22 de set de 2018

Atentado: fatos x versão


A cada dia surgem novas informações em torno do atentado contra o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora, em geral fruto de vazamentos. Em sua maioria, divulgadas pelos sites O Antagonista e Crusoé, mas também por jornais regionais que acompanham as investigações.

A última novidade, desta vez divulgada pela revista online Crusoé, é a de que o agressor de Jair Bolsonaro “recebia com alguma frequência transferências de valores e também depósitos em espécie – os valores são mantidos em segredo”. Segundo a publicação, a Polícia Federal está tentando descobrir quem transferia recursos para Adélio Bispo. Fiquemos no aguardo.

Na mesma linha, o inquérito deve explicar se é fato e, sendo, como o autor do atentado, sem ou com poucos recursos, tinha em seu poder um cartão de crédito internacional do banco Itaú? Qual a explicação do banco Itaú para a situação, considerando que cartões internacionais não são de uso comum?

A informação de que Adélio tinha, ou tem, um passaporte procede? Se positiva, onde foi tirado o passaporte, em qual seção da Polícia Federal? Ele o utilizou alguma vez? Se utilizou, para qual país foi? E se foi, o que foi fazer? Com quem se encontrou? Ou a informação foi apenas jogada no ar …

Os jornais e onlines também divulgaram que o juiz federal Bruno Savino deferiu o pedido feito pelo jornalista do SBT, Roberto Cabrini, para entrevistar Adélio no dia 5 de outubro. Segundo o jornal Tribuna de Minas, o juiz afirmou não haver motivo para negar o contato do investigado com a imprensa.

No início da semana, o deputado federal Fernando Francischini, líder do PSL, havia protocolado pedido na 3ª Vara Federal em Juiz de Fora, com o objetivo de impedir a entrevista. Segundo o magistrado, a defesa de Adélio não se opôs à realização da entrevista.

Qual o interesse editorial do SBT em realizar uma entrevista exatamente na sexta-feira, último dia da propaganda eleitoral? Por que o juiz, Ministério Público e a própria defesa aprovaram o pedido, desconsiderando que Adélio faria exame de sanidade mental nesta sexta-feira, 21?

Tais fatos somam-se a outros que seguem sem esclarecimento, alimentando a insegurança diante das investigações e seus desdobramentos.

O principal deles segue sendo qual o critério, ou interesse, em separar o processo de investigação em duas partes – coincidindo com os dois turnos da eleição? Na primeira parte, investiga o fato em si; na segunda, os mandantes.

Outra situação, no mínimo estranha, é a que envolve o policial Daniel França, substituído por Antonio Marcos Teixeira, que comandava a divisão da PF que fazia segurança a Bolsonaro. Ele já foi ou será ouvido para explicar as razões de sua ausência no local no dia do atentado? Também para explicar a “displicência” profissional da PF, que sequer rádios portava?

Ainda, afinal, o que fez a PF no momento do atentado, a não ser tirar o candidato do ambiente do atentado e conduzi-lo para o hospital? É fato que a arma foi encontrada pela PM, embaixo da barraca de um comerciante, por indicação de um popular em meio à multidão? É procedente a informação divulgada pela mídia de que a faca encontrada estava “ensaguentada”?

Autoridades militares já insinuaram que a repercussão do atentado poderia levar candidatos a questionar o resultado eleitoral. Portanto, as autoridades têm o dever de promover a profunda investigação de todos os fatos. A sociedade exige esclarecimento dos fatos, sem surpresas ou versões.

Fernando Rosa
No Senhor X

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