4 de set de 2018

O que está em jogo agora: Alckmin X Bolsonaro e Lula X Judiciário

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A apenas 33 dias da eleição, a semana começou com duas disputas ferozes que poderão ser decisivas para definir quem vai ao segundo turno.

De um lado, pela esquerda, Lula resolveu esticar ainda mais a corda e quer ir para o tudo ou nada contra o aparato jurídico que impede a sua candidatura, uma disputa em que até aqui só tem sido derrotado em todas as instâncias.

De outro, como anunciado, o tucano Geraldo Alckmin abriu suas baterias contra Jair Bolsonaro com quem disputa o eleitorado da direita.

Com sua estratégia de guerra bem sucedida até aqui, segundo todas as pesquisas, Lula adiou mais uma vez a indicação de Fernando Haddad para o seu lugar, impedindo-o de fazer campanha como candidato a presidente.

O grande perigo apontado pelo advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira, que defende Lula na Justiça Eleitoral, é o PT ficar sem candidato nenhum, se não cumprir o prazo de dez dias dado pelo TSE.

Haddad esteve nesta segunda-feira com Lula na cela em Curitiba e saiu de lá como entrou: ainda como candidato a vice.

Os dias passam correndo, Bolsonaro e Ciro sobem nas pesquisas, e o eleitorado continua confuso sem saber quem, afinal, vai ser o candidato do PT.

A última previsão garimpada no QG petista dá conta que “com a contrariada anuência do ex-presidente Lula, o PT se prepara para a retirada da sua candidatura à Presidência na próxima terça-feira, dia 11”, como relata a sempre bem informada repórter Catia Seabra, na Folha.

Dia 11 termina o prazo de dez dias dado pelo TSE a substituição de Lula como cabeça de chapa.

Por isso, o advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira, que defende Lula no TSE, alertou o conselho político da campanha que o partido corre o risco de perder o registro da candidatura, se a liminar impetrada no STF for acolhida, e o plenário rejeitar a medida depois do dia 17, quando termina o prazo para a troca de candidatos.

Em teleconferência, o advogado disse aos petistas que o registro da chapa será anulado, se o nome de Haddad não for oficializado neste prazo.

Mas o problema agora não é só jurídico, é principalmente político.

Com a indefinição, Haddad aparece ainda com apenas um dígito nas pesquisas, assim como Geraldo Alckmin, enquanto Bolsonaro e Ciro avançam para o segundo turno nos levantamentos desta semana.

Esperar que a ONU possa resolver o problema do PT e fazer o TSE voltar atrás, é como Alckmin imaginar que só o tempo de televisão para bater em Bolsonaro poderá desempacar sua candidatura.

O que a ONU ainda vai poder fazer? Mandar uma tropa de paz para libertar o ex-presidente?

Aliados de Alckmin, por sua vez, temem que a rejeição ao tucano suba ainda mais, se insistir na tática de desqualificar Bolsonaro, que até agora não deu certo.

Quem está gostando de tudo isso é o general Mourão, vice de Bolsonaro, para quem a estratégia de Alckmin só vai reforçar o sentimento do seu eleitorado de perseguição ao candidato que é “contra tudo isso que está aí”.

Por enquanto, Bolsonaro só está ganhando votos, não perdendo, e Alckmin não sai do lugar.

De outro lado, o constrangido papel exercido até aqui por Haddad, está dando margem a que tipos como Roberto Freire, dono do nanico PPS, linha auxiliar do PSDB, vá às redes sociais para desqualificar o ex-prefeito de São Paulo, chamando-o de “boneco de ventríloquo”.

Freire não tem nenhuma importância, mas esta imagem pode colar em Haddad, que já é chamado de “poste” pelos adversários, e não tem como se defender enquanto seu nome não for registrado como candidato a presidente na Justiça Eleitoral.

É isto que está em jogo agora, o restante só faz figuração.

Mantido o atual cenário, a Ciro, Haddad e Alckmin só restará disputar entre si para ver quem enfrentará o resiliente e cada vez mais beligerante Jair Bolsonaro, que agora está ameaçando “fuzilar a petralhada”.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho

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