolé de chuchu.

Também pesam contra ele a derrota para Lula em 2006 e os escândalos de sua já desgastada gestão em São Paulo, com pelo menos três casos emblemáticos: o Metrô, o Rodoanel e a Merenda Escolar…

Na verdade, o partido vem rachado desde que seu inimigo número um, economista e ex-ministro da Saúde, passou a bombardear as pretensões políticas de seu colega.

Sem contar a ascensão do prefake, que trouxe o fisiologismo mais rasteiro para as hostes do partido.

O Demônio

A falta de escolha da Globo ficou clara, quando do encontro no Jardim Botânico, há três semanas.

É certo que os e donos da mídia levantaram uma bandeira branca para o candidato de extrema direita, desde que demarcado antecipadamente o território de convivência pacífica.

Por convivência pacífica entenda-se: mantem-se privilégios por um lado em troca de governabilidade, sobrevivência política e econômica por outro.

É o bom e velho “toma lá, dá cá”.

A Globo

A Globo hoje é refém dos interesses dos EUA, porque é lá que se investigam os escândalos do futebol.

Apesar da audiência, a emissora não tem mais credibilidade jornalística.

Isto fica claro ao conversar com as pessoas nas ruas.

Muitas identificam seus interesses comerciais sempre acima dos interesses dos cidadãos comuns.

A própria agenda da emissora deixa claro esses interesses: rentabilidade do capital financeiro (mantra: honrar contratos); transnacionais do petróleo (mantra: corrupção na Petrobras); transnacionais de alimentos (mantra: agro é pop) e não para por aí.

Sua pauta é reformista, desde que as reformas mantenham os privilégios.

Reformas Trabalhista, Previdenciária, Tributária, Política… todas elas excludentes.

Não há acordo nacional que traga eles de volta.

Ou há?

Marco Aurélio Mello
No Viomundo

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