29 de set de 2018

fAlha: Não dá pra ler

O editorial que a Folha de S. Paulo publicou hoje no começo da tarde é um dos pontos mais baixos da deprimente trajetória do diário paulistano.

Com o título "A hora do compromisso", afirma: "Chegou a hora de [os candidatos mais competitivos] expressarem compromissos definitivos com a democracia".

É óbvio o que vem depois. Bolsonaro e Haddad são igualados.

Um defende a tortura, zomba dos direitos fundamentais, agride mulheres, negros e homossexuais, privilegia a violência como forma de solução de conflitos, ameaça virar a mesa caso perca a eleição, articula quase abertamente um golpe militar. A Folha manifesta seu rechaço a ele? Não. A Folha pede que ele expresse um "compromisso definitivo com a democracia".

O outro é acusado de "agressão constante" a decisões da justiça (como a condenação e inelegibilidade de Lula), de não criticar o governo da Venezuela e de não se penitenciar pela corrupção ocorrida nas administrações de seu partido. Independentemente do que se ache dessas acusações: tem termo de comparação?

Denunciar o viés do judiciário é igual a defender a tortura? Não apoiar a oposição venezuelana é equivalente a fazer apologia do estupro? Recusar a autocrítica pública exigida pelos adversários é o mesmo que propor chegar ao governo pela força das armas?

É possível criticar o candidato do PT por muitos motivos. Mas afirmar que Haddad não expressa compromisso com a democracia é maldoso. É injusto. É mentiroso.

No momento em que a candidatura de Alckmin só espera os pregos serem martelados no caixão, igualar Bolsonaro e Haddad só tem um objetivo: preparar terreno para a adesão ao candidato do fascismo.

O povo na rua hoje, liderado por essa mulherada linda de luta, me faz acreditar que o retrocesso não passará. Mas, se tudo desse errado e a gente mergulhasse de novo nas trevas, tenho certeza: a Folha só não voltaria a emprestar seus furgões para a tortura porque, decadente como anda sua circulação, já deve estar praticamente sem furgões.

Luis Felipe Miguel

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