30 de set de 2018

Luiz Fux agoniza na própria insignificância


O ministro Luiz Fux tem vários problemas internos, que decorrem da sua estrutura subjetiva. São problemas de ordem corporativa, técnica, existencial e espiritual.

No campo corporativo, sua frustração é comovente. Fux foi nomeado para o STF depois de implorar muito ao governo petista do presidente Lula. Ele se humilhou nos corredores de Brasília e essa história é largamente conhecida no STF. Deve ser difícil para ele transitar naquela corte e olhar nos olhos de seus pares.

Nem Alexandre de Moraes se rebaixou tanto pela nomeação, já que, no caso deste, foi só mostrar serviço na investigação do vazamento de fotos da senhora Marcela Temer e passar o rolo compressor em cima do acusado, um reles pé-de-chinelo digital.

Ali, Moraes ganhou a nomeação. Um puxa-saquismo tosco, servil, mas que, de fato lhe 'serviu' como passaporte à corte suprema, a despeito da anuência de Alckmin, seu bem-feitor na província do Tucanistão.

A nomeação de Fux foi muito mais humilhante. Ele se rastejou para José Dirceu, dizendo que 'matava o mensalão no peito'.

Nem Dirceu, nem ninguém, no entanto, teve a capacidade de acreditar naquelas 'promessas rastejantes' de Fux. Em primeiro lugar, porque elas eram da ordem do cômico. Um juiz que quer ir para a alta corte tentando acertos prévios em votações deveria, na verdade, ter sido denunciado. É disso que Fux tem medo.

O PT errou em não expor a baixeza moral deste eterno pretendente a ministro.

O problema é que os outros 10 ministros sabem dessa assimetria técnica que habita a personalidade de Luiz Fux. O convívio ali não deve ser, realmente, uma tarefa fácil.

Fux, no entanto, tem mais 'problemas' em seu horizonte subjetivo. Sua limitação não é só de ordem técnica-corporativa. Ele acusa déficits de interpretação básica de texto que, a rigor, alinham-se a questões existenciais.

O juiz carioca daria um excelente integrante da Lava-Jato, uma vez que o que mais caracteriza esse nicho jurídico de poder é a precariedade cognitiva no regime dos pressupostos. O QI médio de um integrante da Lava-Jato - se o teste for feito com rigor - tende a ser abaixo da média.

O despacho redigido por Fux para proibir a entrevista de Lula, por exemplo, será para sempre uma das peças mais grotescas da literatura jurídica brasileira. Curtinho, mal escrito, furado como um queijo suíço, indisfarçável no seu ressentimento partidário e pleno do mais profundo e esdrúxulo totalitarismo.

Luiz Fux pressupõe que o povo brasileiro é burro como ele - o que se explica através da psicanálise: é a projeção de si no outro. O ministro 'café-com-leite' mergulha na premissa inacreditável de que o povo não saberá entender que Lula estará dando só uma entrevista.

O glorioso ministro acha que a entrevista de Lula pode "atrapalhar o processo eleitoral", que o "povo" será confundido na iminência das eleições.

É, de fato, o discurso que tem grassado nos corredores do golpe midiático-judicial. Quer-se proibir a pronúncia do nome de Lula nos programas partidários, quer-se proibir a palavra Lula em cartazes de campanha (ou em qualquer outro lugar), quer-se proibir a fotografia de Lula, esteja ela aonde estiver.

É o velho oeste judicial brasileiro: 'procura-se vivo ou morto'.

Fux, no entanto, atende a uma demanda emergencial da Rede Globo e congêneres para 'cadenciar' o crescimento irresistível da candidatura do PT e da consagração de Lula.

Estão, na verdade, ele e Globo, fazendo mais um favor a Lula. Porque é óbvio que Lula vai ficar ainda mais forte depois de mais essa loucura do nosso vírus golpista inoculado nas narinas avantajadas do STF.

Gustavo Conde é linguista, colunista do 247 e apresentador do Programa Pocket Show da Resistência Democrática pela TV 247

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