28 de set de 2018

Mourão e Bolsonaro podem romper já na campanha

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Seria inovação na tradição de vices que se rebelam

Fogo amigo

Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão podem protagonizar uma inovação histórica no Brasil: rompimento do vice com o presidente durante a campanha eleitoral e não ao longo do governo.

Na história recente do país, há dois casos ilustres. Itamar Franco rompeu politicamente com Fernando Collor de Mello antes de crescer o movimento pelo impeachment em 1992. Numa carta em que falava da condição de “vice decorativo”, Michel Temer expôs o mal-estar na convivência com Dilma Rousseff que seria um dos ingredientes que levariam à queda da petista em 2016.

Considerado trapalhão por auxiliares de Bolsonaro, Mourão tem dado declarações desastradas em série, reforçando o tropeço do economista Paulo Guedes ao falar em nova CPMF e numa alíquota de Imposto de Renda que prejudicaria segmentos de menor do renda dos trabalhadores.

Num momento ruim, Bolsonaro sofre com fogo amigo. Adversários recebem munição útil na reta final da campanha de primeiro turno.

Pegou mal

Na campanha de Geraldo Alckmin, pegou mal a defesa do senador tucano Cássio Cunha Lima (PB) para que sejam interrompidos ataques a Bolsonaro. Soou como “trairagem” e “tentativa de prestar serviço a Bolsonaro”, para usar expressões de um coordenador do time eleitoral de Alckmin.

Faz sentido a estratégia tucana de bater no candidato do PSL. Bolsonaro ocupou o lugar do PSDB na polarização com o PT. Atacar somente o petista, como pregou Cunha Lima, não traria de volta o eleitor que um dia foi tucano e hoje está com Bolsonaro.

Subiu no telhado

Até para os padrões machistas, misóginos e chauvinistas da presidência de Donald Trump, está se tornando insustentável politicamente a indicação do juiz Brett Kavanaugh para a Suprema Corte dos Estados Unidos. Acusações de agressão sexual, parecidas com as que pesam contra Trump, dinamitam a indicação.

Morrendo na praia

Dificilmente terão sucesso recursos de Anthony Garotinho (PRP) para sustentar sua candidatura ao governo do Rio. O duro entendimento do TSE sobre o ex-presidente Lula é precedente ruim para as tentativas de Garotinho de evitar o enquadramento na Lei da Ficha Limpa.

Demofobia suprema

Como tem sido a regra, o STF funcionou no modo contra a participação popular ao confirmar nesta semana o cancelamento de 3,4 milhões de títulos eleitorais por não terem feito recadastramento biométrico. O tribunal negou pedido do PSB para permitir que esses eleitores votassem com o título antigo ou com outros documentos.

É demofobia impedir que um contingente equivalente a 2,4% do eleitorado exerça seu direito constitucional de votar. Votos vencidos, os ministros Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello estiveram do lado certo da História.

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