11 de set de 2018

A pesquisa DatafAlha


A onda vem do “fundo do povo”


Numa eleição em que as dúvidas sobre o resultado são, essencialmente, se Lula conseguirá – sem poder falar ou aparecer na TV – transferir seus votos para Fernando Haddad, nada é mais importante, claro, que verificar o que acontece nas faixas de menor renda e escolaridade, não apenas por integrarem a maioria do eleitorado, mas por serem aquelas em que, em tese, a desinformação é maior.

Então, o que acontece com Fernando Haddad, aquele que, por indicação de Lula, é o representante do ex-presidente na urna (algo que, aliás, só será formalizado hoje)?

Selecionei, dos gráficos publicados pelo G1 com o detalhamento da pesquisa Datafolha divulgada ontem à noite, os dados relativos a estes segmentos e mais os do Nordeste, porque a região, notoriamente, é o grande celeiro de votos lulistas e, portanto, onde a questão da transferência de votos é mais dramática e evidentemente necessária.

Os números estão aí em cima e só não convencem os muito céticos.

Conferi na amostra da pesquisa anterior do Datafolha e os eleitores com renda até 2 salários mínimos são 46% do total. Entre eles, em 19 dias, Haddad mais que triplicou as intenções de voto: de 3% para 10%. Na faixa logo acima, de mais de dois até 5 SM, que soma outros 36% do eleitorado, o candidato de Lula dobra o número de indicações.

Entre os eleitores com ensino fundamental apenas, Haddad quadruplica as manifestações de voto.

E no Nordeste lulista, quase as triplica.

Considere que só a partir de hoje poderá ser falada a frase correta: “o candidato do Lula é Haddad”.

Ainda que seu crescimento não fosse se acelerar com isso, o ritmo da transferência de votos que se verificou nestes dias, mesmo com as imensas restrições que lhe impuseram Luiz Roberto Barroso & Cia e o impacto do crime de Juiz de Fora, só isso o levaria a liderar em três dos quatro segmentos selecionados e a se posicionar em 2° lugar entre a classe média-baixa, que é o eufemismo usado para chamar as pessoas com renda de até cerca de R$ 4.500 mensais.

Este é o retrato das eleições e o desenho nítido de que está se se formando uma onda, que vem lá do fundo, das entranhas de nosso povão.

Fernando Brito
No Tijolaço



Datafolha: 33% votarão com certeza e 16% podem votar em quem Lula indicar, ou seja, Haddad

O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, é hoje o franco favorito absoluto para se tornar o próximo presidente da República, segundo a pesquisa Datafolha divulgada parcialmente na noite de ontem e de forma mais completa nesta manhã. Isto porque 33% dos brasileiros votarão com certeza em quem o ex-presidente Lula, preso político há cinco meses, indicar. Além disso, outros 16% admitem votar no indicado por Lula – o que garante um potencial de votos de 49% para seu escolhido. Na pesquisa anterior, 30% votavam com certeza no indicado por Lula e 17% podiam votar, ou seja, o potencial de votos de Haddad era de 47%.

Na mesma pesquisa, Haddad aparece com 9%, e já num empate técnico na segunda posição, porque apenas 39% já sabem que ele é o candidato de Lula. Isso significa que, assim que a informação se espalhar, Haddad, que será confirmado candidato nesta tarde, em Curitiba, num ato diante do cárcere de Lula, em Curitiba, deve disparar e se tornar o favorito na disputa presidencial. Com isso, o PT repetirá uma fórmula utilizada na Argentina, na década de 70, quando Juan Domingo Perón foi impedido por seus adversários de participar de uma disputa presidencial, mas ainda assim venceu indiretamente: 'Cámpora al gobierno, Perón al poder'. Adaptada ao Brasil, a fórmula seria Haddad no governo, Lula no poder.



Datafolha: péssimo para a direita, bom para Ciro e ótimo para Haddad

A fotografia da corrida eleitoral, captada nesta segunda-feira pelo Instituto Datafolha, indica que o próximo presidente da República será Fernando Haddad, do PT, ou Ciro Gomes, do PDT. Isso porque, ao que tudo indica, um dos dois passará para o segundo turno, em que o rival tende a ser Jair Bolsonaro, que concorre pelo PSL e, mesmo após a facada de Juiz de Fora, viu sua rejeição crescer.

O resultado foi péssimo para os três principais candidatos da direita, que representam a agenda do golpe de 2016 e a política econômica de Michel Temer. Bolsonaro cresceu apenas na margem de erro, indo de 22% a 24%. Marina Silva, da Rede, praticamente desapareceu e despencou, caindo de 16% para 11%. O tucano Geraldo Alckmin ficou estagnado nos 9%. Ou seja: o efeito da facada, até agora, parece ser apenas a consolidação de Bolsonaro como o candidato do golpe.

No campo progressista, o que já se anuncia é uma disputa ferrenha pela vaga no segundo turno entre Ciro Gomes, que foi de 10% a 13%, e Fernando Haddad, que teve o maior crescimento, passando de 4% a 9% – os dados do petista, no entanto, devem crescer quando ele for percebido pelo conjunto dos eleitores como o candidato de Lula.

A pesquisa também indica que Ciro venceria Bolsonaro com relativa facilidade, enquanto Haddad também teria condições de superá-lo, embora o quadro atual seja de empate técnico entre os dois. A tendência natural é que todos os candidatos do campo democrático se unam contra a ameaça fascista.



No Nordeste, Haddad passa de 5% para 13%

A primeira pesquisa realizada pelo Datafolha, realizada após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negar o registro da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, também, depois do ataque a Jair Bolsonaro (PSL), aponta que antes mesmo de ser apresentado como o "nome de Lula", o candidato a vice na chapa do PT, Fernando Haddad, viu suas intenções de voto na Região Nordeste passarem de 5% para 13%. Bolsonaro manteve os mesmos 14% registrados na pesquisa anterior. Ciro Gomes (PDT), que passou de 14% para 20%, lidera a corrida presidencial na Região, enquanto Marina Silva (Rede) despencou de 19% para 11%.

O crescimento de Haddad está diretamente ligado ao potencial de transferência de votos do ex-presidente Lula. Segundo a rodada anterior da pesquisa Datafolha, quando o nome de Lula constava dos questionários, ele registrava 59% das intenções de votos dos eleitores nordestinos.

Dentro da estratégia de ligar a Haddad a Lula na Região, onde tradicionalmente o PT é mais forte, o Partido dos Trabalhadores se adiantou a possibilidade da cassação do registro da candidatura Lula e colocou Haddad como o "nome escolhido pelo Lula" para disputar a eleição, o que explica em grande parte a transferência de votos para "Andrade", como o ex-prefeito ficou conhecido na Região.

Ainda segundo o Datafolha, o presidencial Geraldo Alckmin (PSDB) passou de 5% para 7%. Já Álvaro Dias (Podemos) recuou de 2% para 1%. O ex-ministro Henrique Meirelles subiu de 1% para 2%. Os presidenciáveis Guilherme Boulos (PSOL), Vera Lúcia (PSTU), Cabo Daciolo (Patriota) e João Amoêdo se mantiverem estáveis em relação ao levantamento anterior, com 1%. José Maria Eymael (DC) e João Goulart Filho (PPL) não pontuaram. Os votos brancos e nulos recuaram de 28% para 18% e os que não souberam ou não responderam ao levantamento passaram de de 6% para 9%.

A pesquisa Datafolha, encomendada pela TV Globo e pelo jornal Folha de S. Paulo, tem margem de erro de dois pontos porcentuais e nível de confiança de 95%. Foram ouvidos 2.804 eleitores nesta segunda-feira (10) em 197 municípios de todo o país. A pesquisa foi registrada no TSE com o número BR-02376/2018.

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