20 de set de 2018

O medo é imenso: MP quer proibir o “Haddad é Lula”


Quer ver o quanto eles estão apavorados com o alinhamento popular com Fernando Haddad?


“Explica-se (‘Haddad é Lula’) para confundir; confunde-se, para, de forma obtusa, trazer ao eleitor a ideia de que o ex-candidato Luiz Inácio Lula da Silva ainda compõe a chapa concorrente”, escreveu o vice-procurador Humberto Jacques de Medeiros em ação movida pelos riquinhos do tal Partido Novo.

Seria, diz este cara-de-pau, “a difusão da ideia de que o ex-candidato ainda se encontra na disputa, ao lado do terceiro representado [Haddad], criando um ambiente de confusão e incerteza jurídica, a comprometer a normalidade do pleito”.

É inacreditável que o povo brasileiro pague uma grana preta a um sujeito que chega a usar o cargo que tem para que o povo não possa saber uma simples verdade eleitoral: a de que Haddad é Lula porque o representa politicamente.

Povo, Dr. Fulano, não serve só para pagar sua vida de tripas fôrras.

Tem direitos, direito de saber a verdade, direito de votar, direito de escolher.

Hoje, em sua coluna, Luiz Fernando Veríssimo diz que, no início de sua consagrada carrreira de cronista, debaixo da ditadura militar, foi avisado de que o nome de Leonel Brizola não poderia, em hipótese alguma, ser escrito.

Numa das primeiras crônicas que escrevi mencionei o Brizola. O editor mandou me chamar. Me recebeu na sua sala com uma única frase:

– Brizola, nix.

Também não se podia mencionar dom Hélder Câmara, Miguel Arraes e mais umas dúzias de vetados pelos militares. O jornal O Estado de S. Paulo fez questão de que todos soubessem que estava sendo censurado, publicando receitas e poemas em lugar das matérias proibidas. A gente tentava transmitir alguma coisa parecida com críticas ao regime nas entrelinhas, sem saber se eram entendidas ou não. Mesmo com o controle da imprensa, os militares não conseguiram evitar que notícias da guerra suja que se travava no Brasil fossem conhecidas. Notícias de prisões arbitrárias, de pessoas torturadas, exiladas ou mortas, enquanto os generais se alternavam no poder.

Não se sabe, claro, até onde esta canalhice irá prosseguir. Mas já se sabe com toda a clareza, a quem serve.

Esta camada que empalmou o poder do Ministério Público passou de todos os limites que a democracia pode aceitar.

O doutor que espere seu queridinho acabar de vez com a democracia para ser um tiranete.

Fernando Brito
No Tijolaço

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