28 de set de 2018

General da equipe do Bozo propõe queima dos livros de História


Todos os livros que contém a verdade sobre 64 seriam incinerados.

“Existe mais de uma maneira de queimar um livro. E o mundo está cheio de pessoas carregando fósforos acesos”(…) 
Ray Bradbury

O trecho acima é do livro Farenheit 451 que nos apresenta uma realidade distópica (hoje, nem tanto) onde os livros são destruídos e uma sociedade consumista, e tomada pela desumanização, pode ser compreendida como ideal de vida. “Pessoas que leem são perigosas para o sistema”, portanto.

O General Ribeiro Souto, da equipe de EDUCAÇÃO que elaborou o plano de governo do candidato do PSL, Bolsonaro, é um desses “fósforos”. Ele propõe a eliminação de livros que não contem a “verdade” de 1964, ou seja, uma verdade que não convém para aqueles que defendem tortura e torturadores e que desejam apenas um lado da História desse país. Uma verdade em que desaparecidos políticos, torturados e suas famílias sejam novamente silenciadas e o futuro totalmente manipulado pelo viés do dominador.

Some a isso a ideia de “banir a ideologização” de qualquer espécie, uma visão obtusa que não vê a escola como um espaço plural, mas sim, carregada de preconceitos uma vez que elimina vilipendiados e marginalizados pelo sistema neoliberal e ainda todos aqueles que lutam para que sua forma de se relacionar não seja vista como bizarra ou doentia.

Falar de temas transversais é uma ação humanitária e de construção de uma sociedade menos hipócrita, sem contar que é questão de saúde pública. Para cada faixa etária há uma forma de abordagem adequada e que leve do lúdico a uma reflexão mais complexa com o passar dos anos e assim, seja um processo efetivo de ensino-aprendizagem-social.

Paralelo a isso, Ribeiro Souto propõe o fim do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e não um projeto que leve a ser praticado de forma eficaz e que toda a comunidade escolar seja protegida e respeitada. Sem contar que valorização do professor deve ser para esse grupo uma arma na mão e “defender a honra”!

O que vejo na fala do referido senhor é a barbárie maquiada de falas de efeito para que compreendidas como salvadoras quando, na verdade, expressam preconceito e nojo profundo para que camadas mais populares cresçam e exerçam sua voz para a reivindicação de direitos plenos.

Por tudo isso e pela liberdade de ter liberdade: #EleNão #EleNunca

Francis Paula Duarte, professora da rede pública de ensino, no interior do Rio de Janeiro, mestre em Língua Portuguesa e nefelibata nas horas livres.

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