28 de set de 2018

Depois do STF, o risco de chantagem contra militares


Em algum ponto do futuro, um novo Snowden poderá trazer luzes sobre um dos aspectos mais obscuros do golpe em curso: o poder da chantagem em cima de agentes-chave do processo.

A era da telemática trouxe à tona um volume inédito de informações sobre países, instituições, empresas e pessoas. As operações em paraísos fiscais, a lista do HSBC, o caso Banestado, a contabilidade da Odebrecht, dos doleiros, os arquivos sobre o narcotráfico, a espionagem direta norte-americana, através na NSA, grampeando o celular de Dilma Rousseff e Ângela Merkel.

Some-se à maneira fácil com que se destroem reputações através das redes sociais e dos sistemas de mídia, e se terá um prato feito a chantagem.

Chantageadores costumam levantar informações pontuais sobre um número determinado de vítimas. Mas, e quem têm acesso a um número ilimitado de fontes de informação e a facilidade das redes sociais para disseminá-las?

Há os seguintes indícios do uso dessas informações no golpe, através da alimentação das diversas operações ou da chantagem:
  1. Globo – desde 2011 está refém do FBI devido aos escândalos da FIFA. Nesse ano houve a delação de J.Hawila. Apesar das investigações se concentrarem nos Estados Unidos, ocorreram denúncias contra executivos da FIFA e das confederações latino-americanas. Nenhuma denúncia contra a Globo. As investigações mais substanciosas estão sendo feitas pelo Ministério Público da Espanha e da Suíça – mas abafadas no Brasil pelo MPF nacional. Há suspeitas – repito: suspeitas – de que a jogada de alto risco da Globo, sendo o principal alimentador do golpe, se deveu a essas pressões.
  2. Luís Roberto Barroso – a mudança de posição de Barroso, em questão de direitos, ocorreu imediatamente após informações sobre ele e sua família veiculadas por um site anônimo de Curitiba. Depois que mudou de lado, não foi mais incomodado. A mesma suspeita recai sobre Luiz Edson Fachin e sobre Carmen Lúcia. Neste caso, ela recebeu um recado de coluna da Globo, que estaria sendo vítima de um golpe, da pessoa que lhe vendeu por R$ 1,7 milhão uma casa que valia R$ 3 milhões. A pessoa em questão tinha relações com Carlinhos Cachoeira. Depois que mudou de lado, Carmen Lúcia nunca mais foi incomodada.
É possível que muitos magistrados tenham aberto mão de seus princípios garantistas por pressões de chantagistas, independentemente de as ameaças serem em cima de fatos concretos ou factoides. Dias Toffoli foi alvo de uma capa infame da Veja, assim como políticos que não aderiam ao golpe. E os vazamentos seletivos ou meras manipulações de delações passaram a ser arma diuturna de chantagem e pressão política.

A falta de critérios da mídia brasileira abriu essa avenida para chantagens, muito mais do que os fakenews das redes sociais.

Dou essa volta para chegar a um ponto delicado: a possibilidade desse tipo de jogada estar ocorrendo sobre militares da ativa.

Há sinais concretos de que a maioria dos oficiais da ativa são legalistas, respeitadores da lei e da ordem. Muito mais que políticos, intelectuais, jornalistas, eles têm enorme apreço por sua reputação pessoal. Justamente por isso, são muito mais vulneráveis a esse tipo de pressão que um cidadão comum. É capaz de se sentirem constrangidos por apontamentos no SPC, alguma irregularidade fiscal, por algum erro administrativo em alguma licitação, qualquer episódio menor suscetível de ser escandalizado.

São fortes como instituição armada; vulneráveis como pessoas físicas pouco afeitas ao jogo de intrigas e pressões que cercam a política.

Há indícios – repito: indícios! – de que possa estar em andamento uma ofensiva similar à que dobrou figuras do Judiciário, visando obter adesões contra a normalidade democrática. Mas é importante ficar alerta a sinais que possam indicar algo nessa direção. As próprias Forças Armadas tem áreas especializadas em guerras híbridas.

Luís Nassif
No GGN

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