2 de set de 2018

Ajuda mortal: como Fundo Monetário Internacional destrói a economia dos países


O presidente da Argentina, Mauricio Macri, afirmou ter acordado com o Fundo Monetário Internacional a concessão de créditos no valor de $US 50 bilhões (R$ 234 bilhões).

O programa da assistência financeira a Buenos Aires termina em dezembro de 2019. Analistas acreditam que esta é a data exata da moratória que acabará com a economia do país. Pelo visto, o FMI entende isso também.

Neste ano, segundo estimativas mais otimistas, a inflação na Argentina vai atingir 32%, embora o governo tenha prometido que não deve ultrapassar 15,7%. O PIB do país, ao invés do esperado crescimento de 3,2%, vai recuar 1%.

Nesta situação difícil, visando aumentar suas chances nas futuras eleições presidenciais, Macri tenta provar a todo mundo que, graças a mais um crédito do FMI, os investidores acreditarão na capacidade de pagamento da Argentina e voltarão a investir no país.

Entretanto, quer os investidores, quer o presidente da Argentina, bem como os funcionários do FMI percebem que, quando chegar o tempo de pagar as dívidas, a Argentina vai declarar moratória, sendo todas as suas obrigações extintas. Este é o principal objetivo do FMI: logo que um país se veja afogado em dívidas por causa dos créditos concedidos, será possível comprar todos os seus ativos por um valor muito baixo, para vendê-los a "determinados" investidores.

Vale destacar que tal esquema do FMI já tinha sido aplicado na Argentina. Nos anos 1990, Domingo Cavallo, ministro das Relações Exteriores e da Economia do país, efetuou várias reformas monetárias, mais precisamente, ligou a cotação do peso argentino ao dólar, anunciou a privatização maciça da propriedade pública, bem como isentou os investidores estrangeiros de impostos por um período de 5 a 25 anos.

As medidas resultaram na melhora da situação econômica, e o FMI encorajou as ações de Cavallo, concedendo ao país créditos para pagar as dívidas antigas. Contudo, quando em 1999 o Brasil desvalorizou sua moeda, os investidores transferiram todo o seu capital ao país vizinho, abandonando a Argentina.

Naquela época, as empresas nacionais argentinas se encontravam sufocadas pelos concorrentes estrangeiros. E 2001, o país não conseguiu pagar as obrigações a tempo, o que estimulou os credores a vender seus títulos. Então, o fundo anunciou que era tarde demais para salvar o país da falência e negou outra tranche.

Os "êxitos" do FMI no que toca a arruinar as economias nacionais não se limitam à Argentina. Vale recordar o ano 1997, que virou um verdadeiro pesadelo para o Sudeste Asiático.

A "crise asiática" se seguiu a um boom de investimentos, incentivado pelos recursos emprestados e capacidades econômicas excedentes. Por exemplo, na Tailândia devido aos enormes investimentos no setor da construção, a oferta no mercado de imóveis superava significativamente a demanda.

O FMI saudou o "milagre econômico". Contudo, em meados de 1997, a moeda nacional tailandesa foi atacada por especuladores e rapidamente começou a se desvalorizar. Em seguida, o colapso dos mercados de títulos atingiu outros países da região: Malásia, Coreia do Sul, Indonésia, Japão.

O então presidente da Malásia, Muhammad Mahathir, rapidamente identificou a fonte de agressão financeira e ordenou o fechamento da filial do FMI, expulsando do país todos os especialistas do fundo. Outros países permaneceram fiéis ao credor internacional e se comprometeram a cumprir as exigências do FMI em troca de créditos para recuperar a economia.

Talvez o caso da Coreia do Sul seja o mais ilustrativo. Em troca de um crédito, o governo concordou em vender os ativos dos dois maiores bancos do país a empresas estrangeiras, para conceder às organizações financeiras estrangeiras o direito de realizar transações no país sem quaisquer restrições.

Além disso, Seul cancelou a proibição de venda de terrenos a estrangeiros e eliminou a forma tradicional de atividades das empresas familiares chaebol, que representavam quase um terço do PIB. A economia foi recuperada, mas agora a quase totalmente é controlada pelo capital norte-americano.

Outro exemplo vem da África. Quando as autoridades do Ruanda pediram ajuda financeira ao FMI após anos de grave seca, o país recebeu um crédito em condições extremamente duras. O governo teve que cessar o apoio aos agricultores, bem como desvalorizar a moeda nacional para que os investidores estrangeiros pudessem comprar terras por um valor baixo. As reformas liberais resultaram na hiperinflação, aumento da dívida nacional em cinco vezes e na transferência das terras agrícolas para corporações ocidentais.

O segundo maior detentor da dívida do FMI, a Ucrânia, também dificilmente pode esperar melhoras em sua economia. A dívida externa de Kiev após o golpe de Estado de 2014 subiu de 76,5% para 122% do PIB, apesar dos créditos do fundo.

Agora o FMI está exigindo que os próprios ucranianos paguem pelas dívidas do governo, e anuncia um ultimato: as autoridades devem quase dobrar o preço do gás para a população, caso contrário, não receberão uma nova tranche.

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