9 de set de 2018

Golpista em 1964 e 2016, Rede Globo, medrosa, foge do debate com Haddad

Sabotagem política tucana

Miriam Leitão dançou feio no confronto com Fernando Haddad, a propósito dos desajustes da economia, a partir de 2014, porque se negou a aceitar o óbvio: que a política golpista do PSDB, presidido pelo senador Aécio Neves, de resistir à derrota eleitoral, interferiu na economia.

Os globalistas, unanimemente, fugiram do debate proposto pelo candidato a vice do PT na chapa com Lula, ameaçada, agora, pelo general do Exército, Eduardo Villas Boas, antes de o STF dar palavra final sobre se ele pode ou não disputar eleição.

A resistência à vitória da democracia produziu, segundo Haddad, perturbação na política econômica, ao longo de 2015 e 2016, de modo a facilitar impeachment de Dilma Rousseff.

Tratou-se, portanto, de pura sabotagem política, que teve efeitos devastadores nos agentes econômicos.

Paralisaram-se os investimentos e o desemprego desandou-se, contribuindo, para queda, nesse período, de 9% do PIB.

Visão parcial mecanicista

Miriam, com sua visão mecanicista-positivista parcial da realidade, considerou, apenas, os fatores econômicos que, segundo ela, levaram à recessão e à paralisia geral, como as barbeiragens de Dilma, na economia, em 2012-1013.

Argumentou, aos solavancos, que o caos econômico dilmista decorreu, tão somente, 1 – das desonerações dos custos de produção dos capitalistas, para garantir a eles taxas de lucro positivas, afetadas pela sua falta de competitividade nacional e internacional; 2 – das renuncias aos reajustes de tarifas de energia elétrica, que, diga-se, elevaram poder de compra dos contribuintes, para gastar no consumo, gerando produção, emprego, arrecadação e investimentos; 3 – das concessões, pelo BNDES, de empréstimos às empresas, para alavancar os chamados campeões nacionais e; 4 – das denominadas pedaladas fiscais.

Haddad reconheceu os erros, mas ressaltou que, ainda assim, 1 – 20 milhões de novos empregos foram gerados nas eras Dilma e Lula; 2 – recordes históricos nas exportações foram produzidos e 3 – geradas reservas cambiais de 380 bilhões de dólares, capazes de sustentar estabilidade econômica, nas relações internacionais.

Contudo, destacou, que, por mais erradas tenham sido as barbeiragens econômicas, como ocorrem, também, na Era FHC, com o populismo cambial que produziu desindustrialização, inflação e fuga de capitais decorrentes do deficit no balanço de pagamentos ao final de 2012, elas não justificariam o tombo de 9% do PIB, registrado em 2015 e 2016.

Seria, então, na avaliação dele, necessário colocar na conta da crise o golpe institucional, dado pelos tucanos, para desestabilizar democracia e economia, como, de fato, ocorreu.

Por que não debater a influência do golpe institucional tucano na economia tocada por Dilma, destinada a desestabiliza-la, politicamente?

Os entrevistados da Globo não toparam o debate e se irritaram com Haddad por ter dito que não viu nem vê eles debaterem as consequências do rompimento institucional, a partir de 2014, como determinante da crise econômica.

A Globo, frisou Haddad, ouviu, apenas, um lado da realidade, não o seu todo, para contribuir com formação crítica da sociedade sobre o que, realmente, aconteceu.

A dualidade do real concreto em movimento dialético não foi considerada pelos mecanicistas, positivistas globalistas.

Onde está a honestidade, perguntaria Noel Rosa?

Fragilidade histórica

Sem dúvida, como reconheceu Haddad, houve derrapagens na economia,  objetivando minimizar taxas de lucros cadentes dos capitalistas tupiniquins em meio à desindustrialização, decorrente, quase sempre, de câmbio, historicamente, sobrevalorizado.

É o que se tem visto ao longo da era neo-republicana, pós ditadura militar,  como tem destacado, lucidamente, Bresser Pereira, para explicar fragilidades econômicas brasileiras, no cenário global.

Ressalte-se, como fundamental, que as barbeiragens e equívocos dilmistas na condução da política econômica foram, amplamente, aplaudidos pelos empresários, como ressaltou, recentemente, Delfim Netto.

Não teria sido, também, favorecida, como empresa, a própria Rede Globo, nesse rol de vantagens decorrentes de renuncias fiscais, com recursos do contribuinte?

O fato evidente é que Dilma foi pressionada pelos donos do dinheiro(indústria e bancos) a errar para ajudar capitalismo brasileiro sem poder de competitividade internacional, dada sua histórica dependência decorrente de restrições externas geradoras de deterioração nas relações de trocas internacionais.

Mas, esses escorregões do governo dilmista, reconhecidos por Haddad e pelo próprio Lula e PT, não explicariam, por si só, queda de 9% do PIB em 2015 e 2016.

Seria indispensável levar em consideração os fatores políticos provenientes do golpe institucional tucano, para tirar do poder presidenta eleita por 54 milhões de votos.

X da questão

Como disse Keynes, maior economista do século 20, os fatores psicológicos, institucionais e políticos são decisivos para orientar o clima de investimento na economia capitalista, marcada por contradições no processo de sobreacumulação de capital em toda a história do capitalismo.

Instabilidades decorrentes de tentativas de golpes políticos, reconhece o autor da “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, produzem, inevitavelmente, inseguranças jurídicas, perigos de virada de mesa etc e tal, decisivos para interromperem ações dos agentes econômicos.

“O capital é, essencialmente, covarde”(Roberto Campos).

O silêncio faccioso dos entrevistadores da Globo sobre o assunto comprovou que ocorreu o golpe institucional, levantado por Haddad.

Fugiram do assunto, ao recusarem a evidente correlação entre política e economia no contexto da crise que levou ao impeachment.

Miriam, tão cética e sempre propensa a identificar fatores psicológicos e políticos, como produtores de instabilidade econômica, simplesmente, emudeceu.

Haddad concluiu acertadamente que Aécio Neves, com apoio midiático, destaque-se, quis brincar com a democracia, contestando-a nos tribunais, para judicializar a política.

Resultado: levou a economia ao caos neoliberal de Temer e à inviabilidade eleitoral dos seus aliados, como comprovam pesquisas às vésperas da eleição.

Dá-lhe Noel



No Independência Sul Americana

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