1 de set de 2018

As redes sociais enganam

Quem acredita no impacto eleitoral do Facebook exagera na aposta, diz João Feres Júnior, especialista no assunto

O que se vê no Facebook, segundo Feres, é uma réplica das “guerras culturais” entre direita e esquerda, agora no âmbito eleitoral
As páginas dos aspirantes à Presidência e ao Legislativo animam as eleições no Facebook e, com entusiasmo, as esperanças dos candidatos. O tempo para as campanhas entre o fim de agosto e o início de outubro, que vale a partir de agora, aumentou as encrencas travadas entre a lei e a ordem. Encurtam o dinheiro e a ilusão. 

João Feres Júnior, diretor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp), braço da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), percebeu que o período de pré-campanha está se consolidando na internet.

O Facebook terá grande influência no voto dos eleitores nas redes sociais? As redes enganam? Sobre isso Feres Júnior tem uma resposta: “Acho que a expectativa de o Facebook ter um grande impacto eleitoral vai ser em grande medida frustrada por várias razões”. 

Ele explica: “Primeiro, temos o descrédito lançado sobre a rede, devido ao escândalo de Cambridge Analytica. Isso fez com que a própria empresa, para se proteger, restringisse o uso dos posts e o acesso de terceiros aos dados. Tais medidas diminuíram drasticamente o poder de disseminação das mensagens”.

Segundo Feres Júnior, há algo que “muito pouca gente sabe”. Ei-lo: “Os algoritmos do Facebook são desenhados para maximizar o poder comercial dos anúncios, por isso não são tão eficientes para campanhas políticas”.

O ponto maior da divergência “está no fato de o vendedor querer fidelizar o cliente e, assim, procurar expandir a base dele para pessoas no espaço próximo de seus eleitores cativos”. A diferença de tempo é brutal. O político, diz Feres, “precisa fazer isso em um espaço de pouco mais de dois meses, enquanto o comerciante trabalha com a temporalidade de anos”.

Feres Júnior esclarece: “O algoritmo do Facebook tende a manter as pessoas falando para dentro de suas bolhas e, como tal, não ajuda tanto a ganhar votos de outras bolhas”. Em seguida, pergunta de forma amável, mas desafiadora: “Quantos posts ou propagandas do Bolsonaro ou do Alckmin você já recebeu em sua timeline?”

O que se vê no Facebook, segundo Feres, é uma réplica das “guerras culturais” entre direita e esquerda, agora no âmbito eleitoral. “Nossas análises do Facebook, anteriores à campanha eleitoral, mostraram uma dominância de páginas da nova direita, como o MBL, o Vem pra Rua, Bolsonaro e Marco Feliciano, que são, por vezes, superadas por páginas da esquerda, como a do próprio Lula, de Paulo Henrique Amorim e outros.” 

Feres Júnior afirma que as páginas de Lula e Bolsonaro são de longe as com mais interação e maior número de seguidores. O capitão tem 5,5 milhões de seguidores, ante 3,8 milhões do petista. A página de Lula tem mais engajamento dos usuários. Já a página de Bolsonaro “parece ser em parte insuflada artificialmente”. 

Bastante fracos no Facebook os demais candidatos.

André Barrocal
No CartaCapital

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