13 de set de 2018

Haddad e o fator Lula

Ricardo Stuckert
A pesquisa do instituto Vox Populi publicada em primeira mão pela revista Carta Capital confirma que o ex-presidente Lula exerce uma influência transcendente na política brasileira e que, em razão disso, será o fator determinante na eleição de Fernando Haddad para a Presidência do Brasil.

Parcela significativa dos mais de 60 milhões de votos que Lula receberia se não fosse criminosamente banido da eleição pela ditadura Globo-Lava Jato já começaram migrar em direção a Haddad.

O Vox Populi cobriu um período em campo [7 a 11 de setembro] mais abrangente que o Ibope [8 a 10 de setembro] e o Datafolha [10/9]. E, por isso, conseguiu captar com maior fidedignidade o efeito eleitoral dos 2 acontecimentos mais relevantes do período: [1] o ataque a faca a Bolsonaro e [2] o anúncio da substituição do Lula pelo Haddad.

Deve-se anotar, porém, que a aferição do poder de transferência de votos do Lula a Haddad ainda é incipiente, uma vez que a pesquisa colheu a reação do eleitorado numa mínima fração de tempo do primeiro dia do anúncio transmitido pelo Lula na tarde do 11 de setembro.

O real potencial de votos em Haddad, portanto, somente será realisticamente medido nos próximos dias, quando a mensagem de Lula alcançar todas as regiões do país e a maioria do eleitorado lulo-petista e à medida que Haddad se tornar mais conhecido como candidato.

De acordo com o Vox Populi, apenas 53% reconhece Haddad como candidato do Lula; e Haddad é o candidato menos conhecido de todos demais – 37% só conhecem o nome dele.

Em comparação a seus próprios levantamentos anteriores, nesta pesquisa o Vox Populi encontrou os seguintes resultados:
  1. o crescimento exponencial do Haddad [12% para 22%], o congelamento do Bolsonaro [16% para 18%] e do Ciro [9% para 10%], o definhamento da Marina [de 11% para 5%] e do Alckmin [de 7% para 4%] e a insignificância estatística das demais candidaturas anti-petistas;
  2. o decréscimo de 39% para apenas 16% do percentual de pessoas que não sabem que Lula foi impedido de concorrer;
  3. o crescimento de Haddad de 15% para 24% entre os eleitores com ensino fundamental e de 15% para 25% entre os eleitores com ganhos de até 2 salários mínimos. No nordeste, Haddad alcançou 31%. No sul, apenas 11%;
  4. a segunda menor taxa de rejeição do Haddad [38%] – empatado com Ciro [34%] e bem para trás Bolsonaro, que é o mais rejeitado, com 57%.
A realidade desvelada pelo Vox Populi demonstra o impasse do regime de exceção e confirma a análise de que a ditadura está num beco sem saída.

A Globo, a Lava Jato, o mp e o judiciário romperam as fronteiras mais caras à democracia, inclusive algumas impensáveis, para impedir a qualquer custo a interrupção do golpe e, sobretudo, o retorno do Lula e das políticas de igualdade e justiça social à presidência do Brasil.

Promovem farsas jurídicas, fraude eleitoral, estupram o Estado de Direito e promovem sucessivos golpes dentro do golpe mas, apesar de toda vilania, não conseguem o almejado executar o assassinato político e simbólico do Lula no imaginário popular.

Para a oligarquia golpista, a eleição só faz sentido e só pode ser aceita se não resultar na vitória do Lula e do lulo-petismo.

É preciso estar atento, portanto, a novas violências que serão perpetradas pelo establishment contra o povo e contra a democracia com o objetivo de preservar o golpe e sua ditadura. A eleição limpa e democrática, nesta perspectiva, não está de todo garantida.

Jeferson Miola

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