16 de set de 2018

Bolsonaro é uma ameaça à civilidade


A candidatura de Jair Bolsonaro é, por si só, uma ameaça à civilidade. Não apenas porque o sujeito é um fascista incorrigível, um indivíduo incapaz de aprender até mesmo com a própria dor, mas porque o simples fato de vomitar seu ódio é um potente catalisador do ódio alheio. Qualquer pessoa com mais de dois neurônios ativos é capaz de compreender como seu discurso é anacrônico, pertencendo a um mundo passado que ele sonha como melhor, ideal, apenas porque as minorias que ele tanto despreza não tinham condições de erguer a voz contra a opressão.

A sociedade ideal, para gente como Bolsonaro, é aquela em que o grito, a violência e o abuso de poder ocupam o lugar do debate, da razão e da diversidade.

E é por esta razão que há um bom tempo já não invisto energia ou tempo em comentar a maior parte das canalhices que ele, seus filhos e correligionários fazem ou dizem. O que eu falhava em compreender (e que muitos ainda não percebem) é que apontar a natureza vil do sujeito não afasta seus eleitores, pois estes o escolheram como candidato justamente porque ele representa toda a sujeira que eles têm na alma.

Misoginia, racismo, xenofobia e homofobia não são palavras feias para seus eleitores; são recomendações. Neste sentido, Bolsonaro é o Martin Luther King dos intolerantes; e se ele tem um sonho, este é o de tornar o país um pesadelo para toda e qualquer minoria e para quem acredita em igualdade.

É por isso que não acredito que seja possível "debater" com seus eleitores: o que julgamos como desprezível e desumano eles consideram um modelo de vida.

Vejam o que fizeram agora: depois que um grupo exclusivo para mulheres foi criado aqui no Facebook como resposta à misoginia do candidato, eles inicialmente tentaram criar um outro com o objetivo de elogiar o ídolo. Porém, enquanto o original ultrapassava as duas milhões de inscritas, a anticópia mal passava de alguns milhares e era repleta de homens.

O passo seguinte foi enviar mensagens com insultos e ameaças às administradoras da página e, como isto falhou em demovê-las, eles HACKEARAM o grupo, mudaram seu nome, excluíram as administradoras e, então, a página em si.

Afinal, qual seria a melhor maneira de combater acusações de misoginia e intolerância do que comprovando-as na prática?

Bolsonaro é resultado do ódio fomentado pela mídia corporativa e pelos golpistas (políticos e juízes) por esta empoderados. Há uma conexão direta entre a raiva cheia de cuspe e frustração de William Bonner na bancada do Jornal Nacional e os discursos do candidato fascista e de seus eleitores, que representam o que a sociedade brasileira tem de pior.

São estes "cidadãos de bem" preconceituosos, intolerantes ao dissenso e ao diálogo que afundam o país cada vez mais. Derrotá-los nas urnas é apenas o primeiro passo; os seguintes, bem mais difíceis, consistirão em levá-los a compreender que o ódio que vomitam é algo inaceitável em pleno século 21. Quanto ao sucesso desta empreitada não nutro esperanças; já a primeira está ao nosso alcance.

Esta será a eleição mais importante que o Brasil já teve. De seu resultado virá o veredicto sobre que tipo de nação queremos ser.

Pablo Villaça

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